31 dezembro 2009
27 dezembro 2009
09 dezembro 2009
08 dezembro 2009
Segredos
translúcidas e perfumadas
guardo em secreto esconderijo
longe de piratas amantes de estados de alma perdidos
nos mares vendidos a litro.
Corolário de grandes ilusões coloridas,
opacas e oprimidas
guardo em baú com cadeado,
bem fechado,
perto do meu leito diário e certo
de colchão de segredos recheados.
Quem os não tem guardados,
semeados em terra fértil,
crescendo a cada dia?
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos,
Ed. Som da Tinta, 2004
06 dezembro 2009
04 dezembro 2009
Um olhar científico sobre as aparições de Fátima
Biografia do autor: Investigador e professor do ensino superior, Aurélio Lopes, tem-se debruçado, especialmente, sobre a Antropologia do Sagrado, nomeadamente nas vertentes relacionadas com a religiosidade popular.
Conferencista e articulista em diversos periódicos regionais e nacionais, é autor de mais de duas dezenas de estudos publicados de que se destacam Religião Popular no Ribatejo (1999), O Percurso de Selene: A Lua na Tradição Popular (1996), Tempo de Solstícios (1998), A Face do Caos; Ritos de Subversão na Tradição Portuguesa (2000), O B. I. das Mouras Encantadas (2004), Devoção e Poder nas Festas do Espírito Santo (2004), Bielhas i Chocalheiros na ne Praino Mirandés (2005), A Sagração da Primavera (2007), A Festa dos Bugios no Sobrado; Concelho de Valongo (2008) e A Reconstrução do Sagrado: Religião Popular nos Avieiros da Borda D’ Água (2009).
Actualmente é responsável pelo Observatório Cultura da Associação Civilis e coordenador da Colecção Raízes e Antropologia da Editora Cosmos.
Sinopse do livro: Os fenómenos que usualmente denominamos “aparições”, revestem-se de vicissitudes sociais e culturais multifacetadas, em que se movimentam diversos actores, tanto videntes e devotos, como responsáveis pelos processos de aceitação e integração mais ou menos canónica.
E se as eventuais etapas secundárias, sempre institucionalizadas, se revestem, já, de uma multivalência doutrinária que as respectivas conjunturas vão acarretando, os testemunhos primários, constituem quase sempre uma emanação directa das personalidades dos videntes, numa conjuntura cultural bem definida.
Poder-se-á dizer-se, assim, que as aparições constituem eclosões epifânicas decorrentes de determinadas condições sociais, assentes em catalisadores culturais específicos e tendo como elemento polarizador a personalidade (não perversa, nem patológica, mas singular no seu psiquismo) do respectivo vidente!
Singularidades na relação dos homens com Deus, constituem momentos marcados pelo excepcional; pelo prodigioso.
Momentos em que a relação normal se mostra insuficiente perante a excepcionalidade ou a gravidade da ocasião. Em que a divindade resolve atalhar os canais normais de comunicação e falar, directamente, com os Homens.
São, muitas vezes, mensagens de aviso e alerta, face a um desvio devocional ou comportamental, ou um institucional religioso que tende para a estagnação e formalização ou, para um domínio, cada vez maior, da letra da lei.
Tais hierofanias radicam em pressupostos vários (tanto estruturais como conjunturais) que na conexão socio-cultural imbricam necessariamente. Os tempos são normalmente de crise social, moral ou política. Os videntes são frequentemente pessoas simples, de formação cultural baixa, emotivos e impressionáveis, levando muitas vezes uma existência dura e boçal, quantas vezes sofrida, sem perspectivas de melhoria.
Para eles o mundo é, ainda, palco de uma luta entre o bem e o mal. Luta perpétua, em que o mal confere, de alguma forma, sentido ao bem, não obstante, dever ser periodicamente vencido (ou, pelo menos, contido) em sucessivos confrontos que antecipam o confronto final e, onde, cada um, é suposto ter um papel a desempenhar.
A aparição proporciona-lhes uma importante ruptura com o quotidiano. Uma importância que os resgata à banalidade prosaica da sua existência e confere, de alguma forma, uma razão de ser, ao seu sofrimento. Fátima, naturalmente, não foge à regra.
20 novembro 2009
17 novembro 2009
Calendário - 2010
É um calendário que contém ilustrações de Madalena Matoso.
15 novembro 2009
Ontem foi assim...
13 novembro 2009
Cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
11 novembro 2009
Dinossáurio carnívoro passou por Ourém
10 novembro 2009
Ode
Understand the things I say,
don't turn away from me,
'Cause I've spent half my life out there,
you wouldn't disagree.
Do you see me? Do you see?
Do you like me? Do you like me standing there?
Do you notice? Do you know?
Do you see me? Do you see me?
Does anyone care?
Unhappiness where's when I was young,
And we didn't give a damn,
'Cause we were raised,
To see life as fun and take it if we can.
My mother, my mother,
She hold me, she hold me, when I was out there.
My father, my father,
He liked me, oh, he liked me.
Does anyone care?
Understand what I've become, it wasn't my design.
And people ev'rywhere think, something better than I am.
But I miss you, I miss, 'cause I liked it,
'Cause I liked it, when I was out there.
Do you know this?
Do you know you did not find me. You did not find.
Does anyone care?
Unhappiness where's when I was young,
And we didn't give a damn,
'Cause we were raised,
To see life as fun and take it if we can.
My mother, my mother,
She hold me, she hold me, when I was out there.
My father, my father,
He liked me, oh, he liked me.
Does anyone care?
09 novembro 2009
nunca é demais falar das árvores felizes
falar dos braços que
percorrem corpos.
Das amêndoas em
flor. Das árvores
felizes. Nunca é
demais repetir a
beleza esfuziante.
E que fazer perante
o corpo que envelhece,
o sonho que se trai,
o perdão que não
houve; como
entender o outro
lado da fronteira
onde o medo e a
morte espreitam?
Cecília Barreira
in 7&10,
Europress, 2003, pg. 15
30 outubro 2009
novo horizonte
28 outubro 2009
26 outubro 2009
“Amigo” (recordam-se, vocês aí,
in “No Reino da Dinamarca”
21 outubro 2009
Pretérito (im)perfeito
Hugo Von Hofmannsthal.
Livro dos amigos. Assírio & Alvim, 2002, pg.69
20 outubro 2009
19 outubro 2009
16 outubro 2009
Proposta mais do que decente
Richard Zimler estará amanhã na Livraria Arquivo, em Leiria, a partir das 17h00.
Quem me quer acompanhar até lá?
Na última década publicou sete romances, uma colectânea de contos e um livro para crianças, “Dança Quando Chegares ao Fim - Bons conselhos de amigos animais”, com ilustrações de Bernardo Carvalho (Ed. Caminho/2009).
Acerca do livro “Os anagramas de Varsóvia” (sinopse oficial):
“Um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade.
No Outono de 1940, os nazis encerraram quatrocentos mil judeus numa pequena área da capital da Polónia, criando uma ilha urbana cortada do mundo exterior. Erik Cohen, um velho psiquiatra, é forçado a mudar-se para um minúsculo apartamento com a sobrinha e o seu adorado sobrinho-neto de nove anos, Adam.
Num dia de frio cortante, Adam desaparece. Na manhã seguinte, o seu corpo é descoberto na vedação de arame farpado que rodeia o gueto. Uma das pernas do rapaz foi cortada e um pequeno pedaço de cordel deixado na sua boca. Por que razão terá o cadáver sido profanado? Erik luta contra a sua raiva avassaladora e o seu desespero jurando descobrir o assassino do sobrinho para vingar a sua morte. Um amigo de infância, Izzy, cuja coragem e sentido de humor impedem Erik de perder a confiança, junta-se-lhe nessa busca perigosa e desesperada.
Em breve outro cadáver aparece - desta vez o de uma rapariga, a quem foi cortada uma das mãos. As provas começam a apontar para um traidor judeu que atrai crianças para a morte. Neste thriller histórico profundamente comovente e sombrio, Erik e Izzy levam o leitor até aos recantos mais proibidos de Varsóvia e aos mais heróicos recantos do coração humano.”
13 outubro 2009
rapaz solteiro procura rapariga interessada
fazem tudo de propósito. é um
modo de dizer que o propósito das
raparigas são os rapazes, e que não
pensam em mais nada. a norma
vai zangar-se quando ler este poema,
seguramente sentirá que sou
machista e que menorizei a nossa
conversa. as raparigas, segundo o que
observei, são diferentes da minha
amiga, não afirmam muitas coisas,
esperam para ver e avançam em
desespero. as raparigas, tenho a certeza,
teriam muito que aprender com a
norma, assim se mantivessem mais
decididas e estáveis em cada momento
eu queria encontrar uma rapariga como a
norma que, sem dúvidas, me suportasse num
casamento eterno e me fizesse pensar tudo
ao contrário do que penso agora
valter hugo mãe
in folclore íntimo,
Cosmorama, 2008, pg. 76
12 outubro 2009
Funeral de Edgar Allan Poe 160 anos depois da sua morte
11 outubro 2009
08 outubro 2009
Herta Müller vence Prémio Nobel da Literatura
Boneca de pano-encantado V
de um vestido de pano
numa boneca de pano-encantado,
feito de trapos,
remendado,
com emendas sucessivas,
impostas pela sucessão dos dias.
Revolvem-se as cores
que se foram gastando com o tempo,
como o foram o brilho do seu sorriso fingido,
a beleza do seu velho vestido
e as suas mãos, que se tornaram frias.
Dir-se-ia tratar-se de uma boneca condenada
com a raiva de viver em sorrisos ocultada.
Dir-se-ia ser uma imagem da apatia
de uma boneca de vida vazia.
E tudo o que se diga não vai chegar
porque se está a falar
de uma boneca que queria revestir-se
não de pano mas de mar.
São os sonhos que a mantêm
numa prateleira à espera
de dias compridos
em que o Sol a deixe falar com os deuses
que seus mitos possam cristalizar.
São os sonhos que lhe revolvem os folhos
debotados pelo tic-tac contínuo
do livro onde sem querer
esta boneca de encantado-pano acabou por entrar.
São os sonhos
que admitem remendos no vestido,
no seu corpo,
no seu corpo desde sempre remendado.
São os sonhos
e a imagem de um mundo
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, Ed. Som da Tinta, 2004
06 outubro 2009
26 setembro 2009
16 setembro 2009
Roberto Bolaño e o seu 2666
15 setembro 2009
Emigração
Neste “quarto” já se sente curiosidade em ver como tratará o autor um tema que tanto diz aos portugueses, em geral e às colaboradoras deste espaço, em particular.
Até lá ficamos com um poema do autor.
QUARTO
Os posters, colados com fita-cola,
arderam nas paredes. Os ursos de
peluche fecharam os braços e, por
quase nada, arderam sobre a cama.
Os cartões de estudante antigos, os
postais de férias e os três poemas
passados a limpo arderam dentro
da gaveta da mesinha-de-cabeceira.
Fiz dezasseis anos, chegou o verão e
os bombeiros não tiveram meios
técnicos e humanos suficientes.
José Luís Peixoto
in Gaveta de Papéis,
Prémio Daniel Faria 2008, Edições Quasi, 2008
14 setembro 2009
Boneca de pano-encantado IV
Teus trajes são sonhos,
tua fantasia é nada.
Da tua quimera
perdida e desencantada
não podes exigir nada mais do que horror.
De que esperas?
Crescer não poderá ser solução.
Estagnada à beira do pontão
que deixa a tua ilha e entra no mar,
brinca.
Deixa cair teu corpo,
entra no atraente brilho molhado,
não lutes contra as ondas,
despede-te de teu navio ancorado
e todos pensarão
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg.25
12 setembro 2009
Boneca de pano-encantado III
veio uma boneca-de-pano-encantado,
que as nuvens sempre quis habitar
e nunca outro lado.
Que viagens de perdição acolheu
nestes dias em que no seu reino não choveu.
A vertigem da subida ao céu
ofereceu-lhe a loucura.
Vertigem de sentir demais,
vertigem de sentir ser a mais a dor que a consome.
Regresso às nuvens.
Boneca que de fantasia tem fome
das nuvens fez sua casa.
Boneca sem vida,
viver nas nuvens pode ser bom
mas o Sol que aquece,
In Jogo de Espelhos,
2004, Ed. Som da Tinta, pg. 23
11 setembro 2009
05 setembro 2009
Boneca de pano-encantado II
que vivia perdida em labirintos de simulações,
acordou diferente uma manhã
desconhecendo as razões.
Suas pernas de trapo desapareceram,
substituiu-as uma cauda sedosa.
Um cabelo forte e rebelde,
suas tranças cor-de-rosa.
Seus olhos fixos, de boneca encantada,
por olhos vivos, como os de quem não quer perder nada.
Suas mãos sem dedos e de algodão
por dez dedos que anseiam tocar marés.
As penas, que habitavam seu coração
por mil desejos, de ter o mundo a seus pés.
Dezenas de bonecos companheiros
por um golfinho só para encantar.
O pó de suas prateleiras
pelo encanto do seu infinito mar.
A escuridão das ausentes estrelas
por uma pura luz... Pelo luar.
Uma simples boneca de encantados trapos,
a quem quedavam sonhos, planos e vida
acolheu a essência de cada dia,
para nunca ter uma jornada perdida.
Substituiu castelos
por mar, Sol e areia.
Não, já não é uma boneca.
Não, hoje acordou sereia.
In Jogo de Espelhos, 2004,
27 agosto 2009
Boneca de pano-encantado - I
Sorri, boneca de pano-encantado!
Mostra que, apesar de não a teres sonhado,
acolhes a realidade que hoje vives.
Sorri, pois estão a olhar para ti.
Ninguém se importa se quer chorar quem ri
sonhando um longínquo paraíso acordado.
Olha a multidão que não te olha,
vê como estás só neste sufoco de gente.
Vê como no fundo és tão diferente.
Luta, boneca, luta,
por aquilo que querem que vás lutar,
por aquilo que nunca ambicionaste amar.
Luta, por alguém que há-de vir
por alguém que vai ter de sorrir
mesmo que, no fundo, queira chorar.
Serão teus filhos?
Saberão eles quais são os perigos
de não se sorrir, quando se não quer?
Saberão eles que, se forem “mulher”
o mundo pouco terá para lhes oferecer,
apenas imposições, dores e castigos?
Sorri, boneca de pano-encantado!
Acaba de escrever, põe o pensamento de lado
e a tua cara decora com sorrisos.
Podes escrever... pouco... mas podes.
Não podes é ambicionar ou querer
que depois alguém dê valor ao que vai ler.
És mulher: o que podes fazer é ensinar.
Ensinar a ler, ensinar a amar,
ensinar a ver a luz que te consome.
Consomes, tu, a luz de um doce olhar,
consomes o gosto de um salgado mar
e mesmo sem os teres, deves sorrir.
Sorri boneca de pano-encantado!
Encara o futuro,
liberta-te do passado.
lembra-te que ainda pode haver
um porto seguro
e recatado,
que acolha o teu sorrir,
o teu viver.
Lembra-te de que “a esperança
é a última a morrer”.
In Jogo de Espelhos, 2004,
21 agosto 2009
17 agosto 2009
passado
Maria do Rosário Pedreira
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67
14 agosto 2009
13 agosto 2009
Há temas para crianças?
Andreia Brites
No blog o bicho dos livros
12 agosto 2009
futuro
valter hugo mãe
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67
06 agosto 2009
04 agosto 2009
Foto procura legenda
Às vezes a janela que se devia abrir quando se fecha uma porta tem de ser partida por nós.
Como se lhes invejasse a corrente,
O incansável correr,
Por um leito perfeito.
Essa força que vence barreiras,
Esse constante anseio pelo MAR!
Sinto-me atraída pelo seu brilho,
Como se lhes invejasse a cor,
A altiva transparência,
Por trás de um verde...
Esse verde cor-de-sonho,
Essa vontade de ser, um dia, AZUL!
Sinto...
Que bom é sentir,
Uma vez mais,
Uma vez mais,
Uma vez mais.
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004, Ed. Som da Tinta
Livros irresistíveis para os mais novos (e não só)
02 agosto 2009
conteúdos éticos sem traço de demagogia
José Saramago, Julho 7, 2009
http://caderno.josesaramago.org/
27 julho 2009
22 julho 2009
Estado de espírito
Pepetela
in O planalto e a estepe. Ed. Dom Quixote, 2009, pg. 97
Profissões
Pepetela
in O planalto e a estepe.Ed. Dom Quixote, 2009, pg.85
13 julho 2009
sobrepor camadas de cal fresca ou de verniz no aparente
Não é com post-scripta e duplas rubricas
Que um código se muda.
Nada se rectifica
Ao sobrepor camadas de cal fresca ou de verniz no aparente.
O fingir-dar sem se dar realmente
Não tira a quem tem fome.
A fome de ternura, de liberdade, de ar
Fome de sol, de pão, de cheiro a mar
Fome de ter amor
Fome de amar.
A fome dos que têm mesmo fome, disto, daquilo, seja do que for.
Mas se é longa a espera
Longo o tempo
Fatigam-se as esperanças
E a fome longamente acumulada faz arrancar do sonho a mais funda raiz.”
Maria Eugénio Cunhal.
As mãos e o gesto. Ed. Escritor, Lisboa, 2000. pg.61/62.
11 julho 2009
Desejo
dormir e trazia doutros lugares
um sol de trigo na pupila;
às vezes a luz demora-se
em mãos fatigadas; não sei em qual
de nós explodiu uma súbita
juventude, ou cantava:
era mais fresco o ar.
Quem canta no verão espera ver o mar.”
Eugénio de Andrade.
Poesia. Ed. Fundação Eug. de Andrade, 2000. pg. 338
10 julho 2009
Canção do caminho
sem rumo,
sem nenhum itinerário.
O destino de quem ama
é vário,
como o trajecto do fumo.
Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço! (…)
Cecília Meireles
in O instante existe,
Ed. Arte Plural, pg. 60
07 julho 2009
24 junho 2009
Scenic world
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade.
When i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking.
Beirut
16 junho 2009
11 junho 2009
Uma imagem
O vento varre a poeira dos olhos.
Abrem-se e vêem que teu mundo não era paraíso.
Perdeu-se.
Não o voltarás a encontrar.
O paraíso não existe.
Só existe e realidade que te adormece para o mundo.
Se continuares a ignorar esta imagem
Deixarás parar tuas mãos no fundo
Acreditando que nada é preciso mudar.
Uma imagem:
O Sol levanta-se num horizonte de mar
Que vai encantar teus dias azuis
Por ti conquistados.
Não os vais querer perder.
O paraíso não existe.
Mas existe realidade melhor do que ele.
Conquista-a e vive por ela.
Deixarás teus olhos, tua alma voar
Sobre essa realidade que decidiste conquistar.
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg. 49
01 junho 2009
O incrível rapaz que comia livros
A letra pequena online tem convidado autores, ilustradores, editores ou tradutores de livros ilustrados para darem voz à história que é contada no livro que assinam. Às vozes junta uma banda sonora e a sequência de imagens da narrativa. O resultado pode ser escutado/visto na galeria de Livros para Escutar (na coluna à direita da letra pequena online).
Hoje Rita Pimenta propõe a audição do livro “O incrível rapaz que comia livros” de Oliver Jeffers, com tradução de Rui Lopes e edição da Orfeu Negro.
Façam o favor de dar um saltinho pequenino até lá. Deliciem-se!
30 maio 2009
VIII Festival de Cereja de Resende
Nesse mesmo dia poder-se-á assistir aos espectáculos do “Mar de Pedra” (um grupo com quem os “Romeiros” estiveram o ano passado, em Vila Real), dos “Arrefole”, d’“Uxukalhos” (que actuarão em Junho em Ourém, nas Festas da Cidade e do Concelho) e dos “Flor de Lis” (que venceram o Festival da Canção RTP este ano).
Para além de toda a animação que o Municio de Resende promete aos seus visitantes e habitantes, estarão à venda as apetecíveis CEREJAS de Resende!
27 maio 2009
O Túmulo de Edgar Poe
Tal que em si-mesmo enfim a Eternidade o apura
O Poeta suscita com seu gládio erguido
Seu século aterrado de não ter ouvido
Que a morte triunfava nessa voz obscura!
Eles, em sobressalto como de hidra impura
Audindo o anjo aos da tribo termos dar sentido
Puro mais, logo aclamam sortilégio haurido
Nas desonradas águas de uma atra mistura.
Opostos solo e nuvens, ó suprema dor!
Se a nossa ideia com não cria de escultor
De que a tumba de Poe se orne resplandecente,
Calmo tombado bloco de um desastre escuro,
Que este granito ao menos mostre o seu batente
Ao negro voo blasfemo esparso no futuro.
Sthéphane Mallarmé
Tradução de Jorge de Sena.
21 maio 2009
17 maio 2009
Danger
Notice to an absent-minded reader:
poetry is a soft way
of bewildering.
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos,
15 maio 2009
12 maio 2009
Todas as ruas do amor
Gosto da simplicidade da melodia, gosto do poema, gosto da voz.
Parece que o resto da Europa também gostou.
10 maio 2009
08 maio 2009
A voz de Ana Hatherly
Lembro-me das suas aulas, do seu sorriso e sobretudo, do seu olhar transparente e fascinante.
Deixo aqui um dos seus poemas.
Um rio de luzes
07 maio 2009
Festambo em Maio
- Escola da Dança da Academia de Música Banda de Ourém;
- Escola de Dança do Conservatório de Artes do Orfeão de Leiria.
- Coral Infantil/Juvenil de Ourém;
- Coral “As Sementinhas” de Monte Abraão;
- Coral Infantil de Caldas da Rainha.
- Romeiros (Ourém);
- A Barca dos Castiços (Coimbra);
- Pinhal d’el Rei (Leiria).
04 maio 2009
Pepetela
Leiria, 28 de Abril de 2009
Questionado sobre o que pensava sobre o sentimento (tornado público) de alguns escritores, sobre quão difícil e até doloroso é o acto de escrita (na altura ouviram-se os nomes Lobo Antunes e Saramago por parte da plateia) Pepetela declarou que é coisa que não sente.
Segundo as suas palavras, escrever é um prazer. Quando as palavras certas não aparecem e está perante um impasse faz outra coisa qualquer. Ir à praia foi só um exemplo. O que o escritor quis salientar é que não fica a “sofrer” diante de um papel em branco. A ideia pareceu-me genial, de tão sincera e despretensiosa que é.
Digo-vos que é impossível estar em contacto com alguém como o escritor Pepetela e ficar indiferente (e até não sair de perto dele já diferente). Há nele uma simplicidade universal e uma simpatia que cativa, sem ser completamente evidente.
Que sorte ele ter estado aqui tão perto (de novo).