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03 fevereiro 2009

Os amigos

Fotografia de Luís Pinto
Os amigos

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles
e são sempre adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos
no seu exagero de temporalidade pura.

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos explica
por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis.

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.

José Tolentino Mendonça
in De Igual Para Igual, Assírio & Alvim, 2001.