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09 julho 2012

gaivota



Se uma gaivota viesse

trazer-me o céu de Lisboa

no desenho que fizesse,

nesse céu onde o olhar

é uma asa que não voa,

esmorece e cai no mar.



Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.



Se um português marinheiro,

dos sete mares andarilho,

fosse quem sabe o primeiro

a contar-me o que inventasse,

se um olhar de novo brilho

no meu olhar se enlaçasse.



Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.



Se ao dizer adeus à vida

as aves todas do céu,

me dessem na despedida

o teu olhar derradeiro,

esse olhar que era só teu,

amor que foste o primeiro.



Que perfeito coração

no meu peito morreria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde perfeito

bateu o meu coração.



Alexandre O´Neill

26 outubro 2009



Mal nos conhecemos
inaugurámos a palavra “amigo!”.
“Amigo” é um sorriso de boca em boca,
um olhar bem limpo,
uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
um coração pronto a pulsar
na nossa mão!

“Amigo” (recordam-se, vocês aí,
escrupulosos detritos?)
“Amigo” é o contrário de inimigo!
“Amigo” é o erro corrigido,
não o erro perseguido, explorado,
é a verdade partilhada, praticada.
“Amigo” é a solidão derrotada!
“Amigo” é uma grande tarefa,
um trabalho sem fim, um espaço útil,
um tempo fértil,
“Amigo” vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill,
in “No Reino da Dinamarca”

14 fevereiro 2008

Poema de quase-amor


Fotografia de Almor Loucao
http://www.reflexosonline.com/almor



REDACÇÃO

Uma senhora pediu-me
um poema de amor.

Não de amor por ela,
mas “de amor, de amor”.

À parte aquelas trivialidades
“minha rosa,
lua do meu céu interior”
que podia eu dizer
para ela, a não destinatária,
que não fosse por ela?

Sem objecto, o poema
é uma redacção
dos 100 modelos
de Cartas de Amor.

Alexandre O’Neill (1924-1968)

in Poesia Completa