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21 março 2012

No dia mundial da poesia



O sono retirou-se do meu
corpo e as cigarras
atormentam as minhas noites.
Depois de teres
partido, os lençóis da cama
são como limos frios
que se agarram à pele.
Porém, se me levanto,
não faço mais do que arrastar
a solidão pela casa;

talvez procure ainda um
gesto teu nos braços
do silêncio, como um pombo
cego a debicar
as sombras na única praça
deserta da cidade -

o amor nunca aprendeu a ler
nas linhas da mão.

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA,
in O CANTO DO VENTO DOS CIPRESTES (Gótica, 2001)


Foto de José M G Pereira

17 agosto 2009

passado

“Mas a verdade é que ainda hoje acredito que as coisas podiam ter sido diferentes se eu não me tivesse precipitado nos gestos ou na revelação. Que decerto o erro foi meu e é por ele, afinal, que estou a pagar.”

Maria do Rosário Pedreira
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67