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29 março 2011
08 dezembro 2010
arte poética
"Na minha opinião, um poema opõe-se a uma obra de ciência por ter como seu objectivo imediato o prazer e não a verdade; opõe-se ao romance, por ter por seu objecto um prazer indefinido em vez de definido, sendo poema apenas e quando esse objectivo é alcançado."
Edgar Allan Poe
"Poética"
Lisboa, Ed. Fundação Calouste Gunbenkian, 2004, pg.26
12 outubro 2009
Funeral de Edgar Allan Poe 160 anos depois da sua morte
Passados 160 anos da sua morte, a cidade de Baltimor decidiu dar a Allan Poe um funeral digno do nome do autor. 27 maio 2009
O Túmulo de Edgar Poe
O Túmulo de Edgar Poe
Tal que em si-mesmo enfim a Eternidade o apura
O Poeta suscita com seu gládio erguido
Seu século aterrado de não ter ouvido
Que a morte triunfava nessa voz obscura!
Eles, em sobressalto como de hidra impura
Audindo o anjo aos da tribo termos dar sentido
Puro mais, logo aclamam sortilégio haurido
Nas desonradas águas de uma atra mistura.
Opostos solo e nuvens, ó suprema dor!
Se a nossa ideia com não cria de escultor
De que a tumba de Poe se orne resplandecente,
Calmo tombado bloco de um desastre escuro,
Que este granito ao menos mostre o seu batente
Ao negro voo blasfemo esparso no futuro.
Sthéphane Mallarmé
Tradução de Jorge de Sena.
Tal que em si-mesmo enfim a Eternidade o apura
O Poeta suscita com seu gládio erguido
Seu século aterrado de não ter ouvido
Que a morte triunfava nessa voz obscura!
Eles, em sobressalto como de hidra impura
Audindo o anjo aos da tribo termos dar sentido
Puro mais, logo aclamam sortilégio haurido
Nas desonradas águas de uma atra mistura.
Opostos solo e nuvens, ó suprema dor!
Se a nossa ideia com não cria de escultor
De que a tumba de Poe se orne resplandecente,
Calmo tombado bloco de um desastre escuro,
Que este granito ao menos mostre o seu batente
Ao negro voo blasfemo esparso no futuro.
Sthéphane Mallarmé
Tradução de Jorge de Sena.
24 março 2009
Só
Finalmente encontrei uma tradução que me agrada do poema de que mais gosto do Edgar Allan Poe.
Tinha de a partilhar convosco. É uma tradução de Henrique Fialho (que a semana passada encerrou o seu blog) e com ela termino, eu, este ciclo dedicado a Allan Poe. Pelo menos por agora.
Um grande abraço a todos os companheiros desta pequena aventura (um ainda mais forte para a EBernardes, por... tudo).
Foto de Helena Margarida Pires de SousaSó
Desde a hora da infância eu não fui
Como outros foram - eu não vi
Como outros viram – não pude tomar
Minhas paixões duma primavera vulgar.
Da mesma nascente eu não traguei
A minha tristeza; eu não despertei
Para o júbilo comum o meu coração;
E tudo o que amei, eu amei em solidão.
Nesse tempo da infância – na madrugada
Da vida mais tormentosa – foi traçada
Das profundezas do bem e do mal
O mistério que me mantém sem igual:
Da torrente ou da fonte,
Do rubro penhasco do alto monte,
Do sol que gira em meu torno
Num matiz dourado de Outono –
Do relâmpago no céu
Que tão perto de mim se deu –
Da tempestade e do trovão,
E da nuvem que adquiriu a feição
(Quando azul era o resto dos Céus)
De um demónio aos olhos meus.
Edgar Allan Poe
De um demónio aos olhos meus.
Edgar Allan Poe
(Tradução de Henrique Manuel Bento Fialho)
21 março 2009
20 março 2009
Sensações de Baltimore
(incompleta)
“Cidade triste entre as tristes,(incompleta)
Oh Baltimore!
Mal eu diria que na terra existes
Cidade dos Poetas e dos Tristes,
Com teus sinos clamando “Never-more”.
Os comboios relâmpago voando,
Pela cidade de Baltimore,
Levam uns sinos que de quando em quando
Ferem os ares, o coração magoando
E os sinos clamam “Never-more, never-more”. (…)”
Baltimore, 1897
NOBRE, António. Despedidas: 1895-1899.
Pref. José Pereira de Sampaio.Porto, s/ed., 1902.
a edgar allan poe
“Meu relógio soando de pés nus a quinta hora da noite italiana
minha cabeça de anéis dolorosos como jacintos pretos recém-colhidos
minha criança grande escorregando pelos braços da mãe quando mil candelabros dardejando nas escadas dos palácios anunciavam um corpo delicado e quente
minha caranguejola de diamante entre a vida e a morte a graça e a desgraça a verdade e o erro
meu malfadado e misterioso homem
figura descida figura embrulhada figura muitos pés acima de si mesma e no entanto figura de claridade
figura de homem deitado com uma estrela na boca escorrendo água. (…)”
CESARINY, Mário. Pena Capital.
10 março 2009
01 março 2009
Alone

Fotografia Alba Luna
From childhood's hour I have not been
as others were; I have not seen
as others saw; I could not bring
my passions from a common spring.
as others were; I have not seen
as others saw; I could not bring
my passions from a common spring.
From the same source I have not taken
my sorrow; I could not awaken
my heart to joy at the same tone;
and all I loved, I loved alone.
Then- in my childhood, in the dawn
of a most stormy life- was drawn
from every depth of good and ill
the mystery which binds me still:
from the torrent, or the fountain,
from the red cliff of the mountain,
from the sun that round me rolled
in its autumn tint of gold,
from the lightning in the sky
as it passed me flying by,
from the thunder and the storm,
and the cloud that took the form
(when the rest of Heaven was blue)
of a demon in my view.
Edgar Allan Poe
19 fevereiro 2009
18 fevereiro 2009
O corvo - Edgar Allan Poe
Fotografia de Carla Pinto
O CORVO
(Publicado pela primeira vez em 1845)
(Publicado pela primeira vez em 1845)
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais
e já quase adormecia, ouvi o que parecia
o som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
e o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
p'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita
e a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais
e o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
à ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
no veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
o esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
o nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demónio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
a este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
a esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
no alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demónio que sonha
e a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais
e a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
libertar-se-á... nunca mais!
Edgar Allan Poe
(Traduzido por Fernando Pessoa)
POE. Edgar Allan. O Corvo.
Ed. Relódio d'Água, 2009, pg. 17 a 32
Para comparar com a tradução de Machado de Assis entrai aqui.
Para ler a versão original ide por aqui.

Fotografia de Benjamim Vieira
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