A nona elegia
PORQUÊ, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana – e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...
Oh! Não porque há a felicidade,
proveito antecipado de uma perda próxima.
Não por curiosidade, ou para exercitar o coração,
que também haveria no loureiro…”
(…)
Rainer Maria Rilke
(1875-1926)
In “As elegias de Duíno”
Ed. Assírio & Alvim, 1993, pg. 83
27 agosto 2012
20 agosto 2012
18 julho 2012
11 julho 2012
09 julho 2012
gaivota
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O´Neill
26 junho 2012
15 junho 2012
07 junho 2012
02 junho 2012
28 maio 2012
24 maio 2012
banda sonora de viagem #23
In the
mornings,
I was
anxious
Was better
just to stay in bed
Didn't
wanna fail myself again
Running
through all the options
And the
endings
Were
rolling out in front of me
But I
couldn't choose a thread to begin
And I could
not, love
Cos I could
not love myself
Never good
enough no
That was
all I'd tell myself
And I was
not well
But I could
not help myself
I was
giving up on living
In the
morning
You were
leaving
Traveling
south again
And you
said you were not unprepared
And all the
dead ends
Disappointments
Fading from
your memory
Ready for
that lonely life to end
And you
gave me love
When I
could not love myself
And you
made me turn
From the
way I saw myself
And your
patient love
And you
helped me help myself
And you saved me
22 maio 2012
No Dia do Autor Português
«Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja no que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador...
A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.»
Ilustração de
Isabel Hojas (Santiago, 1977- )
http://tierradehojas.cl/
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja no que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador...
A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.»
O Brincador,
Texto de Álvaro MagalhãesIlustração de
Isabel Hojas (Santiago, 1977- )
http://tierradehojas.cl/
16 maio 2012
04 maio 2012
Às vezes, esperar vale a pena
Às vezes esperar vale a pena. parece-me ser o caso deste filme e respetiva banda sonora:
27 abril 2012
11 abril 2012
O bicho da democracia
09 abril 2012
29 março 2012
26 março 2012
21 março 2012
No dia mundial da poesia

O sono retirou-se do meu
corpo e as cigarras
atormentam as minhas noites.
Depois de teres
partido, os lençóis da cama
são como limos frios
que se agarram à pele.
Porém, se me levanto,
não faço mais do que arrastar
a solidão pela casa;
talvez procure ainda um
gesto teu nos braços
do silêncio, como um pombo
cego a debicar
as sombras na única praça
deserta da cidade -
o amor nunca aprendeu a ler
nas linhas da mão.
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA,
in O CANTO DO VENTO DOS CIPRESTES (Gótica, 2001)
Foto de José M G Pereira
20 março 2012
19 março 2012
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