30 maio 2011

curiosos à vista...



Convido-vos a visitar um sítio especial. É o blog dos alunos da EB1/JI de Abrunheira - Sintra, do 4º ano, turma F.
Este blog tem o objectivo de divulgar as actividades que a turma desenvolve na sala de aula. Partilharam em Março e Abril os trabalhos que realizaram à volta do livro “O Bicho-de-sete-cabeças – História de uma eleição democrática”, trabalhos esses que transformaram em livro de turma.
Fiquei surpreendida com muitos dos comentários que iam sendo feitos à volta da história e com a qualidade da abordagem ao livro realizada.
Estão tão curiosos como eu estava? Então sigam por aqui, que estes curiosos estão à vista.

25 maio 2011

despalavrear

inscrição

inchaço do coração
facilita o despalavrear.
a liberdade pode advir
de uma veia.
com sangue também
se reescreve a vida.
o suicidado foi um apressado
para desconhecimentos.
a morte
ela é que espera por nós.
na vida pedincho
reindagação de cheirares:
em continuado aquestionamento.
a despalavreação
pode acrescer de uma vida.

Ondjaki
“Há prendisajens com o xão”
Ed. Caminho, 2002, pg.20


Nota do autor em “Outros convidados ou descoisas (de z a a)”, na pg. 63 do mesmo livro:
“inchaço do coração: basta uma lágrima para infectá-lo assim”.

banda sonora de viagem 11#


"Leave the pity and the blame
For the ones who do not speak
You write the words to get respect and compassion
And for posterity
You write the words and make believe
There is truth in the space between."

30 abril 2011

... and everybody goes “Awww"

“The only people for me are the mad ones,
the ones who are mad to live,
mad to talk,
mad to be saved,
desirous of everything at the same time,
the ones who never yawn or say a commonplace thing,
but burn,
burn,
burn,
like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars
and in the middle you see the blue centerlight pop
and everybody goes “Awww!”

Jack Kerouac

28 abril 2011

Abat-jour



Fotografia de Stanislav Istratov

Abat-jour

A lâmpada acesa
(outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.

No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.

E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.

Bem sei… era dia
E longe de aqui…
Quanto me sorria
O que nunca vi!

E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar…

Fernando Pessoa (28-2-1929)
In “Poesia 1918-1930”,
Ed Assírio & Alvim, 2005, pg. 319

14 abril 2011

ses

ses "a intimidação pelos deuses, eles vêm aí e põem-te pimenta na língua, dobra-a bem. não obstante, com entusiasmo, tu dizes foda-se motivado pela lingerie que percebes nela, alças brancas, calças justas à tranca, andar e ritmo lânguidos. quase não é necessário imaginar o que seria possível se. e quem sabe se sim, se não." s. d’o. (roubado daqui porque aqui só se rouba o que é bom)

10 abril 2011

sabedoria de fernando

"Toda a alma digna de si própria deseja viver a vida em extremo. Contentar-se com o que lhe dão é próprio dos escravos. Pedir mais é próprio das crianças. Conquistar mais é próprio dos loucos."
Bernardo Soares
Livro do Desassossego

i do

26 março 2011

sabedoria de alice

Fotografia de Fernando Penin Redondo

"Envelhecemos com as palavras
ou elas
connosco."
Alice Vieira
"O que dói às aves",
Ed. Caminho, pg. 31

10 março 2011

"cegos são pessoas que não vêem"

fotografia de Jason Lavengood

“O céu devia estar cheio de rezas e choros, porque nessa tarde condensou a água de repente e choveu tudo de uma vez. Fez-se escuro como a pele dum rato e, minutos depois, largou o peso na terra.”
Rui Cardoso Martins
“Deixem passar o homem invisível”
Ed. Dom Quixote, 2009


Haverá melhor forma de começar um romance?