30 dezembro 2010

tudo para a rua e é já


Anda, desliga o cabo,
que liga a vida, a esse jogo,
joga comigo, um jogo novo,
com duas vidas, um contra o outro.

Já não basta,
esta luta contra o tempo,
este tempo que perdemos,
a tentar vencer alguém.

Ao fim ao cabo,
o que é dado como um ganho,
vai-se a ver desperdiçamos,
sem nada dar a ninguém.

Anda, faz uma pausa,
encosta o carro,
sai da corrida,
larga essa guerra,
que a tua meta,
está deste lado,
da tua vida.

Muda de nível,
sai do estado invisível,
põe o modo compatível,
com a minha condição,
que a tua vida,
é real e repetida,
dá-te mais que o impossível,
se me deres a tua mão.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

Anda, mostra o que vales,
tu nesse jogo,
vales tão pouco,
troca de vício,
por outro novo,
que o desafio,
é corpo a corpo.

Escolhe a arma,
a estratégia que não falhe,
o lado forte da batalha,
põe no máximo o poder.

Dou-te a vantagem, tu com tudo, eu sem nada,
que mesmo assim, desarmada, vou-te ensinar a perder.

Sai de casa e vem comigo para a rua,
vem, q'essa vida que tens,
por mais vidas que tu ganhes,
é a tua que,
mais perde se não vens.

28 dezembro 2010

sem especificar lá muito bem...



Quando eu nascer vou ser do bem
Quando eu quiser vou ser alguém
Vou me libertar largando o chão
Para poder subir ao meu verão
Então, meu bem, vou ser alguém

Quando eu nascer vais ver, meu bem
Quem me encontrar vai querer sorrir
Quem me descobrir vai querer ficar
Vou fazer feliz o mundo vão
Então, meu bem, vou ser alguém

Meu sopro aquece a água fria
Meu nome para abraçar o dia

27 dezembro 2010

absolute irony

Vês que estás velho quando o que há de mais rebelde em ti são os primeiros cabelos brancos.

24 dezembro 2010

Natal chique

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na minha pressa e pouco amor.

Hoje é Natal; Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado…
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio
In “Primeiro livro de poesia”
2.ª ed, Ed. Caminho, 1993, pg.79

15 dezembro 2010

Carlos Pinto Coelho

1944-2010



a arte do desvio 1#

ou
todos os dias passo tão perto…


Há, na viagem que tenho feito, umas curvas especiais.
Apercebi-me disso há uns dias quando, pela terceira vez, ouvi a mesma música ao passar por elas e pensei na minha morte.
Ontem, para me certificar de que não me aconteceria o mesmo pela quarta vez, seleccionei a rádio e ouvi outra música; no entanto pensei na mesma que, naquelas curvas, é possível que possa, um dia (uma noite) morrer.
Como quando regresso a casa a essa hora toda a senda me parece igual e raramente me lembro do caminho que fiz, ontem quis identificar melhor onde estão essas curvas especiais:
Estão perto do corte para a terra natal do meu avô João.
Sou mocinha para me deixar tocar por todas estas coincidências. Mas, ultimamente, ando a praticar a arte do desvio.

Discos perdidos # 2

Discos perdidos # 1

oxalá o meu futuro aconteça

Oxalá, me passe a dôr de cabeça, oxalá
Oxalá, o passo não me esmoreça;

Oxalá, o Carnaval aconteça, oxalá,
Oxalá, o povo nunca se esqueça;

Oxalá, eu não ande sem cuidado,
Oxalá eu não passe um mau bocado;
Oxalá, eu não faça tudo à pressa,
Oxalá, meu futuro aconteça

Oxalá, que a vida me corra bem, oxalá
Oxalá, que a tua vida também;

Oxalá, o Carnaval aconteça, oxalá
Oxalá, o povo nunca se esqueça;

Oxalá, o tempo passe, hora a hora,
Oxalá, que ninguém se vá embora,
Oxalá, se aproxime o Carnaval,
Oxalá, tudo corra, menos mal.

(Madredeus)

12 dezembro 2010

oxalá

A arte já sabemos nasce
da imperfeição das coisas
que trazemos para casa
com o pó da rua
quando a tarde finda
e não temos água quente
para lavar a cabeça.
Tentamos regular
com açudes de orações
o curso da tristeza
mudamos de cadeira
e levamos a noite
a dizer oxalá
como se a palavra
praticasse anestesia.

José Miguel Silva
Ulisses já não mora aqui
& etc.

por aqui já é natal


nota mental: não abrir


09 dezembro 2010

os livros e as ilusões 3#

“(…) era uma daquelas raras pessoas em que a mente acaba por vencer sobre a matéria. A idade não diminui essas pessoas. Torna-as velhas, mas não altera as pessoas que elas são e quanto mais tempo vivem, mais radicalmente e implacavelmente se encarnam a si mesmas.”
Paul Auster
O livro das ilusões. 4.ª ed, Lisboa, Ed Asa,
2006, pg. 196
Quisera que me entendesses sem palavras.
Falar-te sem palavras, como se fala à minha gente.
Que a mim me entendesses sem palavras
como eu entendo o mar ou a brisa enlaçada num álamo verde.

Perguntas-me, amigo, e não sei responder-te;
há muito que aprendi fundas razões que não entendes.
Revelá-las quisera, pondo o sol invisível em meus olhos,
a paixão com que a terra doura seus frutos ardentes.

Perguntas-me, amigo, e não sei a resposta que hei-de dar-te.
Sinto arder louca alegria nesta luz que me envolve.
Quisera que a sentisses também a inundar-te a alma,
quisera que a ti, no mais fundo, também te queimasse e te ferisse.
Criatura também de alegria eu quisera que fosses,
criatura que chega por fim a vencer a tristeza e a morte.

Se agora eu te dissesse que havia de andar por cidades perdidas
e chorar em suas ruas escuras por se sentir débil,
e cantar sob uma árvore de estio os teus sonhos sombrios,
e sentir-te feito de ar e nuvem e erva muito verde...

Se agora eu te dissesse
que é tua vida essa rocha em que as ondas se quebram,
a própria flor que vibra e se enche de azul sob o claro nordeste,
aquele homem que vai pelo campo nocturno com uma tocha,
o menino que açoita o mar com a mão inocente...

Se eu te dissesse, meu amigo, estas coisas,
que fogo porias em minha boca, que ferro incandescente,
que odores, cores, sabores, contactos, rumores?
E como saber se me entendes?
Como entrar em tua alma, quebrando o seu gelo?
Como fazer-te sentir a morte vencida para sempre?
Como penetrar em teu inverno, levar o luar à tua noite,
Pôr em tua escura tristeza labaredas celestes?

Sem palavras, amigo; tinha que ser sem palavras
para tu me entenderes.

José Hierro
(1922-2002)
Tradução de José Bento

08 dezembro 2010

banda sonora de viagem 5#

arte poética

"Na minha opinião, um poema opõe-se a uma obra de ciência por ter como seu objectivo imediato o prazer e não a verdade; opõe-se ao romance, por ter por seu objecto um prazer indefinido em vez de definido, sendo poema apenas e quando esse objectivo é alcançado."

Edgar Allan Poe
"Poética"
Lisboa, Ed. Fundação Calouste Gunbenkian, 2004, pg.26

01 dezembro 2010

Banda sonora de viagem 4#

Só mais uma volta
Só mais uma volta a mim
Só mais uma volta desta ninguém vai cair
Só mais uma vez que vês que ninguém está aqui
Queres só mais uma volta desta ninguém vai cair

Tempo frio afasta o tempo que nos afastou
Primavera lança o laço que nos amarrou
Tempo quente dá vontade de não resistir
Vai só mais uma volta desta ninguém vai cair

E ainda te sinto a seguir o rasto que deixo a correr
Ainda penso em ti... pensa em mim, mas só mais uma vez.

Diz-me ao que queres jogar que eu vou querer também
Diz-me quanto queres de mim para te sentires bem
Não te vejo bem ao longe não sei distinguir
Queres só mais uma volta e desta ninguém vai cair

Ainda te sinto a seguir o rasto que deixo a correr
Ainda penso em ti... pensa em mim, mas só mais uma vez.

Diz-me quanto tens de honesto quanto tens de bom
Diz-me quantas provas queres diz-me quanto sou
Já não sinto nada dentro não sei perceber...
Vai só mais uma volta, desta ninguém vai dizer.

Ainda te sinto a seguir o rasto que deixo a correr
Ainda penso em ti... pensa em mim, mas só mais uma vez.

30 novembro 2010

os livros e as ilusões 2#

“O que importa não é a maior ou menor facilidade com que evitamos os problemas, mas sim o modo como lidamos com os problemas sempre que eles surgem”.
Paul Auster, em “O livro das ilusões”, pg. 34

O Bicho-de-sete-cabeças - História de uma eleição democrática


"O Bicho-de-sete-cabeças - História de uma eleição democrática" já chegou às livrarias e está à venda na wook. Siga-nos por aqui.

29 novembro 2010

os livros e as ilusões 1#

Uma das actividades que mais gosto de levar a cabo é voltar aos livros que já li e procurar as frases que sei que neles sublinhei.
Comecei a sublinhar, sem sentimento de culpa, os livros que ia lendo, depois de uma professora da FCSH que muito admiro dizer numa aula que achava que os livros eram para ser vividos. Concordei e senti que a minha opção estava para sempre legitimada. Na verdade, acho muito interessante voltar a eles e ver o que, na altura da leitura integral, mais atraiu a minha atenção.
Este domingo, quando procurava um pequeno e significante objecto, reparei que estava dentro de um dos livros mais sublinhados da minha pequena biblioteca pessoal. Voltei a ler as frases sublinhadas e a entender por que assim estavam.
Se há livros sobre os quais questiono a pertinência do destaque pessoal de determinada frase, neste isso não aconteceu. Pelo menos ainda. Neste contexto, apeteceu-me transcrever para aqui algumas dessas frases.
O livro é de Paul Auster, “O livro das ilusões”, das Edições Asa (4.ª edição, 2006). Não me consigo lembrar em que ano o li e determino aqui e agora que esse pormenor não é importante.

Começo a sequência de algumas das frases sublinhadas com esta:

Para o melhor ou para o pior, parece que os filósofos tinham razão. Nada do que nos acontece se perde.” pg 230

16 novembro 2010

«O bicho-de-sete-cabeças - História de uma eleição democrática» - Uma obra para crianças e não só


"Carmen Zita Ferreira apresentou, no passado domingo, a sua mais recente obra, um conto infantil denominado «O bicho-de-sete-cabeças/ História de uma eleição democrática».
Ilustrada por Sandra Serra e com posfácio de Eduardo Marçal Grilo, o livro conta a história e uma eleições em que o vencedor é um bicho-de-sete-cabeças, onde cada cabeça representa uma qualidade indispensável para quem se propõe exercer um cargo de serviço público. Na hora da coroação surgem os problemas porque é preciso escolher a cabeça a coroar. E qual delas é a mais importante? Após o impasse gerado pela discussão, surge a solução. Mas essa, como dizia a autora no dia do lançamento, será para os leitores descobrirem.
Uma história extremamente bem contada e ilustrada, escrita para crianças mas que não faz mesmo mal nenhum ser lida e absorvida por adultos.
A apresentação decorreu na sede da AMBO, após a audição dos jovens cantores do coral infantil e juvenil da associação dirigidos pelo maestro Paulo Honório.
A vice-presidente da AMBO, Ana André começou por manifestar a sua satisfação pelo facto do lançamento estar a decorrer na AMBO, até porque Carmen Zita é «uma filha da casa» sendo mesmo que «toda a sua família é da casa». Considera importante «que decorram aqui estas iniciativas culturais» e defende que, na era das novas tecnologias é sempre uma «grande satisfação o lançamento de um livro infantil, com uma história muito bem concebida e com excelentes ilustrações».

Em representação da Câmara esteve o vice-presidente e vereador da Cultura que salientou o facto da sala se encontra cheia o que considera ser «algo de sublinhar». E porque «um livro para crianças, lê-se rapidamente por um adulto» José Alho afirma ter feito «esse exercício» o que o faz dizer «que bom seria que os decisores tivessem todas estas cabeças para pôr ao serviço das suas comunidades».
Gracejando, Alho afirma que «está tão simplesmente escrito que até os adultos percebem» e termina a prometer que vai «tentar ser um bicho-de-sete-cabeças na minha quota-parte de responsabilidade».
João Manuel Ribeiro, da editora «trinta por uma linha» começou por felicitar a AMBO e a Câmara por se associarem e apoiarem este lançamento e refere o momento musical a que assistiu para defender a importância da música para as crianças.
Quanto ao livro em questão, garante que a editora o iria publicar de qualquer maneira, mas manifesta a sua satisfação por a Câmara e o Governo Civil se terem associado à sua publicação. Até porque, afirma, «os livros infantis têm características próprias», são lidas não apenas as palavras mas também as imagens. Por isso, garante, «se este livro não fosse bom, não o editávamos», até porque, «só editamos livros que valham a pena».
Carmen Zita estava visivelmente emocionada naquela «casa onde cresci e me desenvolvi como cidadã». Diz que «aqui aprendi a trabalhar para o colectivo e a valorizar o indivíduo e o que cada um pode oferecer, individualmente, ao colectivo».
Agradece à Câmara, Governo Civil e ilustradora, mas também a Marçal Grilo que confessa não conhecer pessoalmente mas que admira e que aceitou fazer o posfácio após ter lido o livro que lhe enviou por mail.
De referir ainda que a Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC) traduziu a obra para Braille, passando desse modo a ficar também disponível para crianças invisuais e para os pais invisuais que desejem ler as histórias aos seus filhos. Esta obra em Braille vai ser oferecida pela autora a cinco bibliotecas do país."
Notícias de Ourém, edição de 12 de Novembro de 2010


13 novembro 2010


A heart that's full up like a landfill
A job that slowly kills you
Bruises that won't heal


You look so tired and
unhappy
Bring down the government
They don't, they don't speak for us
I'll take a quiet life
A handshake of carbon monoxide


No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
Silent silence

This is my final fit, my final bellyache with

No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises please

Such a pretty house and such a pretty garden

No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises please (let me out of here)

05 novembro 2010

Let's just breathe



Yes I understand that every life must end,
As we sit alone, I know someday we must go,
I'm a lucky man to count on both hands
The ones I love...

Some folks just have one
Others they got none,

Stay with me
Let's just breathe

Practiced are my sins
Never gonna let me win,
Under everything, just another human being,
Yea, I don't wanna hurt, there's so much in this world
To make me bleed

Stay with me
You're all I see

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean

I wonder everyday
As I look upon your face,
Everything you gave
And nothing you would take,
Nothing you would take
Everything you gave

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean

Nothing you would take
Everything you gave
Hold me 'till I die
Meet you on the other side.

04 novembro 2010

O bicho, suas sete cabeças e a sua ilustradora


Sandra Serra nasceu em Luanda, em 1968.
É Designer Gráfica e Ilustradora desde 1994, tendo sido várias vezes mencionada como uma das actuais referências da ilustração infanto-juvenil nacional.
Estudou na ARCO, onde terminou o Curso de Design Gráfico. É sócia, desde 2007, da empresa Espiral Inversa.
É imperioso destacar o trabalho da Sandra Serra, uma excelente profissional, talentosa e criteriosa, qualidades essenciais para que o produto final apresente qualidade estética, funcional e lúdica.
Poder trabalhar com a Sandra Serra foi uma das melhores consequências desta minha incursão pela Literatura Infantil.
Aqui estão (apenas) alguns dos livros ilustrados com a sua mestria:

- “A Carochinha e o João Ratão” – Luísa Ducla Soares – Civilização, 2005;
- “D. Inês de Castro” – Ana Oom (adaptação) – Zero a Oito, 2007;
- “Alana a Bailarina das Águas” – Alice Cardoso – Nova Gaia, 2007;
- “Uma Família Inglesa” – Júlio Dinis (adap. Manuel Jorge Marmelo) – Quasi, 2008;
- “Livro com cheiro a caramelo” – Alice Vieira – Texto Editores, 2008;
- “Os Sapatos do Pai Natal” – José Fanha – Gailivro, 2008;
- “Histórias que contei aos meus filhos” – Fernando Nobre – Oficina do Livro, 2008;
- “A revolta das frases” – Maria Almira Soares – Dom Quixote, 2009;
- “Vamos a votos” – José Jorge Letria – Texto Editores, 2009.

18 outubro 2010

12 outubro 2010

galeria sentimental

Galeria sentimental. Ensaiamos a vida inteira para a mesma geometria, not part of the crowd, but not feeling alone, passamos a acordar mais cedo mas continuamos a desejar não estar com e como os outros, preferimos a contemplação à revolução, a reserva ao curral, estamos mais para a liberdade mesmo assim do que para respirar debaixo de água. Às vezes alguém pergunta queres saber qual é o princípio da paz?, ninguém responde e é quem perguntou que responde é deixarem cada qual em paz, com o desassossego próprio. Mas não pode ser, a sociedade não consente. São por isso a insatisfação e a recriminação, a infelicidade partilhada. Segismundo. Albergue dos danados.

do you feel alive?

11 outubro 2010

is there someting wrong?



"And if I told you that I loved you
You'd maybe think there's something wrong
I'm not a man of too many faces
The mask I wear is one
Those who speak know nothing
And find out to their cost
Like those who curse their luck in too many places
And those who fear are lost ".
Sting

08 outubro 2010

Mario Vargas Llosa



Mario Vargas Llosa nasceu em 1936, em Arequipa, no Peru. Professor universitário, académico e político, é uma personalidade intelectual de grande vulto e um dos mais importantes escritores da América Latina e do mundo.
Prémio Nobel da Literatura em 2010, Mário Vargas Llosa sucede a Herta Müller, Jean-Marie Gustave Le Clézio, Doris Lessing, Orhan Pamuk e Harold Pinter, distinguidos com o galardão nos últimos cinco anos.
Destacamos as seguintes obras do autor, que se encontram editadas em Portugal:
“A guerra do fim do mundo” (Bertrand, 1984);
“História de Mayta” (D. Quixote, 1987);
“A cidade e os cães” (Europa-América, 1977/ Dom Quixote, 2002);
“Quem matou Palomino Molero?” (Dom Quixote, 1988);
“Elogio da madrasta” (Dom Quixote, 1989);
“O falador” (Dom Quixote, 1989);
“A tia Júlia e o escrevedor” (Dom Quixote, 1988);
“Pantaleão e as visitadoras” (Europa-América, 1975/ Dom Quixote. 2001);
“Conversa na catedral” (Europa-América, 1972/ Dom Quixote, 1997);
“Como peixe na água: memórias” (Dom Quixote, 1994);
“Lituma nos Andes” (Dom Quixote, 1994);
“A guerra do fim do mundo” (Círculo de Leitores, 1995);
“Cadernos de Dom Rigoberto” (Dom Quixote, 1998);
“Cartas a um jovem romancista” (Dom Quixote, 2000/Círculo Leitores, 1999);
“A festa do chibo” (Dom Quixote, 2001/ Círculo de Leitores, 2001);
“A casa verde” (Dom Quixote, 2002);
“O paraíso na outra esquina” (Dom Quixote, 2003);
“A tia Júlia e o escrevedor” (Dom Quixote, 2003);
“Travessuras da menina má” (Dom Quixote/Círculo de Leitores, 2006);
“Israel Palestina: paz ou Guerra Santa” (Quasi, 2007);
“Diário do Iraque” (Quasi, 2007).

O seu próximo livro, El Sueño del Celta (O Sonho do Celta), vai ser editado em Portugal, ainda este ano, pela Quetzal, do grupo Porto Editora.

07 outubro 2010

para ti, amiga

«Com a regularidade do costume, faz o Dr. anos este ano no mesmo dia que no ano passado. Admiradores que somos dessa regularidade, que com certeza teria prémio num colégio, não queremos deixar de o felicitar por ela e de lhe desejar que muitas vezes continue no mesmo sistema, sem que alguma cousa o impeça de se declarar muito satisfeito com essa repetição…»
Fernando Pessoa

06 outubro 2010

A poesia não contribui para o PIB, logo, não deve ser subsidiada?

Curiosa com o resultado do debate de hoje, na Culturgest, em Lisboa, deixo o caminho para o artigo de Vítor Belanciano, no Ípsilon, aqui.

24 setembro 2010

Hotel Memória (2007)


TORDO, João. Hotel Memória.Ed. Quidnovi, 2007.


O narrador deste romance é um estudante que, ao chegar a Nova Iorque para uma pós-graduação, conhece na universidade uma rapariga bastante enigmática chamada Kim pela qual se apaixona doidamente.
Apesar de achar que nunca será capaz de a conquistar, acaba por ser correspondido no seu amor, embora não chegue nunca a decifrar inteiramente os mistérios que envolvem a rapariga. É por isso também que a morte desta, brutal e inesperada, o vai encher de culpa e remorso e lançá-lo numa espiral descendente que o transformará num autêntico vagabundo.
É então que, sem dinheiro nem bens, o protagonista chega ao Hotel Memória, um estranho lugar na Baixa de Manhattan que parece destinado a albergar criaturas perdidas; e é também aí que conhece Samuel, um excêntrico milionário que o desafia a procurar um fadista português desaparecido, Daniel da Silva, emigrado para os Estados Unidos na década de sessenta. A pouco e pouco, deparando-se com o inesperado a cada esquina, o narrador vai-se embrenhando nesse mistério por resolver e a busca por Daniel da Silva transforma-se na busca do seu próprio eu, da sua identidade perdida e do seu passado.
Tendo Nova Iorque como pano de fundo, dos anos sessenta até ao presente, e criando a figura inesquecível de Daniel da Silva, o fadista que conquista Manhattan com o seu talento, Hotel Memória é, ao mesmo tempo, um romance de mistério, um policial e uma aventura. Inspirado pela ficção de Edgar Allan Poe e de Melville, que são referências constantes, é um livro ao mesmo tempo intrigante e comovente, que lida com os fantasmas da memória, da culpa e da redenção.


Críticas de imprensa sobre o livro “Hotel Memória”:

“Hotel Memória é um livro cheio de garra, cru e voraz. Nele estão estampados mundos extremos de emoções, desde o mais inebriante amor, a solidão estéril e a dor cáustica. Nele é possível ouvir com clareza a voz do seu autor, João Tordo. Uma voz que vale a pena continuar a acompanhar com toda a atenção.”
Susana Nogueira

“Romance passado em Nova Iorque, com epílogo em São Francisco, impregnado de uma atmosfera tipicamente americana, dotado de um estilo cuidadamente lírico, romântico, que eleva a escrita jornalística corrente (profissão do autor) a literatura, povoado de personagens desenraizadas (mexicanos, ingleses, portugueses, russos, chineses...), de seres inocentes (Kim) e generosos (Manuel) e de seres escabrosos (chineses dos restaurantes; máfia russa substituta da italiana), de prédios em ruínas habitados por famílias arruinadas, cruzando simultaneamente o apelo nostálgico do fado com a vivacidade do jazz e a atmosfera universitária com o ambiente sórdido das ruas dos velhos bairros nova-iorquinos (...) João Tordo retrata nos seus romances os elementos principais das metrópoles do final do século XX. A solidão, o desenraizamento, o abandono existencial, o vazio ontológico, apenas preenchidos pela futilidade, o anonimato e a banalidade do mal, que o herói combate, criando uma vontade de rectidão e justiça (...) Romance de leitura obrigatória, revelando um futuro grande escritor.”
Miguel Real, Jornal de Letras

“Neste regresso, João Tordo confirma o seu talento com um romance que mistura géneros (mistério, policial, aventura. [...] A maioria das personagens são homens e, apesar de se estar dentro de um universo predominantemente masculino, com violência, sexo, drogas e álcool, acabam por ser acções das mulheres a fazer com que as personagens, na sua imensa solidão, sejam levadas ao limite. E quando se atinge o limite o que se faz? Morremos com a lidar com a culpa ou lutamos pela redenção? A resposta está em Hotel Memória.”
Isabel Coutinho, Público

16 setembro 2010

O bom inverno

O lançamento de "O Bom Inverno" terá lugar na Livraria Ler Devagar, em Lisboa, na Lx Factory, hoje, 16 de Setembro, às 19h00. A apresentação fica a cargo de Pilar del Rio.
Quem estiver em Lisboa deve aproveitar. Quem não tiver oportunidade de estar com o escritor hoje, pode fazê-lo no próximo dia 25, pelas 17h00, na Biblioteca Municipal de Ourém.

14 setembro 2010

João Tordo em Ourém

João Tordo
Vencedor do Prémio Literário
JOSÉ SARAMAGO em 2009
"Um enorme romancista que nos redime do horror, como os grandes mestres, pela força misteriosa da escrita."
António Pedro-Vasconcelos, Sol

"O novo romance do século XXI em Portugal."
João Céu e Silva, Diário de Notícias

"Estamos diante de um escritor cuja notável vocação narradora não se furta em nenhum momento de analisar a brutalidade da vida”
Nelida Piñon


Biblioteca Municipal de Ourém
25 de Setembro de 2010
17h30


João Tordo
João Tordo nasceu em Lisboa, em 1975. Formou-se em Filosofia e estudou Jornalismo e Escrita Criativa em Londres e em Nova Iorque. Trabalha como guionista, tradutor, cronista e formador em workshops de ficção.
Escreveu, em parceria, o guião para a longa-metragem Amália, a Voz do Povo (2008). Foi vencedor do prémio Jovens Criadores em 2001.
Publicou os romances, O Livro dos Homens Sem Luz (2004), Hotel Memória (2007) e As Três Vidas (2008), tendo conquistado com este último o Prémio José Saramago 2009, da Fundação Círculo de Leitores, para o melhor romance em língua portuguesa escrito por um autor com menos de 35 anos.
O Bom Inverno é o seu último romance, editado em Setembro em curso, pela Dom Quixote.
Está, de momento, a terminar um novo romance curto e vertiginoso.



Acerca do livro “As três vidas” (sinopse oficial):
Quem é António Augusto Millhouse Pascal? Que segredos rodeiam a vida deste homem de idade, que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e uma lista de clientes tão abastados e vividos, como perigosos e loucos? São estes os mistérios que o narrador, um rapaz de uma família modesta, vai procurar desvendar não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por Millhouse Pascal se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida.
Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque, em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - desvendando o passado turbulento do seu patrão - na Guerra Civil Espanhola e na Segunda Guerra Mundial -, As Três Vidas é uma viagem de autodescoberta através do “outro”.
Cruzando a história sangrenta do século XX com a história destas personagens, este romance é também sobre a paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal e sobre a procura pelo destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do seu avô, inexoravelmente ligado ao destino de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da estreita corda bamba sobre a qual se sustém.

Acerca do livro “O Bom Inverno” (sinopse oficial)
Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.

13 setembro 2010

A lembrar um dia de chuva... ou apenas o começo

É apenas o começo.
Só depois dói e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão.
Que pode acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão,
os dedos desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo.
Aqueles cabelos,
as suas gotas de água são o começo,
apenas o começo.
Antes do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno
a mais ardente das estações.
Eugénio de Andrade

31 agosto 2010

palavras

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixam de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens que guardam
o seu segredo e a sua posição.
Mário Cesariny

19 agosto 2010

Jogos de perfídia

Maria de Fátima Gouveia
Nasceu em Malveira a 18 de Maio de 1950. Aos dois anos veio para Lisboa, aí estudou e casou. Desde cedo revelou uma notável aptidão para o desenho e pintura. Após concluir o Curso Geral do Comércio, abandonaria o Complementar para ingressar no Externato Sá Miranda com objectivo de entrar na Faculdade das Belas Artes. Foi aí que descobriu a paixão pela escrita. Desiludida pelo facto do Ministério da Educação não lhe dar equivalência, desistiu dos estudos.
Durante a juventude privou com alguns artistas plásticos, entre eles o notável andaluz Don António Martin Maqueda. Foi técnica administrativa, empresária e decoradora, tendo adquirido vários cursos técnicos e profissionais. Presentemente vive em Figueiró dos Vinhos. Num local idílico onde encontrou a paz e inspiração para este seu primeiro romance. (do Prefácio, por António Gameiro).

Sinopse do livro Jogos de perfídia, de Maria de Fátima Gouveia:
Abril de 1936. Alguns moradores de Sacavém são apanhados de surpresa, com a morte inesperada de uma jovem da classe média-alta. Segundo a autópsia, a morte deveu-se a uma súbita paragem cardíaca.
Poucas semanas depois, os jornais noticiavam a morte de um conhecido empresário, descendente de uma das mais conceituadas famílias da alta burguesia portuense.
Sua esposa, aparentemente transtornada com a perda da irmã e a doença da mãe, atingira-o, inadvertidamente, a tiro de pistola.
Todas as testemunhas arroladas pelo tribunal, foram unânimes em confirmar que se tratara de um infeliz acidente, ditado pelo desvairo de uma mente perturbada.
Vinte anos depois, uma jornalista portuguesa regressa do Brasil, trazendo na bagagem alguns segredos que a levam a suspeitar que as duas mortes estão relacionadas. Decide investigar, a fim de desmontar toda a trama, acabando por chegar à triste conclusão de que todos os que participaram do julgamento haviam mentido, cada um deles por razões diferentes. Tudo não passara de uma perfídia.
Um drama familiar, baseado em alguns factos reais, passado na primeira metade do século XX, (tendo como pano de fundo a conturbada situação política e social que o país atravessou) uma época em que as mulheres se socorriam de artimanhas para contornarem os padrões opressores duma sociedade maioritariamente hipócrita e machista.
É o despertar das consciências femininas, o desejo de mudança que começa a desenhar-se, confrontados com obstáculos difíceis de transpor: a mentalidade retrógrada e o falso puritanismo daqueles que advogavam que o papel da mulher estava confinado à gestão do lar, sublimado à vontade do homem.

“Como diz Sófocles, na Antígona, através da palavra de Hémon: «Não tenhas pois um só modo de ver: nem só o que tu dizes está certo e o resto não. Porque quem julga que é o único que pensa bem, ou que tem uma língua ou um espírito como mais ninguém, esse, quando posto a nu, vê-se que é oco.» (…)”.

Eduardo Marçal Grilo
Se não estudas estás tramado.
Ed. Tinta da China, Lisboa, 2010, pg 144

03 agosto 2010

As três vidas

“Mais tarde pensei se haveria, na verdade, alguma espécie de estranho engenho dentro da cabeça de um homem que o impedisse, a partir de certa altura em que já nada espera, quando aprendeu a aceitar a derrota, de conseguir reconhecer aquilo sem que lhe parecera, em tempos, que não podia viver. Ansiamos por esse momento de felicidade; ele surge como uma queda de água no meio do deserto; e de repente, não acreditamos nele, por estarmos tão acostumados à sua irrevogável ausência.”
João Tordo (n. 1975, Lisboa)
in “As três vidas”,
Ed. QuidNovi, 4.ª ed, 2009, pg. 215

11 julho 2010

Igudesman & Joo

Há quem perceba de música e saiba aproveitá-la para fazer humor.
Igudesman & Joo são o maior exemplo. Se quiserem conhecer melhor o seu trabalho, sigam-me por aqui.
Neste momento, em Espinho, para alguns privilegiados começa um espectáculo. Quem me dera .



09 julho 2010

O professor contra-corrente que leccionou em Ourém

Ler o artigo na última edição do semanário “O Mirante”.

Pedro Almeida Vieira em Ourém


No próximo dia 10 de Julho, pelas 21h00, o escritor Pedro Almeida Vieira estará no Museu Municipal de Ourém – Casa do Administrador, para apresentar o seu mais recente romance “Corja Maldita”, com a chancela da Sextante/Porto Editora.
O livro retrata a segunda metade do século XVIII, quando a poderosa Companhia de Jesus se vê envolvida pelo futuro Marquês de Pombal no processo dos Távora. Em França torna-se um alvo a abater pelos janesistas parisienses e em Espanha é transformada em bode expiatório no rescaldo de um motim.

Corja maldita


Pedro Almeida Vieira

Escritor e jornalista português, nasceu em Coimbra (Beira Litoral), em 17 de Novembro de 1969, licenciou-se em Engenharia Biofísica na Universidade de Évora em 1993.
Dois anos mais tarde tornar-se-ia jornalista «free-lancer», com colaborações nos jornais Expresso e Diário de Notícias, bem como nas revistas Forum Ambiente e Grande Reportagem. Em 2003 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Ambiente «Fernando Pereira», pela Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente, pela sua contribuição, como jornalista, para as causas ambientais.
Em 2003 publicou um ensaio ambiental intitulado «O Estrago da Nação», repetindo esta temática em 2006, com a publicação do livro «Portugal: O Vermelho e o Negro», sobre os incêndios florestais. A sua estreia literária surgiu com o romance «Nove mil passos» (2004), sobre a construção do Aqueduto das Águas Livres, seguindo-se «O Profeta do castigo divino» (2005) - que aborda a vida do jesuíta Gabriel Malagrida e a ascensão política do Marquês de Pombal, com enfoque no período anterior ao terramoto de Lisboa de 1755 -, «A mão esquerda de Deus» (2009) - obra finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa, que constitui uma reconstrução da heterodoxa vida de Alonso Perez de Saavedra, o suposto falso núncio que criou a Inquisição lusitana, durante o reinado de D. João III de Portugal - e «Corja maldita» (2010), um romance que incide sobre o processo de extinção da Companhia de Jesus na segunda metade do século XVIII.
Actualmente, está a escrever um ensaio sobre censura e crítica literárias no período do barroco.


“Corja maldita” - Sinopse oficial do livro:
Na segunda metade do século XVIII, a todo-poderosa Companhia de Jesus vê-se envolvida pelo futuro marquês de Pombal no processo dos Távoras, em França torna-se um alvo a abater pelos jansenistas parisienses e em Espanha é transformada em bode expiatório no rescaldo de um motim. Em 1773 acabaria suprimida pelo papa Clemente XIV, após um conclave envolto em corrupção. Tudo isto se retrata neste livro.
Estamos perante, pois então, um romance histórico?
De acordo com o editor: sim, definitivamente.
Segundo o narrador, que se assume afinal como o verdadeiro autor: não, é uma crónica verídica.
Para a alma penada do padre Gabriel Malagrida, é uma reputada heresia; este livro deveria ser queimado... Queimado?! Não, guilhotinado... e jamais lido.
O (presumido) autor não confirma nem desmente.
Na dúvida, será uma cornucópia de imaginação e criatividade.

06 julho 2010

Canção de embalar bonequinhas pobres



Menina dos olhos doces
adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
tenho uma voz de luar...

Os meus braços são a lua
quando ela é quarto crescente:
dorme menina de trapos,
meu pedacinho de gente.

Matilde Rosa Araújo
in "As cançõezinhas da Tila" (1998)

Alberto Manguel ou a clarividência dos sábios

“Na Idade Média, amarrava-se as crianças ao berço para as imobilizar. Hoje, amarramos a mente das crianças exactamente da mesma forma. Se me confiarem uma turma de crianças, comprometo-me a fazer com que elas leiam Camões com muitíssimo entusiasmo. É preciso dizer-lhes que são inteligentes e que vão conseguir ler essa obra. As crianças adoram palavras complicadas, termos difíceis, histórias onde não se percebe tudo. Mas a indústria não quer isso, quer tornar as coisas mais simples.”

Alberto Manguel, aqui

30 junho 2010

Hugo Santos na Biblioteca Municipal de Ourém



O escritor Hugo Santos estará, no próximo dia 03 de Julho, pelas 17h00, na Biblioteca Municipal de Ourém, para apresentar o seu mais recente livro “Os labores de Adão e os artifícios de Eva”.
A apresentação da obra estará a cargo do poeta e dramaturgo Domingos Lobo e haverá um momento de declamação de poemas de Hugo Santos, na voz e mestria de Jorge Lino.
No final, a oportunidade de conversar com o autor e adquirir a obra apresentada, a preço de feira do livro. A não perder.


Nota biográfica:
Hugo Santos nasceu em Campo Maior e foi professor do 1.º Ciclo.
A sua obra literária fala da beleza do Alentejo raiano e reflecte o espaço da casa, da família e do silêncio, cheio de vozes, da planície.
Poeta, contista e romancista, muitos dos seus livros foram premiados. Foi vencedor do Prémio de Poesia Mário Viegas, Prémio Miguel Torga (romance), Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca e Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama.
Entre as suas obras principais contam-se: Os Rios Sobre a Parede (poesia), O Domador de Pássaros (poesia), A Mulher de Neruda (romance), O Segundo Ofício das Nostalgias (contos) e As Mulheres que Amaram Juan Tenório (romance).
Em 2008 publicou o livro “Eu, a casa, os bichos e outras coisas”, recomendado pelo PNL para leitura orientada na sala de aula com alunos do 5º e 6º ano de escolaridade que ainda não adquiriram hábitos de leitura.
Em Março de 2010 lançou o livro “Os labores de Adão e os artifícios de Eva”.


Sinopse por Urbano Tavares Rodrigues – “Os labores de Adão e os artifícios de Eva”
Os Labores de Adão e os Artifícios de Eva é um livro brilhante e profundo onde Hugo Santos nos dá, com o seu talento verbal e a sua extrema sensibilidade, a visão que dos mesmos amores vividos têm os homens e as mulheres que os partilharam. É notória a maior riqueza de apreensão e análise do vivido por parte das mulheres, o que não causa surpresa a quem tenha acompanhado a obra poética e ficcional de Hugo Santos.
Poucos escritores em Portugal terão essa sua intuição, esse seu conhecimento do feminino, que o torna um verdadeiro sedutor, ou seja, um cúmplice da mulher nos seus desejos e segredos. Só essa sua «alma feminina» lhe permitiria escrever tantas páginas de sedução e entendimento da mulher.
Pela qualidade da escrita, pela riqueza dos entrechos, pela magia dos sentimentos e da sua escalpelização, Os Labores de Adão e os Artifícios de Eva é um admirável livro de contos ou, se o quisermos ver de outro modo, um romance feito de múltiplas narrativas. Obra para ler e meditar, breviário de amor.” [Urbano Tavares Rodrigues]

18 junho 2010

O grande Saramago

“Como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas? Esta pergunta, que cada dia me vem parecendo menos disparatada, fi-la eu muitas vezes em criança, mas só a fazia a mim próprio, não a pais nem professores porque adivinhava que eles sorririam da minha ingenuidade (ou da minha estupidez, segundo alguma opinião mais radical) e me dariam a única resposta que nunca me poderia convencer: “As coisas, quando não olhamos para elas, são iguais ao que parecem quando não estamos a olhar”. Sempre achei que as coisas, quando estavam sozinhas, eram outras coisas. Mais tarde, quando já havia entrado naquele período da adolescência que se caracteriza pela desdenhosa presunção com que julga a infância donde proveio, acreditei ter a resposta definitiva à inquietação metafísica que atormentara os meus tenros anos: pensei que se regulasse uma máquina fotográfica de modo a que ela disparasse automaticamente numa habitação em que não houvesse quaisquer presenças humanas, conseguiria apanhar as coisas desprevenidas, e desta maneira ficar a conhecer o aspecto real que têm. Esqueci-me de que as coisas são mais espertas do que parecem e não se deixam enganar com essa facilidade: elas sabem muito bem que no interior de cada máquina fotográfica há um olho humano escondido… Além disso, ainda que o aparelho, por astúcia, tivesse podido captar a imagem frontal de uma coisa, sempre o outro lado dela ficaria fora do alcance do sistema óptico, mecânico, químico ou digital do registo fotográfico. Aquele lado oculto para onde, no derradeiro instante, ironicamente, a coisa fotografada teria feito passar a sua face secreta, essa irmã gémea da escuridão. Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão.”
José Saramago
(1922-2010)

08 junho 2010

Mocidade Portuguesa (ou o discreto revivalismo que nos entra pelos olhos dentro)

A notícia de que, em Aveiro, mais de 1200 crianças se vão vestir com fardas da Mocidade Portuguesa, para comemorar os 100 anos da Implantação da República deixou-me boquiaberta.
Já cheguei a pensar que se as pessoas que mais fizeram pela Implantação da República em Portugal, no início do séc. XX, soubessem o que iria acontecer nas décadas seguintes, concretamente no Estado Novo, não teriam lutado para que tal se efectivasse. No entanto, no início do séc. XX, era impossível prever tais desenvolvimentos (há que fazer a ressalva). Agora, em pleno séc. XXI, o que leva um Agrupamento de Escolas a organizar um evento destes? Com tantos aspectos positivos a destacar, nos últimos 100 anos, qual o objectivo desta iniciativa?
Se “apenas um pai manifestou que não gostaria de ver a sua filha vestida com aquela indumentária”, conforme disse a responsável pelo projecto, então estamos mal. Há realmente qualquer coisa que me faz ter a certeza de que, muitas vezes, não há qualquer vantagem em alinhar com a maioria e que, por muito que nos possa custar, há algumas propostas do meio escolar que temos mesmo que recusar.

05 junho 2010

Brinquedo

A propósito de uma acção de formação em que as colaboradoras deste “4.º que sente” participaram, fica um poema de Miguel Torga.
Lembro, com muita satisfação, que o formador recorreu (pelo menos em três momentos diferentes) à poesia para exemplificar o seu ponto de vista. Fico contente, pois claro que fico contente.

Brinquedo

Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.
O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.
Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel.
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.
Miguel Torga

21 maio 2010

Heidegger and a hippo


“É impossível sentirmos objectivamente a nossa morte e continuarmos a cantar sem desafinar.”
Woody Allen

Comprei (sei que há quem diga por aí que temos de cortar nas coisas supérfluas e eu até concordo; mas a nossa noção de supérfluo é que difere, meus amigos)…
Dizia eu, comprei o livro “Heidegger e um hipopótamo chegam às portas do paraíso”, que saiu no passado mês de Abril, com edição da Dom Quixote/Leya.
O subtítulo do livro avisa: “Através da Filosofia (e de piadas!), explica-se a vida, a morte, a vida depois da morte e todos os entretantos”.
Os autores são Thomas Cathcart e Daniel Klein, que na contracapa aparecem numa fotografia deliciosa, ombro a ombro, vestidos de anjos, em frente a um grande portão, entre nuvens brancas e céu azul.
Comecei a ler o livro assim que o comprei e digo-vos, desconfio que foram os €14,50 mais bem gastos do ano. Logo vos digo se a minha suspeita se confirma.
Por enquanto passeiem por aqui. Parece-me uma boa forma de gastarmos mais uns minutos da nossa vida, antes que ela acabe.

17 maio 2010

(im)provérbios

Ilustração de Flávia Leitão

Convido-vos a ouvir o áudio livro (im)provérbios (para tal basta clicar sobre a capa do livro), com texto de João Manuel Ribeiro, retirado do blog "letra pequena", de Rita Pimenta (com link aqui ao lado).

16 maio 2010

A BRINCAlhaR


João Manuel Ribeiro esteve na Biblioteca Municipal de Ourém.
O contacto com o escritor faz-se com um sorriso nos lábios. As suas histórias, a maneira como o ritmo e a rima surgem naturalmente, até no meio de uma conversa, a forma como as palavras que traz consigo chegam até nós, fazem com que o encontro com o autor seja inesquecível.
Deixo-vos um dos poemas que entoámos, todos juntos, ontem e desafio-vos a acrescentarem, nos comentários, umas quadras "ao jeito" destas, sobre outros animais:

EU TIVE
Eu tive um cãozinho
chamado Alegria,
chorava de noite,
ladrava de dia.

Eu tive um gatinho
chamado Bonifrate,
comia salgados
e bebia chocolate.

Eu tive um ratinho
chamado Pimpolho,
morria por queijo,
marmelada e piolho.

Eu tive um passarinho
chamado Liberdade,
faz tempo que morreu,
ainda sinto saudade.

João Manuel Ribeiro
in Poemas para brincalhar,
Ed, Trinta por uma linha, 2009

11 maio 2010

David Fonseca@Lado B - Videos David Fonseca

Digam lá se há melhor do que isto.

http://www.davidfonseca.com/videos/david-fonsecalado-b/live

Poemas para brincalhar

É já no próximo sábado que o escritor João Manuel Ribeiro vai estar na Biblioteca Municipal de Ourém, pelas 17 horas, para apresentar a sua obra, incluindo o livro “Poemas para brincalhar”.
Os miúdos (e os graúdos) vão poder ouvir o autor, fazer-lhe perguntas, pedir-lhe um autógrafo e até apreciar os originais de algumas das ilustrações usadas nos seus livros infantis.


O livro “Poemas para brincalhar” faz parte da Mini-biblioteca essencial fnac e e conta com as ilustrações de Anabela Dias, cujo trabalho pode também ser admirado no seu blog pessoal anabela ilustra dias.



João Manuel Ribeiro nasceu em Oliveira de Azeméis, em 1968.
É licenciado em Teologia.
Mestre em Teologia Sistemática pela Faculdade de Teologia do Porto, da Universidade Católica Portuguesa, com uma tese sobre "Um Itinerário da Modernidade em Portugal - A Evolução Espiritual de Antero de Quental".
Mestre em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, com dissertação sobre “A Poesia no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Das Orientações Curriculares às Decisões Docentes”.
Nesta mesma Faculdade prepara tese de doutoramento em Ciências da Educação sobre “A Poesia na Escola – Organização do Ensino e Compreensão da Literariedade”.
Recentemente tem-se dedicado à escrita para crianças, acompanhando tal processo com um trabalho de dinamização da literatura em Escolas Básicas do 1.º Ciclo e colégios, quer através de oficinas de escrita criativa, quer através de encontros onde diz poesia.
Para crianças publicou: Estrela e Príncipe da Paz (2005), O Encanta Pardais Voador (2006), O Natal do Ratinho Daniel e outros versos (2006), Rondel de Rimas para Meninos e Meninas (2008), A Menina das Rosas (2008), (Im)Provérbios (2008), Poemas da Bicharada (2008), Um, dois, três - Um mês de cada vez (2008), Poemas para Brincalhar (2009), Alfabeto de Adivinhas (2009), Pontos sem nó (2009), Gémeos (2009), A Casa Grande (2009), Romanceiro de Natal (2009, com Vergílio Alberto Vieira) e Raras Aves Raras (2010).
Publicou ainda os seguintes livros de poesia: Regras do mel e da flor (2002), Amores quase perfeitos e outras arritmias (2002), Livro de Explicações (2003), A circulação precoce dos relâmpagos (2007), O Anjo acocorado (2009), Trajectória inconsútil do desejo (2009).

10 maio 2010

outro modo de olhar

Havia em cima do muro da casa
uma vaca deitada ao sol, de pernas para o luar,
um melro depenado, só com uma asa,
uma girafa com dificuldade em respirar

e um menino muito pequenino a sonhar
que nada devia ser assim tão cruel:

Para a vaca inventou um tropel,
para o melro, um céu, ainda que de papel,
para a girafa, uma corrente de ar
e para o poeta, outro modo de olhar.

João Manuel Ribeiro
in “Rondel de rimas para meninos e meninas”
Ed. Trinta por uma linha, 2008, pg 19
(Obra recomendada pelo PNL - Ler+)

João Manuel Ribeiro na Biblioteca Municipal de Ourém


18 abril 2010

Feira do Livro de Ourém - 2010



Feira do Livro de Ourém
De 19 a 25 de Abril
Horários:
Segunda a Quinta-feira – 09h30 às 18h00;
Sexta e Sábado – 10h00 às 24h00;
Domingo – 10h00 às 18h00.

Tenda infantil – Actividades em permanência

19 de Abril
Oficinas pedagógicas:
10h30, 14h30 e 16h30 – “Dança e movimento cénico
11h30 e 15h30 – “Expressão dramática
Dinamizadora: Associação Cultural Dois Pontos
Público-alvo: 3 a 6 anos

20 de Abril
10h30 - Oficina pedagógica sobre Reciclagem
Dinamizadora: Valorlis
Público-alvo: 3 a 10 anos
14h30 – Oficina pedagógica sobre Biodiversidade
Dinamizadora: Quercus
Público-alvo: 3.º CEB e Ensino Secundário

21 de Abril
09h30 e 10h30 – Hora do Conto
“Ver, ouvir e contar histórias de encantar"
Público-alvo: 1.º e 2.º anos do 1.º CEB
14h30 – À conversa com Teresa Rita Lopes
(sobre o livro "A asa e a casa")
Público-alvo: 5.º e 6.º anos (2.º CEB)
16h15 – À conversa com Teresa Rita Lopes
(sobre o livro -"Pessoa Inédito")
Público-alvo: 10.º a 12.º anos (Ensino Secundário)

22 de Abril
09h30 e 10h30 – Hora do Conto
“A minha primeira República"
Público-alvo: 3.º e 4.º anos do 1.º CEB
14h30 – À conversa com Hugo Santos
(sobre o livro “Reaprender a resistir”)
Público-alvo: 10.º a 12.º anos (Ensino Secundário)
16h15 – À conversa com Hugo Santos
(sobre o livro "Eu, a casa, os bichos e outras coisas”)
Público-alvo: 5.º e 6.º anos (2.º CEB)

23 de Abril
10h30 – À conversa com Jorge Ribeiro
(sobre o livro "Lá longe onde o sol castiga mais/
A Guerra Colonial contada aos mais novos")
Público-alvo: 6.º a 9.º anos
14h30 – Teatro na Praça - “O nabo gigante” (popular)
Dinamizador: Clube de Cultura e Artes da Escola Secundária de Ourém
Público-alvo: 3 a 6 anos
20h45 – Actuação do Quarteto de Clarinetes da Ourearte
21h00 – À conversa com Carlos André
(sobre os livros "Caminhos do amor em Roma" e “Teias”)
22h00 – Poesia ao luar – Declamação de poemas de amor
Dinamizador: Grupo de Teatro Apollo
Público-alvo: Adulto

24 de Abril
10h30 – Oficina Pedagógica – Origami
Público-alvo: a partir dos 5 anos
15h30 – Actuação da Orquestra de violinos do Conservatório de Música de Ourém/Fátima
16h00 – À conversa com Coronel Sousa e Castro
(sobre o livro “Capitão de Abril, Capitão de Novembro”)
Público-alvo: Adulto
17h30 – Sessão entre pais sobre filhos e pais – “Comunicar com a criança: a linguagem das emoções
Moderadora: Dr.ª Tânia Pires – Psicóloga
Público-alvo: Pais, educadores e público em geral (inscrições limitadas)
21h00 – Exibição do filme “Bom Povo Português”, de Rui Simões
(Entrada livre - Auditório dos Paços do Concelho/1.º piso)
Público-alvo: Adulto
23h00 – Actuação dos “Velha Gaiteira
24h00 – Grândola Vila Morena

25 de Abril
10h00 – Cerimónia oficial
Fanfarra da Associação H. dos Bombeiros Voluntários de Ourém
Actuação da Filarmónica 1.º de Dezembro Cult. e Art. Reis Prazeres
Actuação do Coral de Fátima do Conserv. de Música de Ourém /Fátima
15h30 – Actuação dos “Mar de Pedra
16h00 – Jogos Tradicionais para filhos e para pais
16h30 – As Fábulas de La Fontaine "O Rato do Campo e o Rato da Cidade" e "A Lebre e a Tartaruga"
À conversa com a Coordenadora da colecção infantil Rita Garrido, a Ilustradora Dila Cid e a Prof. Universitária Maria João Cardona
18h00 – Encerramento da Feira do Livro
21h00 – Concerto de Solidariedade com Carlos Moniz (Cine-Teatro Municipal/Parceria com o jornal “Notícias de Ourém”, a favor do CRIO)

22 março 2010

Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano


Os (con)tributos’2010 continuam neste mês de Março, com o tema "O Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano".Com este encontro a Biblioteca Municipal e a comunidade de leitores pretendem prestar tributo a um dos mais importantes autores do Romantismo em Portugal. Para nos ajudar teremos o convidado, Dr. José António Gaspar. Encontro marcado para as 17horas, do próximo dia 27, na Biblioteca Municipal de Ourém.

Alexandre Herculano de Carvalho Araújo nasceu em Lisboa, a 28 de Março de 1810, no seio de uma família da classe média.Com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do romantismo em Portugal. Os seus primeiros contactos com a literatura ocorreram em ambiente pré-romântico, nos salões da Marquesa de Alorna. Foi ele que introduziu no nosso país o romance histórico, tão característico do romantismo. A inspiração directa veio-lhe naturalmente de Walter Scott e Victor Hugo.Os seus méritos de cidadão, escritor e estudioso eram reconhecidos quase unanimemente pelos seus contemporâneos e foram muitas as honrarias que lhe foram oferecidas. Aceitou algumas de natureza científica, mas as distinções honoríficas recusou-as sempre.Em 1866 casou e pouco depois, retirou-se para a sua quinta de Vale de Lobos, próximo de Santarém. Aí permaneceu até ao fim da vida, ocupado com os seus escritos literários. Foi aí que morreu, a 13 de Setembro de 1877.Da sua obra destacamos “Eurico, o Presbítero”, “O Bobo”, “Lendas e Narrativas”, “O Alcaide de Santarém” e “A Dama de Pé-de-cabra”. Sentimentos violentos, códigos de honra, terrores e maldições perpassam estas histórias trágicas e fantásticas e fazem delas verdadeiras narrativas ao gosto romântico.
José António Gaspar nasceu na aldeia do Sobral, da Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, do Concelho de Ourém, onde só viveu um ano. Viveu sucessivamente na Maxieira, em Boleiros e em Cova da Iria, da Freguesia de Fátima.Frequentou o Seminário Diocesano, desde 1961 até 1973 e cumpriu o serviço militar em Mafra, Setúbal e Lisboa, desde Janeiro de 1974 até Dezembro de 1975.Frequentou a Universidade Católica em 1976 e concluiu o Curso de Teologia no Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra, em 1977.Começou a leccionar na Escola Secundária de Ourém, em 1978, ao mesmo tempo que frequentava o Curso de Línguas e Literaturas Modernas, na Variante de Estudos Portugueses, na Universidade de Coimbra.Entre 1978 e 1981 leccionou no Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Fátima, tendo concluído neste último ano o Curso de Estudos Portugueses, na Universidade de Coimbra.Fez a profissionalização em exercício em Abrantes nos anos lectivos de 82/83 e 83/84 e voltou para a Escola Secundária de Ourém, onde esteve de 84/85 até 97/98.Esteve requisitado na Quercus, a desenvolver projectos de Educação Ambiental, entre 97 e 2001, tendo regressado à Escola Secundária de Ourém em 2001/2002, onde permanece até hoje.Na área da política, fez um mandato como deputado municipal, em Ourém, em representação do Partido Socialista.Na área sociocultural, foi dirigente dos Escuteiros em Leiria e Fátima e pertence, há vinte anos, à Direcção do Núcleo do Ribatejo e Estremadura da Quercus. Fez também parte do grupo de pessoas que lançou a Associação Fátima Cultural. Colabora dispersamente em vários jornais da região.

20 março 2010

a perfeita metáfora de uma semana

“e depois talvez abrisse as portadas para que ele percebesse a generosidade daquela casa e o quanto a usava pelo lado contrário do esperado.”
valter hugo mãe
in o apocalipse dos trabalhadores

03 março 2010

Racismo, nunca!

Ilustração da Paulinha
Quando se olha e vê diferente
aquilo que na verdade é igual
é porque a malta
é porque a gente
sem coração vê muito mal.
E se os olhos, estranhamente,
não reconhecem no “outro” o valor
ficamos sós
e de repente
o mundo perde a sua cor.

Se dúvidas ainda houver
e alguém te fizer a pergunta,
há que saber responder:
Racismo, nunca!

Carmen Zita Ferreira