29 junho 2011
18 junho 2011
“os livros encontram os seus próprios leitores”
A vida não basta e isso fica provado cada vez que vamos à Livraria Arquivo, em Leiria. Há muito mais para além da vida. Há a arte, há literatura, há tudo o que contradiz o tic-tac contínuo de cada segundo que passa.
A frase do título deste post é de António Manuel Pina. Com ele na foto estão Madalena Matoso, Afonso Cruz, Luís Mourão e Álvaro Romão. Há muito tempo que não estava num lugar com tanta genialidade por metro quadrado.
Comecei por apontar as frases que cada um dizia e que tinha a certeza de que quereria recordar… Desisti. Eram muitas frases, para tão pouca velocidade de registo.
Fica esta, a do título, que foi proferida a propósito da eterna questão de haver ou não livros “próprios” para crianças.
As outras ficam “apenas” na memória.
14 junho 2011
swim with the current and float away
Down by the river by the boats
Where everybody goes to be alone
Where you wont see any rising sun
Down to the river we will run
When by the water we drink to the dregs
Look at the stones on the riverbed
I can tell from your eyes
You've never been by the riverside
Down by the water the riverbed
Somebody calls you somebody says
swim with the current and float away
Down by the river every day
Oh my God I see how everything is torn in the river deep
And I don't know why I go the way
Down by the riverside
When that old river runs past your eyes
To wash off the dirt on the riverside
Go to the water so very near
The river will be your eyes and ears
I walk to the borders on my own
Fall in the water just like a stone
Chilled to the marrow in them bones
Why do I go here all alone
13 junho 2011
um grande barulho ao contrário

Andei a abrir “ao calhas” (essa belíssima expressão) os livros de poesia do Fernando Pessoa que tenho cá por casa (nota mental: organizar todas as minhas estantes por temas/autores um destes dias).
A marcar uma página, um postal editado pela Som da Tinta, em 2001, com um desenho do poeta, feito a tinta preta por Mário Alberto (quem conhece a colecção de postais da Som da Tinta sabe do que estou a falar).
Queria deixar aqui um poema de Fernando Pessoa, hoje, no 123.º aniversário do seu nascimento. É esse mesmo, que estava marcado, sei lá bem desde quando, que aqui vai ficar. Destacarei os versos que no livro estão sublinhados a lápis de carvão.
Ali não havia electricidade.
Por isso foi à luz de uma vela mortiça
Que li, inserto na cama,
O que estava à mão para ler –
A Bíblia, em português, porque (coisa curiosa) eram protestantes.
E reli a Primeira Epístola aos Coríntios.
Em torno de mim o sossego excessivo das noites de província
Fazia um grande barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
A Primeira Epístola aos Coríntios…
Reli-a à luz de uma vela subitamente antiquíssima
E um grande mar de emoção chorava dentro de mim…
Sou nada…
Sou uma ficção…
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
“Se eu não tivesse a caridade”…
E a soberana voz manda, do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma fica livre…
“Se eu não tivesse a caridade”…
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade!
20-12-1934
Álvaro de Campos
In “Poemas de Álvaro de Campos”
Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1992, pg.142
10 junho 2011
01 junho 2011
30 maio 2011
curiosos à vista...

Convido-vos a visitar um sítio especial. É o blog dos alunos da EB1/JI de Abrunheira - Sintra, do 4º ano, turma F.
Este blog tem o objectivo de divulgar as actividades que a turma desenvolve na sala de aula. Partilharam em Março e Abril os trabalhos que realizaram à volta do livro “O Bicho-de-sete-cabeças – História de uma eleição democrática”, trabalhos esses que transformaram em livro de turma.
Fiquei surpreendida com muitos dos comentários que iam sendo feitos à volta da história e com a qualidade da abordagem ao livro realizada.
Estão tão curiosos como eu estava? Então sigam por aqui, que estes curiosos estão à vista.
29 maio 2011
27 maio 2011
26 maio 2011
25 maio 2011
despalavrear
inscrição
inchaço do coração
facilita o despalavrear.
a liberdade pode advir
de uma veia.
com sangue também
se reescreve a vida.
o suicidado foi um apressado
para desconhecimentos.
a morte
ela é que espera por nós.
na vida pedincho
reindagação de cheirares:
em continuado aquestionamento.
a despalavreação
pode acrescer de uma vida.
Ondjaki
“Há prendisajens com o xão”
Ed. Caminho, 2002, pg.20
inchaço do coração
facilita o despalavrear.
a liberdade pode advir
de uma veia.
com sangue também
se reescreve a vida.
o suicidado foi um apressado
para desconhecimentos.
a morte
ela é que espera por nós.
na vida pedincho
reindagação de cheirares:
em continuado aquestionamento.
a despalavreação
pode acrescer de uma vida.
Ondjaki
“Há prendisajens com o xão”
Ed. Caminho, 2002, pg.20
Nota do autor em “Outros convidados ou descoisas (de z a a)”, na pg. 63 do mesmo livro:
“inchaço do coração: basta uma lágrima para infectá-lo assim”.
banda sonora de viagem 11#
"Leave the pity and the blame
For the ones who do not speak
You write the words to get respect and compassion
And for posterity
You write the words and make believe
There is truth in the space between."
23 maio 2011
13 maio 2011
30 abril 2011
... and everybody goes “Awww"
“The only people for me are the mad ones,
the ones who are mad to live,
mad to talk,
mad to be saved,
desirous of everything at the same time,
the ones who never yawn or say a commonplace thing,
but burn,
burn,
burn,
like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars
and in the middle you see the blue centerlight pop
and everybody goes “Awww!”
Jack Kerouac
the ones who are mad to live,
mad to talk,
mad to be saved,
desirous of everything at the same time,
the ones who never yawn or say a commonplace thing,
but burn,
burn,
burn,
like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars
and in the middle you see the blue centerlight pop
and everybody goes “Awww!”
Jack Kerouac
28 abril 2011
Abat-jour
Abat-jour
A lâmpada acesa
(outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.
E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.
Bem sei… era dia
E longe de aqui…
Quanto me sorria
O que nunca vi!
E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar…
Fernando Pessoa (28-2-1929)
In “Poesia 1918-1930”,
Ed Assírio & Alvim, 2005, pg. 319
A lâmpada acesa
(outrem a acendeu)
Baixa uma beleza
Sobre o chão que é meu.
No quarto deserto
Salvo o meu sonhar,
Faz no chão incerto
Um círculo a ondear.
E entre a sombra e a luz
Que oscila no chão
Meu sonho conduz
Minha inatenção.
Bem sei… era dia
E longe de aqui…
Quanto me sorria
O que nunca vi!
E no quarto silente
Com a luz a ondear
Deixei vagamente
Até de sonhar…
Fernando Pessoa (28-2-1929)
In “Poesia 1918-1930”,
Ed Assírio & Alvim, 2005, pg. 319
24 abril 2011
19 abril 2011
14 abril 2011
ses
ses "a intimidação pelos deuses, eles vêm aí e põem-te pimenta na língua, dobra-a bem. não obstante, com entusiasmo, tu dizes foda-se motivado pela lingerie que percebes nela, alças brancas, calças justas à tranca, andar e ritmo lânguidos. quase não é necessário imaginar o que seria possível se. e quem sabe se sim, se não." s. d’o. (roubado daqui porque aqui só se rouba o que é bom)
10 abril 2011
sabedoria de fernando
"Toda a alma digna de si própria deseja viver a vida em extremo. Contentar-se com o que lhe dão é próprio dos escravos. Pedir mais é próprio das crianças. Conquistar mais é próprio dos loucos."
Bernardo Soares
Livro do Desassossego
Bernardo Soares
Livro do Desassossego
01 abril 2011
31 março 2011
29 março 2011
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