Se cantasse, talvez o coração
Sossegasse no peito.
Mas vou perdendo o jeito
De cantar
A vida, devagar,
Leva-nos tudo,
E deixa-nos na boca o gosto de ser mudo.
Miguel Torga
(1907-1995)
Coimbra, 12 de Outubro de 1974
nota - uma semana depois de eu nascer Miguel Torga escreveu este poema... se ele soubesse o sentido que o mesmo faz no meu espírito hoje...
22 fevereiro 2013
20 fevereiro 2013
19 fevereiro 2013
12 fevereiro 2013
07 fevereiro 2013
04 fevereiro 2013
06 janeiro 2013
03 janeiro 2013
Foi o caso 3#
D. - Mamã, como é que Deus fez os gatos? De certeza que não foi com pão e vinho...
me - Pois... isso não.
22 dezembro 2012
21 dezembro 2012
13 dezembro 2012
28 novembro 2012
19 novembro 2012
14 novembro 2012
ondjaki
“um homem é feito do que planifica e do que vai sentindo. de
correntes de ferro que o prendem ao chão e de correntes de ar que lhe
atravessam o corpo em ecos de poesia.
verdade e urgência.”Ondjaki
in “Os Transparentes”
Ed. Caminho, 2012, pg.206
07 novembro 2012
CANÇÃO DE OUTONO
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não
fiz.E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles
Fotografia de João Baltazar
31 outubro 2012
28 outubro 2012
20 outubro 2012
Manuel António Pina
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraidíssimo percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde no café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina
in “Ainda não é o fim nem o princípio do mundo calma é apenas um pouco tarde”
A regra do jogo edições, 1974, pg. 34
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraidíssimo percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde no café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina
in “Ainda não é o fim nem o princípio do mundo calma é apenas um pouco tarde”
A regra do jogo edições, 1974, pg. 34
10 outubro 2012
21 setembro 2012
um entre os mais
«A terceira miséria é esta, a de hoje.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda. E, ao contrário
Do orgulhoso Péricles, se torna
Num entre os mais, num entre os que se entregam,
Nos que vão misturar-se como um líquido
Num líquido maior, perdida a forma,
Desfeita em pó a estátua.»
HÉLIA CORREIA,
in "A Terceira Miséria", Relógio d'Água, Fev. 2012.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda. E, ao contrário
Do orgulhoso Péricles, se torna
Num entre os mais, num entre os que se entregam,
Nos que vão misturar-se como um líquido
Num líquido maior, perdida a forma,
Desfeita em pó a estátua.»
HÉLIA CORREIA,
in "A Terceira Miséria", Relógio d'Água, Fev. 2012.
fotografia de David Fonseca
era esse o teu sorriso
Tenho um sorriso fechado na palma da minha mão.
Sorriso que foi achado caído no meio do chão.
Um sorriso que era vento desenrolado do azul
em que as minhas velas pandas se enfunavam para o Sul,
rumo a qualquer fim do mundo!
Uma ilha tropical onde o meu corpo confundo
com vento suor e sal. Era esse o teu sorriso;
o sorriso que me davas quando os teus olhos nos meus
eram dois potros com asas.
À tua espera na praia fiquei pela tarde fora,
no alto daquele rochedo onde um minuto é uma hora!
E não vi o teu sorriso surgir da areia ou do mar.
Nem tive um porto de abrigo...
Nem foste um barco a chegar.
Se me disseres que morreste não acredito. Não posso!
Andavas sempre comigo e o teu sorriso era o nosso...
Hoje guardo o teu sorriso fechado na minha mão...
A contrastar com o siso que trago no coração.
14 setembro 2012
papa a papa
As alunas das doroteias
comem todas as manhãs
uma loura papa de aveia
e nisto são meninas cristãs.
Mas para que não conste que estas florinhas
são antropófagas e pagãs,
para que se não diga que elas comem
o Santo Padre todas as manhãs,
uma freira a quem nada escapa
e que depois de morta vai ser santinha
ensinou-lhes que em vez de papa
elas devem dizer farinha.
Natália Correia (1923-1993)
in Poesia Completa, Ed. Dom Quixote, pg. 55
comem todas as manhãs
uma loura papa de aveia
e nisto são meninas cristãs.
Mas para que não conste que estas florinhas
são antropófagas e pagãs,
para que se não diga que elas comem
o Santo Padre todas as manhãs,
uma freira a quem nada escapa
e que depois de morta vai ser santinha
ensinou-lhes que em vez de papa
elas devem dizer farinha.
Natália Correia (1923-1993)
in Poesia Completa, Ed. Dom Quixote, pg. 55
Subscrever:
Mensagens (Atom)












