adro
"a ambiguidade que cresce dos silêncios
onde moramos, que lavra a frente pública,
a procissão quieta que nos conduz à promessa
e ao ofício. sacrificamos os dias em regime.
-----a transmissão será retomada dentro
de momentos. não somos alheios ao que nos tranca
na rua."
s. d’o. no almanaque de ironias menores
13 agosto 2011
12 agosto 2011
11 agosto 2011
home is where the burning is
“É uma contradição que ainda não aprendi a resolver. A casa é um lugar seguro, onde nos abrigamos do caos, é o que por aí se repete, mas a verdade é que só me sinto em casa onde me desassossegam e não me prometem mais do que interrogações. Casa é um sítio onde custa adormecer.”
Pedro Jordão at The heart is a lonely hunter
Pedro Jordão at The heart is a lonely hunter
09 agosto 2011
03 agosto 2011
23 julho 2011
13 julho 2011
08 julho 2011
words
“It isn’t the color red that takes the place of the word red,
but the gesture that points to a red object”
Wittgenstein,
Wittgenstein,
The Big Typescript
05 julho 2011
O Bicho-de-sete-cabeças no PNL

“O Bicho-de-sete-cabeças – História de uma eleição democrática” faz parte da lista de livros recomendados pelo PNL – Plano Nacional de Leitura.(Livro recomendado para apoio a projectos relacionados com Cidadania para os 3º, 4º, 5º e 6º anos de escolaridade).
Para consultar a lista, venham por aqui.
04 julho 2011
01 julho 2011
No Dia Mundial das Bibliotecas - Na biblioteca
Eu sei que a biblioteca é um lugar virado para fora, mas agrada-me esta imagem da mesma, já à noite, virada para dentro, com o poema, na solidão, a cantar:
NA BIBLIOTECA
O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’
MANUEL ANTÓNIO PINA
In Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal,
Assírio & Alvim, 2011
NA BIBLIOTECA
O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,
quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,
em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,
as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.
Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
‘E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.’
MANUEL ANTÓNIO PINA
In Poesia, Saudade da Prosa - uma antologia pessoal,
Assírio & Alvim, 2011
29 junho 2011
18 junho 2011
“os livros encontram os seus próprios leitores”
A vida não basta e isso fica provado cada vez que vamos à Livraria Arquivo, em Leiria. Há muito mais para além da vida. Há a arte, há literatura, há tudo o que contradiz o tic-tac contínuo de cada segundo que passa.
A frase do título deste post é de António Manuel Pina. Com ele na foto estão Madalena Matoso, Afonso Cruz, Luís Mourão e Álvaro Romão. Há muito tempo que não estava num lugar com tanta genialidade por metro quadrado.
Comecei por apontar as frases que cada um dizia e que tinha a certeza de que quereria recordar… Desisti. Eram muitas frases, para tão pouca velocidade de registo.
Fica esta, a do título, que foi proferida a propósito da eterna questão de haver ou não livros “próprios” para crianças.
As outras ficam “apenas” na memória.
14 junho 2011
swim with the current and float away
Down by the river by the boats
Where everybody goes to be alone
Where you wont see any rising sun
Down to the river we will run
When by the water we drink to the dregs
Look at the stones on the riverbed
I can tell from your eyes
You've never been by the riverside
Down by the water the riverbed
Somebody calls you somebody says
swim with the current and float away
Down by the river every day
Oh my God I see how everything is torn in the river deep
And I don't know why I go the way
Down by the riverside
When that old river runs past your eyes
To wash off the dirt on the riverside
Go to the water so very near
The river will be your eyes and ears
I walk to the borders on my own
Fall in the water just like a stone
Chilled to the marrow in them bones
Why do I go here all alone
13 junho 2011
um grande barulho ao contrário

Andei a abrir “ao calhas” (essa belíssima expressão) os livros de poesia do Fernando Pessoa que tenho cá por casa (nota mental: organizar todas as minhas estantes por temas/autores um destes dias).
A marcar uma página, um postal editado pela Som da Tinta, em 2001, com um desenho do poeta, feito a tinta preta por Mário Alberto (quem conhece a colecção de postais da Som da Tinta sabe do que estou a falar).
Queria deixar aqui um poema de Fernando Pessoa, hoje, no 123.º aniversário do seu nascimento. É esse mesmo, que estava marcado, sei lá bem desde quando, que aqui vai ficar. Destacarei os versos que no livro estão sublinhados a lápis de carvão.
Ali não havia electricidade.
Por isso foi à luz de uma vela mortiça
Que li, inserto na cama,
O que estava à mão para ler –
A Bíblia, em português, porque (coisa curiosa) eram protestantes.
E reli a Primeira Epístola aos Coríntios.
Em torno de mim o sossego excessivo das noites de província
Fazia um grande barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
A Primeira Epístola aos Coríntios…
Reli-a à luz de uma vela subitamente antiquíssima
E um grande mar de emoção chorava dentro de mim…
Sou nada…
Sou uma ficção…
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
“Se eu não tivesse a caridade”…
E a soberana voz manda, do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma fica livre…
“Se eu não tivesse a caridade”…
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade!
20-12-1934
Álvaro de Campos
In “Poemas de Álvaro de Campos”
Ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1992, pg.142
10 junho 2011
01 junho 2011
30 maio 2011
curiosos à vista...

Convido-vos a visitar um sítio especial. É o blog dos alunos da EB1/JI de Abrunheira - Sintra, do 4º ano, turma F.
Este blog tem o objectivo de divulgar as actividades que a turma desenvolve na sala de aula. Partilharam em Março e Abril os trabalhos que realizaram à volta do livro “O Bicho-de-sete-cabeças – História de uma eleição democrática”, trabalhos esses que transformaram em livro de turma.
Fiquei surpreendida com muitos dos comentários que iam sendo feitos à volta da história e com a qualidade da abordagem ao livro realizada.
Estão tão curiosos como eu estava? Então sigam por aqui, que estes curiosos estão à vista.
29 maio 2011
27 maio 2011
26 maio 2011
25 maio 2011
despalavrear
inscrição
inchaço do coração
facilita o despalavrear.
a liberdade pode advir
de uma veia.
com sangue também
se reescreve a vida.
o suicidado foi um apressado
para desconhecimentos.
a morte
ela é que espera por nós.
na vida pedincho
reindagação de cheirares:
em continuado aquestionamento.
a despalavreação
pode acrescer de uma vida.
Ondjaki
“Há prendisajens com o xão”
Ed. Caminho, 2002, pg.20
inchaço do coração
facilita o despalavrear.
a liberdade pode advir
de uma veia.
com sangue também
se reescreve a vida.
o suicidado foi um apressado
para desconhecimentos.
a morte
ela é que espera por nós.
na vida pedincho
reindagação de cheirares:
em continuado aquestionamento.
a despalavreação
pode acrescer de uma vida.
Ondjaki
“Há prendisajens com o xão”
Ed. Caminho, 2002, pg.20
Nota do autor em “Outros convidados ou descoisas (de z a a)”, na pg. 63 do mesmo livro:
“inchaço do coração: basta uma lágrima para infectá-lo assim”.
banda sonora de viagem 11#
"Leave the pity and the blame
For the ones who do not speak
You write the words to get respect and compassion
And for posterity
You write the words and make believe
There is truth in the space between."
23 maio 2011
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