26 março 2011

sabedoria de alice

Fotografia de Fernando Penin Redondo

"Envelhecemos com as palavras
ou elas
connosco."
Alice Vieira
"O que dói às aves",
Ed. Caminho, pg. 31

10 março 2011

"cegos são pessoas que não vêem"

fotografia de Jason Lavengood

“O céu devia estar cheio de rezas e choros, porque nessa tarde condensou a água de repente e choveu tudo de uma vez. Fez-se escuro como a pele dum rato e, minutos depois, largou o peso na terra.”
Rui Cardoso Martins
“Deixem passar o homem invisível”
Ed. Dom Quixote, 2009


Haverá melhor forma de começar um romance?

19 fevereiro 2011

I set you free, like radiohead do



I will sneak myself into your pocket
Invisible, do what you want, do what you want
I will sink and I will disappear
I will slip into the groove and cut me up and cut me up

There’s an empty space inside my heart
Where the wings take root
So now I’ll set you free
I’ll set you free
There’s an empty space inside my heart
And it won’t take root
Tonight I’ll set you free
I’ll set you free

Slowly we unfurl
As lotus flowers
And all I want is the moon upon a stick
Dancing around the pit
Just to see what it is
I can’t kick the habit
Just to feed your fast ballooning head
Listen to your heart

We will sink and be quiet as mice
While the cat is away and do what we want
Do what we want

There’s an empty space inside my heart
And now it won’t take root
And now I set you free
I set you free

Because all I want is the moon upon a stick
Just to see what it is
Just to see what gives
Take the lotus flowers into my room
Slowly we unfurl
As lotus flowers
All I want is the moon upon a stick
Dance around a pit
The darkness is beneath
I can’t kick the habit
Just to feed my fast ballooning head
Listen to your heart

16 fevereiro 2011

arte poética

"A poesia é a emoção expressa em ritmo através do pensamento, como a música é essa mesma expressão, mas directa, sem o intermédio da ideia."
Fernando Pessoa

25 janeiro 2011

A estante do JL



O JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias desta quinzena (12 a 25 de Janeiro), no suplemento JL Educação, na sua Estante, apresenta vários livros da editora Trinta por uma linha. Entre eles pode ler-se um apontamento sobre o meu “livrito”.


19 janeiro 2011

Discos perdidos # 3

A arte do desvio 2#

D. Júlia acordou com frio.
Desde o segundo em que se levantou até ao segundo em que saiu de casa sentiu frio.
Todos os indícios a levavam a pensar que na rua estaria tudo gelado e por isso saiu porta fora com cuidado. O corpo estava satisfeito com o trabalho que duas mãos quentes tinham feito na sua pele inteira, na noite anterior e tudo havia a fazer para que essa sensação se prolongasse.
Assim que pousou o primeiro pé na calçada, caiu estatelada de costas no chão. Nos milésimos de segundo da queda, viu o céu cinzento, em meio círculo, a passar vertiginosamente diante dos olhos e pensou: “Já está, Júlia. Partiste-te toda.”
Não tinha partido. Mexia as pernas, mexia os braços e mexia o pescoço, apesar de não se conseguir levantar. Era por dentro que estava paralisada.

D. Júlia, faça frio, ou faça sol, a partir esse dia, ao sair de casa, desvia-se do exacto sítio onde pousou o pé nessa manhã. É essa a arte que está a praticar desde então.

verdades & consequências 1#

via i can read

13 janeiro 2011

cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos,
in "Poemas"