29 novembro 2010

os livros e as ilusões 1#

Uma das actividades que mais gosto de levar a cabo é voltar aos livros que já li e procurar as frases que sei que neles sublinhei.
Comecei a sublinhar, sem sentimento de culpa, os livros que ia lendo, depois de uma professora da FCSH que muito admiro dizer numa aula que achava que os livros eram para ser vividos. Concordei e senti que a minha opção estava para sempre legitimada. Na verdade, acho muito interessante voltar a eles e ver o que, na altura da leitura integral, mais atraiu a minha atenção.
Este domingo, quando procurava um pequeno e significante objecto, reparei que estava dentro de um dos livros mais sublinhados da minha pequena biblioteca pessoal. Voltei a ler as frases sublinhadas e a entender por que assim estavam.
Se há livros sobre os quais questiono a pertinência do destaque pessoal de determinada frase, neste isso não aconteceu. Pelo menos ainda. Neste contexto, apeteceu-me transcrever para aqui algumas dessas frases.
O livro é de Paul Auster, “O livro das ilusões”, das Edições Asa (4.ª edição, 2006). Não me consigo lembrar em que ano o li e determino aqui e agora que esse pormenor não é importante.

Começo a sequência de algumas das frases sublinhadas com esta:

Para o melhor ou para o pior, parece que os filósofos tinham razão. Nada do que nos acontece se perde.” pg 230

16 novembro 2010

«O bicho-de-sete-cabeças - História de uma eleição democrática» - Uma obra para crianças e não só


"Carmen Zita Ferreira apresentou, no passado domingo, a sua mais recente obra, um conto infantil denominado «O bicho-de-sete-cabeças/ História de uma eleição democrática».
Ilustrada por Sandra Serra e com posfácio de Eduardo Marçal Grilo, o livro conta a história e uma eleições em que o vencedor é um bicho-de-sete-cabeças, onde cada cabeça representa uma qualidade indispensável para quem se propõe exercer um cargo de serviço público. Na hora da coroação surgem os problemas porque é preciso escolher a cabeça a coroar. E qual delas é a mais importante? Após o impasse gerado pela discussão, surge a solução. Mas essa, como dizia a autora no dia do lançamento, será para os leitores descobrirem.
Uma história extremamente bem contada e ilustrada, escrita para crianças mas que não faz mesmo mal nenhum ser lida e absorvida por adultos.
A apresentação decorreu na sede da AMBO, após a audição dos jovens cantores do coral infantil e juvenil da associação dirigidos pelo maestro Paulo Honório.
A vice-presidente da AMBO, Ana André começou por manifestar a sua satisfação pelo facto do lançamento estar a decorrer na AMBO, até porque Carmen Zita é «uma filha da casa» sendo mesmo que «toda a sua família é da casa». Considera importante «que decorram aqui estas iniciativas culturais» e defende que, na era das novas tecnologias é sempre uma «grande satisfação o lançamento de um livro infantil, com uma história muito bem concebida e com excelentes ilustrações».

Em representação da Câmara esteve o vice-presidente e vereador da Cultura que salientou o facto da sala se encontra cheia o que considera ser «algo de sublinhar». E porque «um livro para crianças, lê-se rapidamente por um adulto» José Alho afirma ter feito «esse exercício» o que o faz dizer «que bom seria que os decisores tivessem todas estas cabeças para pôr ao serviço das suas comunidades».
Gracejando, Alho afirma que «está tão simplesmente escrito que até os adultos percebem» e termina a prometer que vai «tentar ser um bicho-de-sete-cabeças na minha quota-parte de responsabilidade».
João Manuel Ribeiro, da editora «trinta por uma linha» começou por felicitar a AMBO e a Câmara por se associarem e apoiarem este lançamento e refere o momento musical a que assistiu para defender a importância da música para as crianças.
Quanto ao livro em questão, garante que a editora o iria publicar de qualquer maneira, mas manifesta a sua satisfação por a Câmara e o Governo Civil se terem associado à sua publicação. Até porque, afirma, «os livros infantis têm características próprias», são lidas não apenas as palavras mas também as imagens. Por isso, garante, «se este livro não fosse bom, não o editávamos», até porque, «só editamos livros que valham a pena».
Carmen Zita estava visivelmente emocionada naquela «casa onde cresci e me desenvolvi como cidadã». Diz que «aqui aprendi a trabalhar para o colectivo e a valorizar o indivíduo e o que cada um pode oferecer, individualmente, ao colectivo».
Agradece à Câmara, Governo Civil e ilustradora, mas também a Marçal Grilo que confessa não conhecer pessoalmente mas que admira e que aceitou fazer o posfácio após ter lido o livro que lhe enviou por mail.
De referir ainda que a Associação Promotora do Ensino dos Cegos (APEC) traduziu a obra para Braille, passando desse modo a ficar também disponível para crianças invisuais e para os pais invisuais que desejem ler as histórias aos seus filhos. Esta obra em Braille vai ser oferecida pela autora a cinco bibliotecas do país."
Notícias de Ourém, edição de 12 de Novembro de 2010


13 novembro 2010


A heart that's full up like a landfill
A job that slowly kills you
Bruises that won't heal


You look so tired and
unhappy
Bring down the government
They don't, they don't speak for us
I'll take a quiet life
A handshake of carbon monoxide


No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
Silent silence

This is my final fit, my final bellyache with

No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises please

Such a pretty house and such a pretty garden

No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises (let me out of here)
No alarms and no surprises please (let me out of here)

05 novembro 2010

Let's just breathe



Yes I understand that every life must end,
As we sit alone, I know someday we must go,
I'm a lucky man to count on both hands
The ones I love...

Some folks just have one
Others they got none,

Stay with me
Let's just breathe

Practiced are my sins
Never gonna let me win,
Under everything, just another human being,
Yea, I don't wanna hurt, there's so much in this world
To make me bleed

Stay with me
You're all I see

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean

I wonder everyday
As I look upon your face,
Everything you gave
And nothing you would take,
Nothing you would take
Everything you gave

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
As I come clean

Nothing you would take
Everything you gave
Hold me 'till I die
Meet you on the other side.

04 novembro 2010

O bicho, suas sete cabeças e a sua ilustradora


Sandra Serra nasceu em Luanda, em 1968.
É Designer Gráfica e Ilustradora desde 1994, tendo sido várias vezes mencionada como uma das actuais referências da ilustração infanto-juvenil nacional.
Estudou na ARCO, onde terminou o Curso de Design Gráfico. É sócia, desde 2007, da empresa Espiral Inversa.
É imperioso destacar o trabalho da Sandra Serra, uma excelente profissional, talentosa e criteriosa, qualidades essenciais para que o produto final apresente qualidade estética, funcional e lúdica.
Poder trabalhar com a Sandra Serra foi uma das melhores consequências desta minha incursão pela Literatura Infantil.
Aqui estão (apenas) alguns dos livros ilustrados com a sua mestria:

- “A Carochinha e o João Ratão” – Luísa Ducla Soares – Civilização, 2005;
- “D. Inês de Castro” – Ana Oom (adaptação) – Zero a Oito, 2007;
- “Alana a Bailarina das Águas” – Alice Cardoso – Nova Gaia, 2007;
- “Uma Família Inglesa” – Júlio Dinis (adap. Manuel Jorge Marmelo) – Quasi, 2008;
- “Livro com cheiro a caramelo” – Alice Vieira – Texto Editores, 2008;
- “Os Sapatos do Pai Natal” – José Fanha – Gailivro, 2008;
- “Histórias que contei aos meus filhos” – Fernando Nobre – Oficina do Livro, 2008;
- “A revolta das frases” – Maria Almira Soares – Dom Quixote, 2009;
- “Vamos a votos” – José Jorge Letria – Texto Editores, 2009.

18 outubro 2010

12 outubro 2010

galeria sentimental

Galeria sentimental. Ensaiamos a vida inteira para a mesma geometria, not part of the crowd, but not feeling alone, passamos a acordar mais cedo mas continuamos a desejar não estar com e como os outros, preferimos a contemplação à revolução, a reserva ao curral, estamos mais para a liberdade mesmo assim do que para respirar debaixo de água. Às vezes alguém pergunta queres saber qual é o princípio da paz?, ninguém responde e é quem perguntou que responde é deixarem cada qual em paz, com o desassossego próprio. Mas não pode ser, a sociedade não consente. São por isso a insatisfação e a recriminação, a infelicidade partilhada. Segismundo. Albergue dos danados.

do you feel alive?

11 outubro 2010

is there someting wrong?



"And if I told you that I loved you
You'd maybe think there's something wrong
I'm not a man of too many faces
The mask I wear is one
Those who speak know nothing
And find out to their cost
Like those who curse their luck in too many places
And those who fear are lost ".
Sting

08 outubro 2010

Mario Vargas Llosa



Mario Vargas Llosa nasceu em 1936, em Arequipa, no Peru. Professor universitário, académico e político, é uma personalidade intelectual de grande vulto e um dos mais importantes escritores da América Latina e do mundo.
Prémio Nobel da Literatura em 2010, Mário Vargas Llosa sucede a Herta Müller, Jean-Marie Gustave Le Clézio, Doris Lessing, Orhan Pamuk e Harold Pinter, distinguidos com o galardão nos últimos cinco anos.
Destacamos as seguintes obras do autor, que se encontram editadas em Portugal:
“A guerra do fim do mundo” (Bertrand, 1984);
“História de Mayta” (D. Quixote, 1987);
“A cidade e os cães” (Europa-América, 1977/ Dom Quixote, 2002);
“Quem matou Palomino Molero?” (Dom Quixote, 1988);
“Elogio da madrasta” (Dom Quixote, 1989);
“O falador” (Dom Quixote, 1989);
“A tia Júlia e o escrevedor” (Dom Quixote, 1988);
“Pantaleão e as visitadoras” (Europa-América, 1975/ Dom Quixote. 2001);
“Conversa na catedral” (Europa-América, 1972/ Dom Quixote, 1997);
“Como peixe na água: memórias” (Dom Quixote, 1994);
“Lituma nos Andes” (Dom Quixote, 1994);
“A guerra do fim do mundo” (Círculo de Leitores, 1995);
“Cadernos de Dom Rigoberto” (Dom Quixote, 1998);
“Cartas a um jovem romancista” (Dom Quixote, 2000/Círculo Leitores, 1999);
“A festa do chibo” (Dom Quixote, 2001/ Círculo de Leitores, 2001);
“A casa verde” (Dom Quixote, 2002);
“O paraíso na outra esquina” (Dom Quixote, 2003);
“A tia Júlia e o escrevedor” (Dom Quixote, 2003);
“Travessuras da menina má” (Dom Quixote/Círculo de Leitores, 2006);
“Israel Palestina: paz ou Guerra Santa” (Quasi, 2007);
“Diário do Iraque” (Quasi, 2007).

O seu próximo livro, El Sueño del Celta (O Sonho do Celta), vai ser editado em Portugal, ainda este ano, pela Quetzal, do grupo Porto Editora.

07 outubro 2010

para ti, amiga

«Com a regularidade do costume, faz o Dr. anos este ano no mesmo dia que no ano passado. Admiradores que somos dessa regularidade, que com certeza teria prémio num colégio, não queremos deixar de o felicitar por ela e de lhe desejar que muitas vezes continue no mesmo sistema, sem que alguma cousa o impeça de se declarar muito satisfeito com essa repetição…»
Fernando Pessoa

06 outubro 2010

A poesia não contribui para o PIB, logo, não deve ser subsidiada?

Curiosa com o resultado do debate de hoje, na Culturgest, em Lisboa, deixo o caminho para o artigo de Vítor Belanciano, no Ípsilon, aqui.

24 setembro 2010

Hotel Memória (2007)


TORDO, João. Hotel Memória.Ed. Quidnovi, 2007.


O narrador deste romance é um estudante que, ao chegar a Nova Iorque para uma pós-graduação, conhece na universidade uma rapariga bastante enigmática chamada Kim pela qual se apaixona doidamente.
Apesar de achar que nunca será capaz de a conquistar, acaba por ser correspondido no seu amor, embora não chegue nunca a decifrar inteiramente os mistérios que envolvem a rapariga. É por isso também que a morte desta, brutal e inesperada, o vai encher de culpa e remorso e lançá-lo numa espiral descendente que o transformará num autêntico vagabundo.
É então que, sem dinheiro nem bens, o protagonista chega ao Hotel Memória, um estranho lugar na Baixa de Manhattan que parece destinado a albergar criaturas perdidas; e é também aí que conhece Samuel, um excêntrico milionário que o desafia a procurar um fadista português desaparecido, Daniel da Silva, emigrado para os Estados Unidos na década de sessenta. A pouco e pouco, deparando-se com o inesperado a cada esquina, o narrador vai-se embrenhando nesse mistério por resolver e a busca por Daniel da Silva transforma-se na busca do seu próprio eu, da sua identidade perdida e do seu passado.
Tendo Nova Iorque como pano de fundo, dos anos sessenta até ao presente, e criando a figura inesquecível de Daniel da Silva, o fadista que conquista Manhattan com o seu talento, Hotel Memória é, ao mesmo tempo, um romance de mistério, um policial e uma aventura. Inspirado pela ficção de Edgar Allan Poe e de Melville, que são referências constantes, é um livro ao mesmo tempo intrigante e comovente, que lida com os fantasmas da memória, da culpa e da redenção.


Críticas de imprensa sobre o livro “Hotel Memória”:

“Hotel Memória é um livro cheio de garra, cru e voraz. Nele estão estampados mundos extremos de emoções, desde o mais inebriante amor, a solidão estéril e a dor cáustica. Nele é possível ouvir com clareza a voz do seu autor, João Tordo. Uma voz que vale a pena continuar a acompanhar com toda a atenção.”
Susana Nogueira

“Romance passado em Nova Iorque, com epílogo em São Francisco, impregnado de uma atmosfera tipicamente americana, dotado de um estilo cuidadamente lírico, romântico, que eleva a escrita jornalística corrente (profissão do autor) a literatura, povoado de personagens desenraizadas (mexicanos, ingleses, portugueses, russos, chineses...), de seres inocentes (Kim) e generosos (Manuel) e de seres escabrosos (chineses dos restaurantes; máfia russa substituta da italiana), de prédios em ruínas habitados por famílias arruinadas, cruzando simultaneamente o apelo nostálgico do fado com a vivacidade do jazz e a atmosfera universitária com o ambiente sórdido das ruas dos velhos bairros nova-iorquinos (...) João Tordo retrata nos seus romances os elementos principais das metrópoles do final do século XX. A solidão, o desenraizamento, o abandono existencial, o vazio ontológico, apenas preenchidos pela futilidade, o anonimato e a banalidade do mal, que o herói combate, criando uma vontade de rectidão e justiça (...) Romance de leitura obrigatória, revelando um futuro grande escritor.”
Miguel Real, Jornal de Letras

“Neste regresso, João Tordo confirma o seu talento com um romance que mistura géneros (mistério, policial, aventura. [...] A maioria das personagens são homens e, apesar de se estar dentro de um universo predominantemente masculino, com violência, sexo, drogas e álcool, acabam por ser acções das mulheres a fazer com que as personagens, na sua imensa solidão, sejam levadas ao limite. E quando se atinge o limite o que se faz? Morremos com a lidar com a culpa ou lutamos pela redenção? A resposta está em Hotel Memória.”
Isabel Coutinho, Público

16 setembro 2010

O bom inverno

O lançamento de "O Bom Inverno" terá lugar na Livraria Ler Devagar, em Lisboa, na Lx Factory, hoje, 16 de Setembro, às 19h00. A apresentação fica a cargo de Pilar del Rio.
Quem estiver em Lisboa deve aproveitar. Quem não tiver oportunidade de estar com o escritor hoje, pode fazê-lo no próximo dia 25, pelas 17h00, na Biblioteca Municipal de Ourém.