21 maio 2010

Heidegger and a hippo


“É impossível sentirmos objectivamente a nossa morte e continuarmos a cantar sem desafinar.”
Woody Allen

Comprei (sei que há quem diga por aí que temos de cortar nas coisas supérfluas e eu até concordo; mas a nossa noção de supérfluo é que difere, meus amigos)…
Dizia eu, comprei o livro “Heidegger e um hipopótamo chegam às portas do paraíso”, que saiu no passado mês de Abril, com edição da Dom Quixote/Leya.
O subtítulo do livro avisa: “Através da Filosofia (e de piadas!), explica-se a vida, a morte, a vida depois da morte e todos os entretantos”.
Os autores são Thomas Cathcart e Daniel Klein, que na contracapa aparecem numa fotografia deliciosa, ombro a ombro, vestidos de anjos, em frente a um grande portão, entre nuvens brancas e céu azul.
Comecei a ler o livro assim que o comprei e digo-vos, desconfio que foram os €14,50 mais bem gastos do ano. Logo vos digo se a minha suspeita se confirma.
Por enquanto passeiem por aqui. Parece-me uma boa forma de gastarmos mais uns minutos da nossa vida, antes que ela acabe.

17 maio 2010

(im)provérbios

Ilustração de Flávia Leitão

Convido-vos a ouvir o áudio livro (im)provérbios (para tal basta clicar sobre a capa do livro), com texto de João Manuel Ribeiro, retirado do blog "letra pequena", de Rita Pimenta (com link aqui ao lado).

16 maio 2010

A BRINCAlhaR


João Manuel Ribeiro esteve na Biblioteca Municipal de Ourém.
O contacto com o escritor faz-se com um sorriso nos lábios. As suas histórias, a maneira como o ritmo e a rima surgem naturalmente, até no meio de uma conversa, a forma como as palavras que traz consigo chegam até nós, fazem com que o encontro com o autor seja inesquecível.
Deixo-vos um dos poemas que entoámos, todos juntos, ontem e desafio-vos a acrescentarem, nos comentários, umas quadras "ao jeito" destas, sobre outros animais:

EU TIVE
Eu tive um cãozinho
chamado Alegria,
chorava de noite,
ladrava de dia.

Eu tive um gatinho
chamado Bonifrate,
comia salgados
e bebia chocolate.

Eu tive um ratinho
chamado Pimpolho,
morria por queijo,
marmelada e piolho.

Eu tive um passarinho
chamado Liberdade,
faz tempo que morreu,
ainda sinto saudade.

João Manuel Ribeiro
in Poemas para brincalhar,
Ed, Trinta por uma linha, 2009

11 maio 2010

David Fonseca@Lado B - Videos David Fonseca

Digam lá se há melhor do que isto.

http://www.davidfonseca.com/videos/david-fonsecalado-b/live

Poemas para brincalhar

É já no próximo sábado que o escritor João Manuel Ribeiro vai estar na Biblioteca Municipal de Ourém, pelas 17 horas, para apresentar a sua obra, incluindo o livro “Poemas para brincalhar”.
Os miúdos (e os graúdos) vão poder ouvir o autor, fazer-lhe perguntas, pedir-lhe um autógrafo e até apreciar os originais de algumas das ilustrações usadas nos seus livros infantis.


O livro “Poemas para brincalhar” faz parte da Mini-biblioteca essencial fnac e e conta com as ilustrações de Anabela Dias, cujo trabalho pode também ser admirado no seu blog pessoal anabela ilustra dias.



João Manuel Ribeiro nasceu em Oliveira de Azeméis, em 1968.
É licenciado em Teologia.
Mestre em Teologia Sistemática pela Faculdade de Teologia do Porto, da Universidade Católica Portuguesa, com uma tese sobre "Um Itinerário da Modernidade em Portugal - A Evolução Espiritual de Antero de Quental".
Mestre em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, com dissertação sobre “A Poesia no 1.º Ciclo do Ensino Básico – Das Orientações Curriculares às Decisões Docentes”.
Nesta mesma Faculdade prepara tese de doutoramento em Ciências da Educação sobre “A Poesia na Escola – Organização do Ensino e Compreensão da Literariedade”.
Recentemente tem-se dedicado à escrita para crianças, acompanhando tal processo com um trabalho de dinamização da literatura em Escolas Básicas do 1.º Ciclo e colégios, quer através de oficinas de escrita criativa, quer através de encontros onde diz poesia.
Para crianças publicou: Estrela e Príncipe da Paz (2005), O Encanta Pardais Voador (2006), O Natal do Ratinho Daniel e outros versos (2006), Rondel de Rimas para Meninos e Meninas (2008), A Menina das Rosas (2008), (Im)Provérbios (2008), Poemas da Bicharada (2008), Um, dois, três - Um mês de cada vez (2008), Poemas para Brincalhar (2009), Alfabeto de Adivinhas (2009), Pontos sem nó (2009), Gémeos (2009), A Casa Grande (2009), Romanceiro de Natal (2009, com Vergílio Alberto Vieira) e Raras Aves Raras (2010).
Publicou ainda os seguintes livros de poesia: Regras do mel e da flor (2002), Amores quase perfeitos e outras arritmias (2002), Livro de Explicações (2003), A circulação precoce dos relâmpagos (2007), O Anjo acocorado (2009), Trajectória inconsútil do desejo (2009).

10 maio 2010

outro modo de olhar

Havia em cima do muro da casa
uma vaca deitada ao sol, de pernas para o luar,
um melro depenado, só com uma asa,
uma girafa com dificuldade em respirar

e um menino muito pequenino a sonhar
que nada devia ser assim tão cruel:

Para a vaca inventou um tropel,
para o melro, um céu, ainda que de papel,
para a girafa, uma corrente de ar
e para o poeta, outro modo de olhar.

João Manuel Ribeiro
in “Rondel de rimas para meninos e meninas”
Ed. Trinta por uma linha, 2008, pg 19
(Obra recomendada pelo PNL - Ler+)

João Manuel Ribeiro na Biblioteca Municipal de Ourém


18 abril 2010

Feira do Livro de Ourém - 2010



Feira do Livro de Ourém
De 19 a 25 de Abril
Horários:
Segunda a Quinta-feira – 09h30 às 18h00;
Sexta e Sábado – 10h00 às 24h00;
Domingo – 10h00 às 18h00.

Tenda infantil – Actividades em permanência

19 de Abril
Oficinas pedagógicas:
10h30, 14h30 e 16h30 – “Dança e movimento cénico
11h30 e 15h30 – “Expressão dramática
Dinamizadora: Associação Cultural Dois Pontos
Público-alvo: 3 a 6 anos

20 de Abril
10h30 - Oficina pedagógica sobre Reciclagem
Dinamizadora: Valorlis
Público-alvo: 3 a 10 anos
14h30 – Oficina pedagógica sobre Biodiversidade
Dinamizadora: Quercus
Público-alvo: 3.º CEB e Ensino Secundário

21 de Abril
09h30 e 10h30 – Hora do Conto
“Ver, ouvir e contar histórias de encantar"
Público-alvo: 1.º e 2.º anos do 1.º CEB
14h30 – À conversa com Teresa Rita Lopes
(sobre o livro "A asa e a casa")
Público-alvo: 5.º e 6.º anos (2.º CEB)
16h15 – À conversa com Teresa Rita Lopes
(sobre o livro -"Pessoa Inédito")
Público-alvo: 10.º a 12.º anos (Ensino Secundário)

22 de Abril
09h30 e 10h30 – Hora do Conto
“A minha primeira República"
Público-alvo: 3.º e 4.º anos do 1.º CEB
14h30 – À conversa com Hugo Santos
(sobre o livro “Reaprender a resistir”)
Público-alvo: 10.º a 12.º anos (Ensino Secundário)
16h15 – À conversa com Hugo Santos
(sobre o livro "Eu, a casa, os bichos e outras coisas”)
Público-alvo: 5.º e 6.º anos (2.º CEB)

23 de Abril
10h30 – À conversa com Jorge Ribeiro
(sobre o livro "Lá longe onde o sol castiga mais/
A Guerra Colonial contada aos mais novos")
Público-alvo: 6.º a 9.º anos
14h30 – Teatro na Praça - “O nabo gigante” (popular)
Dinamizador: Clube de Cultura e Artes da Escola Secundária de Ourém
Público-alvo: 3 a 6 anos
20h45 – Actuação do Quarteto de Clarinetes da Ourearte
21h00 – À conversa com Carlos André
(sobre os livros "Caminhos do amor em Roma" e “Teias”)
22h00 – Poesia ao luar – Declamação de poemas de amor
Dinamizador: Grupo de Teatro Apollo
Público-alvo: Adulto

24 de Abril
10h30 – Oficina Pedagógica – Origami
Público-alvo: a partir dos 5 anos
15h30 – Actuação da Orquestra de violinos do Conservatório de Música de Ourém/Fátima
16h00 – À conversa com Coronel Sousa e Castro
(sobre o livro “Capitão de Abril, Capitão de Novembro”)
Público-alvo: Adulto
17h30 – Sessão entre pais sobre filhos e pais – “Comunicar com a criança: a linguagem das emoções
Moderadora: Dr.ª Tânia Pires – Psicóloga
Público-alvo: Pais, educadores e público em geral (inscrições limitadas)
21h00 – Exibição do filme “Bom Povo Português”, de Rui Simões
(Entrada livre - Auditório dos Paços do Concelho/1.º piso)
Público-alvo: Adulto
23h00 – Actuação dos “Velha Gaiteira
24h00 – Grândola Vila Morena

25 de Abril
10h00 – Cerimónia oficial
Fanfarra da Associação H. dos Bombeiros Voluntários de Ourém
Actuação da Filarmónica 1.º de Dezembro Cult. e Art. Reis Prazeres
Actuação do Coral de Fátima do Conserv. de Música de Ourém /Fátima
15h30 – Actuação dos “Mar de Pedra
16h00 – Jogos Tradicionais para filhos e para pais
16h30 – As Fábulas de La Fontaine "O Rato do Campo e o Rato da Cidade" e "A Lebre e a Tartaruga"
À conversa com a Coordenadora da colecção infantil Rita Garrido, a Ilustradora Dila Cid e a Prof. Universitária Maria João Cardona
18h00 – Encerramento da Feira do Livro
21h00 – Concerto de Solidariedade com Carlos Moniz (Cine-Teatro Municipal/Parceria com o jornal “Notícias de Ourém”, a favor do CRIO)

22 março 2010

Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano


Os (con)tributos’2010 continuam neste mês de Março, com o tema "O Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano".Com este encontro a Biblioteca Municipal e a comunidade de leitores pretendem prestar tributo a um dos mais importantes autores do Romantismo em Portugal. Para nos ajudar teremos o convidado, Dr. José António Gaspar. Encontro marcado para as 17horas, do próximo dia 27, na Biblioteca Municipal de Ourém.

Alexandre Herculano de Carvalho Araújo nasceu em Lisboa, a 28 de Março de 1810, no seio de uma família da classe média.Com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do romantismo em Portugal. Os seus primeiros contactos com a literatura ocorreram em ambiente pré-romântico, nos salões da Marquesa de Alorna. Foi ele que introduziu no nosso país o romance histórico, tão característico do romantismo. A inspiração directa veio-lhe naturalmente de Walter Scott e Victor Hugo.Os seus méritos de cidadão, escritor e estudioso eram reconhecidos quase unanimemente pelos seus contemporâneos e foram muitas as honrarias que lhe foram oferecidas. Aceitou algumas de natureza científica, mas as distinções honoríficas recusou-as sempre.Em 1866 casou e pouco depois, retirou-se para a sua quinta de Vale de Lobos, próximo de Santarém. Aí permaneceu até ao fim da vida, ocupado com os seus escritos literários. Foi aí que morreu, a 13 de Setembro de 1877.Da sua obra destacamos “Eurico, o Presbítero”, “O Bobo”, “Lendas e Narrativas”, “O Alcaide de Santarém” e “A Dama de Pé-de-cabra”. Sentimentos violentos, códigos de honra, terrores e maldições perpassam estas histórias trágicas e fantásticas e fazem delas verdadeiras narrativas ao gosto romântico.
José António Gaspar nasceu na aldeia do Sobral, da Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, do Concelho de Ourém, onde só viveu um ano. Viveu sucessivamente na Maxieira, em Boleiros e em Cova da Iria, da Freguesia de Fátima.Frequentou o Seminário Diocesano, desde 1961 até 1973 e cumpriu o serviço militar em Mafra, Setúbal e Lisboa, desde Janeiro de 1974 até Dezembro de 1975.Frequentou a Universidade Católica em 1976 e concluiu o Curso de Teologia no Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra, em 1977.Começou a leccionar na Escola Secundária de Ourém, em 1978, ao mesmo tempo que frequentava o Curso de Línguas e Literaturas Modernas, na Variante de Estudos Portugueses, na Universidade de Coimbra.Entre 1978 e 1981 leccionou no Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Fátima, tendo concluído neste último ano o Curso de Estudos Portugueses, na Universidade de Coimbra.Fez a profissionalização em exercício em Abrantes nos anos lectivos de 82/83 e 83/84 e voltou para a Escola Secundária de Ourém, onde esteve de 84/85 até 97/98.Esteve requisitado na Quercus, a desenvolver projectos de Educação Ambiental, entre 97 e 2001, tendo regressado à Escola Secundária de Ourém em 2001/2002, onde permanece até hoje.Na área da política, fez um mandato como deputado municipal, em Ourém, em representação do Partido Socialista.Na área sociocultural, foi dirigente dos Escuteiros em Leiria e Fátima e pertence, há vinte anos, à Direcção do Núcleo do Ribatejo e Estremadura da Quercus. Fez também parte do grupo de pessoas que lançou a Associação Fátima Cultural. Colabora dispersamente em vários jornais da região.

20 março 2010

a perfeita metáfora de uma semana

“e depois talvez abrisse as portadas para que ele percebesse a generosidade daquela casa e o quanto a usava pelo lado contrário do esperado.”
valter hugo mãe
in o apocalipse dos trabalhadores

03 março 2010

Racismo, nunca!

Ilustração da Paulinha
Quando se olha e vê diferente
aquilo que na verdade é igual
é porque a malta
é porque a gente
sem coração vê muito mal.
E se os olhos, estranhamente,
não reconhecem no “outro” o valor
ficamos sós
e de repente
o mundo perde a sua cor.

Se dúvidas ainda houver
e alguém te fizer a pergunta,
há que saber responder:
Racismo, nunca!

Carmen Zita Ferreira

23 fevereiro 2010

O que é que a Póvoa tem?

Tem correntes de escritas, tem...

(e começa já amanhã)

leitor modelo

“(…) um livro bom não tem idades definidas, tem sim um leitor modelo que será aquele que dele se aproprie. É demasiadamente presunçoso da parte dos adultos afiançarem que há determinados temas de que as crianças não gostam ou não percebem.”
Andreia Brites
No blog o bicho dos livros

21 fevereiro 2010

Moment of surrender

I tied myself with wire
to let the horses run free
playing with the fire
until the fire played with me

The stone was semi precious
we were barely conscious
two souls too smart to be
in the realm of certainty
even on our wedding day

We set ourselves on fire
a girl could not deny her
its not if I believe in love

if love believes in me
oh believe in me

At the moment of surrender
I'm falling to my knees
I did not notice the passers by
and they did not notice me

I’ve been in every black hole
at the alter of a Dark star
my body s now begging
though it’s begging to get back
begging to get back
to my heart
to the rhythm of my soul
to the rhythm of my consciousness
to the rhythm of yes
to be released from control

I was punching in the numbers at the ATM machine
I could see in the reflection
a face staring back at me
at the moment of surrender
a vision over visibility
I did notice the passers by
and they did not notice me

I was speeding off the subway
through the stations of the cross
every eye looking every other way
counting down till the pain will stop

30 janeiro 2010

E agora, o que realmente vale a pena...

Vale a pena ver
castelos no mar alto
vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha.
Pássaros com cores que nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi o que quis ver afinal.

É tão bom uma amizade assim
ai, faz tão bem saber com quem contar
eu quero ir ver quem em quer assim
é bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer.

Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto.
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e no mar as ilhas.
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar.