03 março 2010

Racismo, nunca!

Ilustração da Paulinha
Quando se olha e vê diferente
aquilo que na verdade é igual
é porque a malta
é porque a gente
sem coração vê muito mal.
E se os olhos, estranhamente,
não reconhecem no “outro” o valor
ficamos sós
e de repente
o mundo perde a sua cor.

Se dúvidas ainda houver
e alguém te fizer a pergunta,
há que saber responder:
Racismo, nunca!

Carmen Zita Ferreira

23 fevereiro 2010

O que é que a Póvoa tem?

Tem correntes de escritas, tem...

(e começa já amanhã)

leitor modelo

“(…) um livro bom não tem idades definidas, tem sim um leitor modelo que será aquele que dele se aproprie. É demasiadamente presunçoso da parte dos adultos afiançarem que há determinados temas de que as crianças não gostam ou não percebem.”
Andreia Brites
No blog o bicho dos livros

21 fevereiro 2010

Moment of surrender

I tied myself with wire
to let the horses run free
playing with the fire
until the fire played with me

The stone was semi precious
we were barely conscious
two souls too smart to be
in the realm of certainty
even on our wedding day

We set ourselves on fire
a girl could not deny her
its not if I believe in love

if love believes in me
oh believe in me

At the moment of surrender
I'm falling to my knees
I did not notice the passers by
and they did not notice me

I’ve been in every black hole
at the alter of a Dark star
my body s now begging
though it’s begging to get back
begging to get back
to my heart
to the rhythm of my soul
to the rhythm of my consciousness
to the rhythm of yes
to be released from control

I was punching in the numbers at the ATM machine
I could see in the reflection
a face staring back at me
at the moment of surrender
a vision over visibility
I did notice the passers by
and they did not notice me

I was speeding off the subway
through the stations of the cross
every eye looking every other way
counting down till the pain will stop

30 janeiro 2010

E agora, o que realmente vale a pena...

Vale a pena ver
castelos no mar alto
vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha.
Pássaros com cores que nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi o que quis ver afinal.

É tão bom uma amizade assim
ai, faz tão bem saber com quem contar
eu quero ir ver quem em quer assim
é bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer.

Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto.
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e no mar as ilhas.
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar.

chico-espertismo

Hoje lembro a semana de todos os acontecimentos, de todas as sensações, de todos os sentimentos, em cascata vividos.
A propósito de isto e depois de isto e também de outro acontecimento da semana que hoje termina (sobre o qual não quero escrever aqui) transcrevo as palavras do filósofo José Gil, no livro “Em busca da identidade – o desnorte” (Lisboa, Relógio D’Água Ed., 2009, pg. 32/33) :

“O chico-esperto infringe a lei como se estivesse a cumpri-la, como se fosse uma boa partida sem consequências de maior. (…) À acusação que o pode tornar um alvo da autoridade porque cometeu um delito opõe-se a força da conivência dos costumes, do «direito consuetudinário» que se formou na cabeça dos nossos compatriotas e que aprova secretamente o chico-espertismo. (…) O chico-espertismo, por ser tão generalizado e penetrar tantos domínios, desliza facilmente para a corrupção e para a acção criminosa.”

A mim, o que mais me impressiona é o outro partir do princípio que, de tão generalizado, o chico-espertismo é a atitude de todos os portugueses. Ora, tal não corresponde à verdade.
Ofende-me aquele que presume que o outro (sem nada ter feito para tal) é um chico-esperto. Ofende-me aquele que toma atitudes de manipulação em nome de outro, sem que isso tenha sido solicitado, só porque lhe parece que o chico-espertismo é universal. A este nível, ser habitual, rotineiro e usual, para mim, nada justifica.
E mais não digo.

18 janeiro 2010

“(As) letras com(o) poesia” II

Vitorino A. Ventura, na Biblioteca Municipal de Ourém, no passado dia 16 de Janeiro, numa fotografia de Aurélia Madeira.
Foi a primeira sessão dos (Con)tributos de 2010. Uma sessão interessante que deixa no ar a vontade de voltar à BMO e aos "contributos" que por lá forem passando, de voltar ao livro de Vitorino Ventura (e às suas leituras das letras/poesias que nele analisa) e de voltar às músicas ouvidas também por lá.
Já a seguir uma das minhas preferidas.



13 janeiro 2010

(As) letras com(o) poesia




Os (Con)tributos’2010, na Biblioteca Municipal de Ourém, começam já em Janeiro e na minha opinião, com um interessantíssimo tema: As poéticas do pop/rock em Portugal. Vamos ouvir músicas de poetas portugueses, interpretadas por grupos portugueses. Seremos convidados por Vitorino Almeida Ventura a escutar o texto/poema de cada canção e a procurar nele as funções da obra de arte. A sessão está agendada para 16 de Janeiro (Sábado), pelas 17h. Apresento agora algumas informações sobre o autor convidado e a obra que vem apresentar. Apareçam!




Vitorino A. Ventura, Licenciado em Direito, na UCP e em Literaturas Modernas, na variante de Estudos Portugueses, na UAL, não concluiu, todavia, o Curso de Análise e Composição do Conservatório de Música do Porto. Como voz do grupo U Nu, viu editado:
– A nova portugalidade, Numérica, 1994.
– O regresso dos diabos, Yucca Tree Records, 2000.
Já deu formação em acções para Docentes no Centro de Formação da Maia e de Valongo, entre 2003 e 2005, sobre a lírica pop/rock. Foi convidado, sobre o mesmo tema, a dar um Curso de Verão na Universidade Católica do Porto, em 2008 e 2009.
Paralelamente, já foi formador de Adolescentes, nas Bibliotecas Municipais de Carrazeda de Ansiães, em 2007 e 2008, Gondomar e Tavira, em 2009, estando uma nova formação prevista para a Biblioteca de Almeida Garrett, no Porto.
A convite de António Sérgio, moderou no Festival Super Bock Super Rock a conferência “O futuro da música passa pelos músicos?”, em 2001.
Ainda sobre as Poéticas do Rock, a convite de Fernando Guerreiro e Golgona Anghel, conferenciou na Faculdade de Letras de Lisboa, em Abril de 2009.
Finalmente, no domínio da ficção, publicou:
– Da Cidade neste Corpo (Brasília Editora, 1989).
– Memórias de Ansiães, vol. 2 (audEo, 1998).
– Crónicas de Sancho Pança (Afrontamento, 2007).

Acerca do livro “(As) letras com(o) poesia”
“(As) letras com(o) poesia” (o melhor da pop/rock em Portugal), primeiramente publicado pela Objecto Cardíaco, em 2006, com reedição pela editora Afrontamento, em 2009, constitui-se como um ensaio poético sobre a lírica de António Avelar de Pinho (Banda do Casaco), JP Simões (Belle Chase Hotel), Carlos Tê (Clã), Rui Reininho (GNR), Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Manel Cruz (Ornatos Violeta), Sérgio Godinho e Regina Guimarães (Três Tristes Tigres), que, em muito do produzido, podiam entrar pela porta maior da poesia, nas universidades mesmo.A ideia do livro é levar os participantes, numa espécie de Plano Nacional de Literatura Marginalizada, a escutar (d)o micro-texto linguístico (normalmente, oculto), na canção pluridimensional, uma vez que, como referiu Umberto Eco, in Apocalípticos e Integrados, estão lá todas as funções que Charles Lalo viu na melhor obra de arte: diversão, catarse, técnica, idealização e reforço ou duplicação.

12 janeiro 2010

Capitão Romance



Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim nao toquei em nada
Do que em mim tocou

11 janeiro 2010

Olga Maniés

Há surpresas agradáveis na nossa vida. Conhecer a pintura de Olga Maniés, para mim, foi uma delas.
De 09 a 31 de Janeiro poderão visitar uma exposição da sua pintura, na Galeria Municipal de Ourém.
Natural de Tomar e a residir em Seiça, a autora assume-se como uma “apaixonada pela pintura”. No seu blog pessoal, diz que pintar a transporta para “um mundo mágico onde a expressão de sentimentos acontece sem condicionamentos ou reservas, sem limites de tempo ou espaço”.
Apoiada pelo Movimento Artístico de Coimbra, Olga Maniés tem participado em algumas exposições colectivas e individuais em Portugal e Espanha.
Técnicas: Óleo, aguarela e acrílico. Entrada Livre.
Horário da Galeria: Terça a Domingo, 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.

Ary dos Santos

Homem de ideias fortes, José Carlos Ary dos Santos está imortalizado na sua vasta obra poética e também nas vozes de cantores como Amália, Carlos do Carmo, Fernando Tordo, Simone de Oliveira, Tonicha, Paulo de Carvalho e José Afonso.
Poderão visitar uma exposição sobre o poeta, na Biblioteca Municipal de Ourém, durante o mês de Janeiro em curso.
De segunda a sexta, das 09h00 às 18h00 e no Sábado, dia 16, das 16h00 às 19h00.

03 janeiro 2010

2010

"Um amor, uma carreira, uma revolução:
outras tantas coisas que se começam
sem saber como acabarão"

Jean-Paul Sartre

08 dezembro 2009

Segredos

Corolário de pequenas pétalas alvas,
translúcidas e perfumadas
guardo em secreto esconderijo
longe de piratas amantes de estados de alma perdidos
nos mares vendidos a litro.

Corolário de grandes ilusões coloridas,
opacas e oprimidas
guardo em baú com cadeado,
bem fechado,
perto do meu leito diário e certo
de colchão de segredos recheados.

Quem os não tem guardados,
semeados em terra fértil,
crescendo a cada dia?

Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos,
Ed. Som da Tinta, 2004

04 dezembro 2009

Um olhar científico sobre as aparições de Fátima

No âmbito da actividade (con)tributos será feita a apresentação do Livro: “Videntes e Confidentes, um estudo sobre as aparições de Fátima” da autoria de Aurélio Lopes. A apresentação estará a cargo do Dr. Ernesto Jana, no próximo dia 05 de Dezembro, pelas 17horas, na Biblioteca Municipal de Ourém (Largo Professor Egas Moniz, n.º 12).

Biografia do autor: Investigador e professor do ensino superior, Aurélio Lopes, tem-se debruçado, especialmente, sobre a Antropologia do Sagrado, nomeadamente nas vertentes relacionadas com a religiosidade popular.
Conferencista e articulista em diversos periódicos regionais e nacionais, é autor de mais de duas dezenas de estudos publicados de que se destacam Religião Popular no Ribatejo (1999), O Percurso de Selene: A Lua na Tradição Popular (1996), Tempo de Solstícios (1998), A Face do Caos; Ritos de Subversão na Tradição Portuguesa (2000), O B. I. das Mouras Encantadas (2004), Devoção e Poder nas Festas do Espírito Santo (2004), Bielhas i Chocalheiros na ne Praino Mirandés (2005), A Sagração da Primavera (2007), A Festa dos Bugios no Sobrado; Concelho de Valongo (2008) e A Reconstrução do Sagrado: Religião Popular nos Avieiros da Borda D’ Água (2009).
Actualmente é responsável pelo Observatório Cultura da Associação Civilis e coordenador da Colecção Raízes e Antropologia da Editora Cosmos.

Sinopse do livro: Os fenómenos que usualmente denominamos “aparições”, revestem-se de vicissitudes sociais e culturais multifacetadas, em que se movimentam diversos actores, tanto videntes e devotos, como responsáveis pelos processos de aceitação e integração mais ou menos canónica.
E se as eventuais etapas secundárias, sempre institucionalizadas, se revestem, já, de uma multivalência doutrinária que as respectivas conjunturas vão acarretando, os testemunhos primários, constituem quase sempre uma emanação directa das personalidades dos videntes, numa conjuntura cultural bem definida.
Poder-se-á dizer-se, assim, que as aparições constituem eclosões epifânicas decorrentes de determinadas condições sociais, assentes em catalisadores culturais específicos e tendo como elemento polarizador a personalidade (não perversa, nem patológica, mas singular no seu psiquismo) do respectivo vidente!
Singularidades na relação dos homens com Deus, constituem momentos marcados pelo excepcional; pelo prodigioso.
Momentos em que a relação normal se mostra insuficiente perante a excepcionalidade ou a gravidade da ocasião. Em que a divindade resolve atalhar os canais normais de comunicação e falar, directamente, com os Homens.
São, muitas vezes, mensagens de aviso e alerta, face a um desvio devocional ou comportamental, ou um institucional religioso que tende para a estagnação e formalização ou, para um domínio, cada vez maior, da letra da lei.
Tais hierofanias radicam em pressupostos vários (tanto estruturais como conjunturais) que na conexão socio-cultural imbricam necessariamente. Os tempos são normalmente de crise social, moral ou política. Os videntes são frequentemente pessoas simples, de formação cultural baixa, emotivos e impressionáveis, levando muitas vezes uma existência dura e boçal, quantas vezes sofrida, sem perspectivas de melhoria.
Para eles o mundo é, ainda, palco de uma luta entre o bem e o mal. Luta perpétua, em que o mal confere, de alguma forma, sentido ao bem, não obstante, dever ser periodicamente vencido (ou, pelo menos, contido) em sucessivos confrontos que antecipam o confronto final e, onde, cada um, é suposto ter um papel a desempenhar.
A aparição proporciona-lhes uma importante ruptura com o quotidiano. Uma importância que os resgata à banalidade prosaica da sua existência e confere, de alguma forma, uma razão de ser, ao seu sofrimento. Fátima, naturalmente, não foge à regra.