15 novembro 2009
Ontem foi assim...
13 novembro 2009
Cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
11 novembro 2009
Dinossáurio carnívoro passou por Ourém

10 novembro 2009
Ode
Understand the things I say,
don't turn away from me,
'Cause I've spent half my life out there,
you wouldn't disagree.
Do you see me? Do you see?
Do you like me? Do you like me standing there?
Do you notice? Do you know?
Do you see me? Do you see me?
Does anyone care?
Unhappiness where's when I was young,
And we didn't give a damn,
'Cause we were raised,
To see life as fun and take it if we can.
My mother, my mother,
She hold me, she hold me, when I was out there.
My father, my father,
He liked me, oh, he liked me.
Does anyone care?
Understand what I've become, it wasn't my design.
And people ev'rywhere think, something better than I am.
But I miss you, I miss, 'cause I liked it,
'Cause I liked it, when I was out there.
Do you know this?
Do you know you did not find me. You did not find.
Does anyone care?
Unhappiness where's when I was young,
And we didn't give a damn,
'Cause we were raised,
To see life as fun and take it if we can.
My mother, my mother,
She hold me, she hold me, when I was out there.
My father, my father,
He liked me, oh, he liked me.
Does anyone care?
09 novembro 2009
nunca é demais falar das árvores felizes
Fotografia de Gonzalesfalar dos braços que
percorrem corpos.
Das amêndoas em
flor. Das árvores
felizes. Nunca é
demais repetir a
beleza esfuziante.
E que fazer perante
o corpo que envelhece,
o sonho que se trai,
o perdão que não
houve; como
entender o outro
lado da fronteira
onde o medo e a
morte espreitam?
Cecília Barreira
in 7&10,
Europress, 2003, pg. 15
30 outubro 2009
novo horizonte
Fotografia de Nuno Abreu 28 outubro 2009
26 outubro 2009
“Amigo” (recordam-se, vocês aí,
in “No Reino da Dinamarca”
21 outubro 2009
Pretérito (im)perfeito
Hugo Von Hofmannsthal.
Livro dos amigos. Assírio & Alvim, 2002, pg.69
20 outubro 2009
19 outubro 2009
16 outubro 2009
Proposta mais do que decente
Richard Zimler estará amanhã na Livraria Arquivo, em Leiria, a partir das 17h00.
Quem me quer acompanhar até lá?
Na última década publicou sete romances, uma colectânea de contos e um livro par
a crianças, “Dança Quando Chegares ao Fim - Bons conselhos de amigos animais”, com ilustrações de Bernardo Carvalho (Ed. Caminho/2009). Acerca do livro “Os anagramas de Varsóvia” (sinopse oficial):
“Um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade.
No Outono de 1940, os nazis encerraram quatrocentos mil judeus numa pequena área da capital da Polónia, criando uma ilha urbana cortada do mundo exterior. Erik Cohen, um velho psiquiatra, é forçado a mudar-se para um minúsculo apartamento com a sobrinha e o seu adorado sobrinho-neto de nove anos, Adam.
Num dia de frio cortante, Adam desaparece. Na manhã seguinte, o seu corpo é descoberto na vedação de arame farpado que rodeia o gueto. Uma das pernas do rapaz foi cortada e um pequeno pedaço de cordel deixado na sua boca. Por que razão terá o cadáver sido profanado? Erik luta contra a sua raiva avassaladora e o seu desespero jurando descobrir o assassino do sobrinho para vingar a sua morte. Um amigo de infância, Izzy, cuja coragem e sentido de humor impedem Erik de perder a confiança, junta-se-lhe nessa busca perigosa e desesperada.
Em breve outro cadáver aparece - desta vez o de uma rapariga, a quem foi cortada uma das mãos. As provas começam a apontar para um traidor judeu que atrai crianças para a morte. Neste thriller histórico profundamente comovente e sombrio, Erik e Izzy levam o leitor até aos recantos mais proibidos de Varsóvia e aos mais heróicos recantos do coração humano.”

13 outubro 2009
rapaz solteiro procura rapariga interessada
fazem tudo de propósito. é um
modo de dizer que o propósito das
raparigas são os rapazes, e que não
pensam em mais nada. a norma
vai zangar-se quando ler este poema,
seguramente sentirá que sou
machista e que menorizei a nossa
conversa. as raparigas, segundo o que
observei, são diferentes da minha
amiga, não afirmam muitas coisas,
esperam para ver e avançam em
desespero. as raparigas, tenho a certeza,
teriam muito que aprender com a
norma, assim se mantivessem mais
decididas e estáveis em cada momento
eu queria encontrar uma rapariga como a
norma que, sem dúvidas, me suportasse num
casamento eterno e me fizesse pensar tudo
ao contrário do que penso agora
valter hugo mãe
in folclore íntimo,
Cosmorama, 2008, pg. 76
12 outubro 2009
Funeral de Edgar Allan Poe 160 anos depois da sua morte
Passados 160 anos da sua morte, a cidade de Baltimor decidiu dar a Allan Poe um funeral digno do nome do autor. 11 outubro 2009
08 outubro 2009
Herta Müller vence Prémio Nobel da Literatura
Boneca de pano-encantado V
de um vestido de pano
numa boneca de pano-encantado,
feito de trapos,
remendado,
com emendas sucessivas,
impostas pela sucessão dos dias.
Revolvem-se as cores
que se foram gastando com o tempo,
como o foram o brilho do seu sorriso fingido,
a beleza do seu velho vestido
e as suas mãos, que se tornaram frias.
Dir-se-ia tratar-se de uma boneca condenada
com a raiva de viver em sorrisos ocultada.
Dir-se-ia ser uma imagem da apatia
de uma boneca de vida vazia.
E tudo o que se diga não vai chegar
porque se está a falar
de uma boneca que queria revestir-se
não de pano mas de mar.
São os sonhos que a mantêm
numa prateleira à espera
de dias compridos
em que o Sol a deixe falar com os deuses
que seus mitos possam cristalizar.
São os sonhos que lhe revolvem os folhos
debotados pelo tic-tac contínuo
do livro onde sem querer
esta boneca de encantado-pano acabou por entrar.
São os sonhos
que admitem remendos no vestido,
no seu corpo,
no seu corpo desde sempre remendado.
São os sonhos
e a imagem de um mundo
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, Ed. Som da Tinta, 2004
06 outubro 2009
26 setembro 2009
16 setembro 2009
Roberto Bolaño e o seu 2666
Roberto Bolaño 15 setembro 2009
Emigração

Neste “quarto” já se sente curiosidade em ver como tratará o autor um tema que tanto diz aos portugueses, em geral e às colaboradoras deste espaço, em particular.
Até lá ficamos com um poema do autor.
QUARTO
Os posters, colados com fita-cola,
arderam nas paredes. Os ursos de
peluche fecharam os braços e, por
quase nada, arderam sobre a cama.
Os cartões de estudante antigos, os
postais de férias e os três poemas
passados a limpo arderam dentro
da gaveta da mesinha-de-cabeceira.
Fiz dezasseis anos, chegou o verão e
os bombeiros não tiveram meios
técnicos e humanos suficientes.
José Luís Peixoto
in Gaveta de Papéis,
Prémio Daniel Faria 2008, Edições Quasi, 2008
14 setembro 2009
Boneca de pano-encantado IV
Teus trajes são sonhos,
tua fantasia é nada.
Da tua quimera
perdida e desencantada
não podes exigir nada mais do que horror.
De que esperas?
Crescer não poderá ser solução.
Estagnada à beira do pontão
que deixa a tua ilha e entra no mar,
brinca.
Deixa cair teu corpo,
entra no atraente brilho molhado,
não lutes contra as ondas,
despede-te de teu navio ancorado
e todos pensarão
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg.25
12 setembro 2009
Boneca de pano-encantado III

veio uma boneca-de-pano-encantado,
que as nuvens sempre quis habitar
e nunca outro lado.
Que viagens de perdição acolheu
nestes dias em que no seu reino não choveu.
A vertigem da subida ao céu
ofereceu-lhe a loucura.
Vertigem de sentir demais,
vertigem de sentir ser a mais a dor que a consome.
Regresso às nuvens.
Boneca que de fantasia tem fome
das nuvens fez sua casa.
Boneca sem vida,
viver nas nuvens pode ser bom
mas o Sol que aquece,
In Jogo de Espelhos,
2004, Ed. Som da Tinta, pg. 23
11 setembro 2009
05 setembro 2009
Boneca de pano-encantado II

que vivia perdida em labirintos de simulações,
acordou diferente uma manhã
desconhecendo as razões.
Suas pernas de trapo desapareceram,
substituiu-as uma cauda sedosa.
Um cabelo forte e rebelde,
suas tranças cor-de-rosa.
Seus olhos fixos, de boneca encantada,
por olhos vivos, como os de quem não quer perder nada.
Suas mãos sem dedos e de algodão
por dez dedos que anseiam tocar marés.
As penas, que habitavam seu coração
por mil desejos, de ter o mundo a seus pés.
Dezenas de bonecos companheiros
por um golfinho só para encantar.
O pó de suas prateleiras
pelo encanto do seu infinito mar.
A escuridão das ausentes estrelas
por uma pura luz... Pelo luar.
Uma simples boneca de encantados trapos,
a quem quedavam sonhos, planos e vida
acolheu a essência de cada dia,
para nunca ter uma jornada perdida.
Substituiu castelos
por mar, Sol e areia.
Não, já não é uma boneca.
Não, hoje acordou sereia.
In Jogo de Espelhos, 2004,




