16 outubro 2009

Proposta mais do que decente


Richard Zimler estará amanhã na Livraria Arquivo, em Leiria, a partir das 17h00.
Quem me quer acompanhar até lá?


Richard Zimler nasceu em Nova Iorque em 1956. É licenciado em Religião Comparada pela Duke University e mestre em jornalismo pela Stanford University. Vive no Porto desde 1990, onde é professor de jornalismo. Traduziu para Inglês alguns poetas portugueses contemporâneos, entre os quais Al Berto e Pedro Tamen. Em 2002 naturalizou-se português.
Na última década publicou sete romances, uma colectânea de contos e um livro para crianças, “Dança Quando Chegares ao Fim - Bons conselhos de amigos animais”, com ilustrações de Bernardo Carvalho (Ed. Caminho/2009).
O Último Cabalista de Lisboa” (Ed. Oceanos/2007) é o seu mais conhecido trabalho e “Os anagramas de Varsóvia” (Ed. Oceanos/2009) o seu mais recente romance.


Acerca do livro “Os anagramas de Varsóvia” (sinopse oficial):
“Um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade.
No Outono de 1940, os nazis encerraram quatrocentos mil judeus numa pequena área da capital da Polónia, criando uma ilha urbana cortada do mundo exterior. Erik Cohen, um velho psiquiatra, é forçado a mudar-se para um minúsculo apartamento com a sobrinha e o seu adorado sobrinho-neto de nove anos, Adam.
Num dia de frio cortante, Adam desaparece. Na manhã seguinte, o seu corpo é descoberto na vedação de arame farpado que rodeia o gueto. Uma das pernas do rapaz foi cortada e um pequeno pedaço de cordel deixado na sua boca. Por que razão terá o cadáver sido profanado? Erik luta contra a sua raiva avassaladora e o seu desespero jurando descobrir o assassino do sobrinho para vingar a sua morte. Um amigo de infância, Izzy, cuja coragem e sentido de humor impedem Erik de perder a confiança, junta-se-lhe nessa busca perigosa e desesperada.
Em breve outro cadáver aparece - desta vez o de uma rapariga, a quem foi cortada uma das mãos. As provas começam a apontar para um traidor judeu que atrai crianças para a morte. Neste thriller histórico profundamente comovente e sombrio, Erik e Izzy levam o leitor até aos recantos mais proibidos de Varsóvia e aos mais heróicos recantos do coração humano.”

13 outubro 2009

rapaz solteiro procura rapariga interessada

a norma diz que as raparigas
fazem tudo de propósito. é um
modo de dizer que o propósito das
raparigas são os rapazes, e que não
pensam em mais nada. a norma
vai zangar-se quando ler este poema,
seguramente sentirá que sou
machista e que menorizei a nossa
conversa. as raparigas, segundo o que
observei, são diferentes da minha
amiga, não afirmam muitas coisas,
esperam para ver e avançam em
desespero. as raparigas, tenho a certeza,
teriam muito que aprender com a
norma, assim se mantivessem mais
decididas e estáveis em cada momento

eu queria encontrar uma rapariga como a
norma que, sem dúvidas, me suportasse num
casamento eterno e me fizesse pensar tudo
ao contrário do que penso agora

valter hugo mãe
in folclore íntimo,
Cosmorama, 2008, pg. 76

08 outubro 2009

Herta Müller vence Prémio Nobel da Literatura



A escritora romena naturalizada alemã Herta Müller é a vencedora do Prémio Nobel de Literatura 2009. A Academia sueca sublinha que Herta Müller consegue, "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados".
A autora conta com dois livros publicados em Portugal: "O homem é um grande faisão sobre a terra", com tradução de Maria Antonieta C. Mendonça (Cotovia, 1993) e "A terra das ameixas verdes", com tradução de Maria Alexandra A. Lopes (Difel, 1999).

Boneca de pano-encantado V

Revolvem-se os folhos
de um vestido de pano
numa boneca de pano-encantado,
feito de trapos,
remendado,
com emendas sucessivas,
impostas pela sucessão dos dias.

Revolvem-se as cores
que se foram gastando com o tempo,
como o foram o brilho do seu sorriso fingido,
a beleza do seu velho vestido
e as suas mãos, que se tornaram frias.
Dir-se-ia tratar-se de uma boneca condenada
com a raiva de viver em sorrisos ocultada.
Dir-se-ia ser uma imagem da apatia
de uma boneca de vida vazia.
E tudo o que se diga não vai chegar
porque se está a falar
de uma boneca que queria revestir-se
não de pano mas de mar.
São os sonhos que a mantêm
numa prateleira à espera
de dias compridos
em que o Sol a deixe falar com os deuses
que seus mitos possam cristalizar.
São os sonhos que lhe revolvem os folhos
debotados pelo tic-tac contínuo
do livro onde sem querer
esta boneca de encantado-pano acabou por entrar.

São os sonhos
que admitem remendos no vestido,
no seu corpo,
no seu corpo desde sempre remendado.
São os sonhos
e a imagem de um mundo
também ele encantado.

Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, Ed. Som da Tinta, 2004

16 setembro 2009

Roberto Bolaño e o seu 2666

Roberto Bolaño
Faltam 09 dias e 07 horas para podermos ter acesso à edição em Língua Portuguesa do livro que é considerado o maior fenómeno literário da última década.

15 setembro 2009

Emigração


Fotografia de Maria José Ramôa


Em Março de 2010 será lançado o novo romance de José Luís Peixoto, com o título “Livro”, que trata o tema da emigração portuguesa para França, nos anos 60.
Neste “quarto” já se sente curiosidade em ver como tratará o autor um tema que tanto diz aos portugueses, em geral e às colaboradoras deste espaço, em particular.
Até lá ficamos com um poema do autor.

QUARTO
Os posters, colados com fita-cola,
arderam nas paredes. Os ursos de
peluche fecharam os braços e, por
quase nada, arderam sobre a cama.
Os cartões de estudante antigos, os
postais de férias e os três poemas
passados a limpo arderam dentro
da gaveta da mesinha-de-cabeceira.
Fiz dezasseis anos, chegou o verão e
os bombeiros não tiveram meios
técnicos e humanos suficientes.

José Luís Peixoto
in Gaveta de Papéis,
Prémio Daniel Faria 2008, Edições Quasi, 2008

14 setembro 2009

Boneca de pano-encantado IV

Fotografia de Nuno Estrela


Brinca, boneca-de-pano-encantado.
Teus trajes são sonhos,
tua fantasia é nada.
Da tua quimera
perdida e desencantada
não podes exigir nada mais do que horror.
De que esperas?
Crescer não poderá ser solução.
Estagnada à beira do pontão
que deixa a tua ilha e entra no mar,
brinca.
Deixa cair teu corpo,
entra no atraente brilho molhado,
não lutes contra as ondas,
despede-te de teu navio ancorado
e todos pensarão
que continuas a brincar.

Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,

Ed. Som da Tinta, pg.25

12 setembro 2009

Boneca de pano-encantado III


Fotografia de Sérgio Simões

De regresso às nuvens
veio uma boneca-de-pano-encantado,
que as nuvens sempre quis habitar
e nunca outro lado.

Que viagens de perdição acolheu
nestes dias em que no seu reino não choveu.

A vertigem da subida ao céu
ofereceu-lhe a loucura.

Vertigem de sentir demais,
vertigem de sentir ser a mais a dor que a consome.

Regresso às nuvens.
Aventura.
Boneca que de fantasia tem fome
das nuvens fez sua casa.
Boneca sem vida,
viver nas nuvens pode ser bom
mas o Sol que aquece,
por vezes abrasa.


Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos,
2004, Ed. Som da Tinta, pg. 23

05 setembro 2009

Boneca de pano-encantado II




Fotografia de Julia Kan

Uma boneca de pano-encantado,
que vivia perdida em labirintos de simulações,
acordou diferente uma manhã
desconhecendo as razões.

Suas pernas de trapo desapareceram,
substituiu-as uma cauda sedosa.
Um cabelo forte e rebelde,
suas tranças cor-de-rosa.
Seus olhos fixos, de boneca encantada,
por olhos vivos, como os de quem não quer perder nada.
Suas mãos sem dedos e de algodão
por dez dedos que anseiam tocar marés.
As penas, que habitavam seu coração
por mil desejos, de ter o mundo a seus pés.
Dezenas de bonecos companheiros
por um golfinho só para encantar.
O pó de suas prateleiras
pelo encanto do seu infinito mar.
A escuridão das ausentes estrelas
por uma pura luz... Pelo luar.
Uma simples boneca de encantados trapos,
a quem quedavam sonhos, planos e vida
acolheu a essência de cada dia,
para nunca ter uma jornada perdida.

Substituiu castelos
por mar, Sol e areia.
Não, já não é uma boneca.
Não, hoje acordou sereia.


Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg.19

27 agosto 2009

Boneca de pano-encantado - I

Fotografia de Gabriela C. Bertão


Sorri, boneca de pano-encantado!
Mostra que, apesar de não a teres sonhado,
acolhes a realidade que hoje vives.

Sorri, pois estão a olhar para ti.
Ninguém se importa se quer chorar quem ri
sonhando um longínquo paraíso acordado.

Olha a multidão que não te olha,
vê como estás só neste sufoco de gente.
Vê como no fundo és tão diferente.

Luta, boneca, luta,
por aquilo que querem que vás lutar,
por aquilo que nunca ambicionaste amar.

Luta, por alguém que há-de vir
por alguém que vai ter de sorrir
mesmo que, no fundo, queira chorar.

Serão teus filhos?
Saberão eles quais são os perigos
de não se sorrir, quando se não quer?
Saberão eles que, se forem “mulher”
o mundo pouco terá para lhes oferecer,
apenas imposições, dores e castigos?

Sorri, boneca de pano-encantado!
Acaba de escrever, põe o pensamento de lado
e a tua cara decora com sorrisos.

Podes escrever... pouco... mas podes.
Não podes é ambicionar ou querer
que depois alguém dê valor ao que vai ler.

És mulher: o que podes fazer é ensinar.
Ensinar a ler, ensinar a amar,
ensinar a ver a luz que te consome.

Consomes, tu, a luz de um doce olhar,
consomes o gosto de um salgado mar
e mesmo sem os teres, deves sorrir.

Sorri boneca de pano-encantado!
Encara o futuro,
liberta-te do passado.
lembra-te que ainda pode haver
um porto seguro
e recatado,
que acolha o teu sorrir,
o teu viver.
Lembra-te de que “a esperança
é a última a morrer”.



Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg. 17

17 agosto 2009

passado

“Mas a verdade é que ainda hoje acredito que as coisas podiam ter sido diferentes se eu não me tivesse precipitado nos gestos ou na revelação. Que decerto o erro foi meu e é por ele, afinal, que estou a pagar.”

Maria do Rosário Pedreira
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67

13 agosto 2009

Há temas para crianças?

“(…) um livro bom não tem idades definidas, tem sim um leitor modelo que será aquele que dele se aproprie. É demasiadamente presunçoso da parte dos adultos afiançarem que há determinados temas de que as crianças não gostam ou não percebem.”
Andreia Brites
No blog o bicho dos livros

12 agosto 2009

futuro

“Quero pouco saber do meu destino porque, depois de se ser feliz, qualquer falta é a falta de tudo.”

valter hugo mãe
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67

antefuturo



Inauguração no próximo Domingo, dia 16, pelas 17horas.

04 agosto 2009

Foto procura legenda

Com a arte do Nuno Abreu

Às vezes a janela que se devia abrir quando se fecha uma porta tem de ser partida por nós.



Sinto-me atraída pelo movimento das águas,
Como se lhes invejasse a corrente,
O incansável correr,
Por um leito perfeito.
Essa força que vence barreiras,
Esse constante anseio pelo MAR!
Sinto-me atraída pelo seu brilho,
Como se lhes invejasse a cor,
A altiva transparência,
Por trás de um verde...
Esse verde cor-de-sonho,
Essa vontade de ser, um dia, AZUL!
Sinto...
Que bom é sentir,
Uma vez mais,
Uma vez mais,
Uma vez mais.

Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004, Ed. Som da Tinta

Livros irresistíveis para os mais novos (e não só)


Os escritores Alice Vieira, Ana Maria Magalhães, Luísa Fortes da Cunha e Álvaro Magalhães recomendam leituras que prometem agarrar as crianças da primeira à última página. Para aceder a essa informação basta vir connosco por aqui.