Passados 160 anos da sua morte, a cidade de Baltimor decidiu dar a Allan Poe um funeral digno do nome do autor. 12 outubro 2009
Funeral de Edgar Allan Poe 160 anos depois da sua morte
Passados 160 anos da sua morte, a cidade de Baltimor decidiu dar a Allan Poe um funeral digno do nome do autor. 11 outubro 2009
08 outubro 2009
Herta Müller vence Prémio Nobel da Literatura
A escritora romena naturalizada alemã Herta Müller é a vencedora do Prémio Nobel de Literatura 2009. A Academia sueca sublinha que Herta Müller consegue, "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados".
A autora conta com dois livros publicados em Portugal: "O homem é um grande faisão sobre a terra", com tradução de Maria Antonieta C. Mendonça (Cotovia, 1993) e "A terra das ameixas verdes", com tradução de Maria Alexandra A. Lopes (Difel, 1999).
Boneca de pano-encantado V
Revolvem-se os folhos
de um vestido de pano
numa boneca de pano-encantado,
feito de trapos,
remendado,
com emendas sucessivas,
impostas pela sucessão dos dias.
Revolvem-se as cores
que se foram gastando com o tempo,
como o foram o brilho do seu sorriso fingido,
a beleza do seu velho vestido
e as suas mãos, que se tornaram frias.
Dir-se-ia tratar-se de uma boneca condenada
com a raiva de viver em sorrisos ocultada.
Dir-se-ia ser uma imagem da apatia
de uma boneca de vida vazia.
E tudo o que se diga não vai chegar
porque se está a falar
de uma boneca que queria revestir-se
não de pano mas de mar.
São os sonhos que a mantêm
numa prateleira à espera
de dias compridos
em que o Sol a deixe falar com os deuses
que seus mitos possam cristalizar.
São os sonhos que lhe revolvem os folhos
debotados pelo tic-tac contínuo
do livro onde sem querer
esta boneca de encantado-pano acabou por entrar.
São os sonhos
que admitem remendos no vestido,
no seu corpo,
no seu corpo desde sempre remendado.
São os sonhos
e a imagem de um mundo
também ele encantado.de um vestido de pano
numa boneca de pano-encantado,
feito de trapos,
remendado,
com emendas sucessivas,
impostas pela sucessão dos dias.
Revolvem-se as cores
que se foram gastando com o tempo,
como o foram o brilho do seu sorriso fingido,
a beleza do seu velho vestido
e as suas mãos, que se tornaram frias.
Dir-se-ia tratar-se de uma boneca condenada
com a raiva de viver em sorrisos ocultada.
Dir-se-ia ser uma imagem da apatia
de uma boneca de vida vazia.
E tudo o que se diga não vai chegar
porque se está a falar
de uma boneca que queria revestir-se
não de pano mas de mar.
São os sonhos que a mantêm
numa prateleira à espera
de dias compridos
em que o Sol a deixe falar com os deuses
que seus mitos possam cristalizar.
São os sonhos que lhe revolvem os folhos
debotados pelo tic-tac contínuo
do livro onde sem querer
esta boneca de encantado-pano acabou por entrar.
São os sonhos
que admitem remendos no vestido,
no seu corpo,
no seu corpo desde sempre remendado.
São os sonhos
e a imagem de um mundo
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, Ed. Som da Tinta, 2004
06 outubro 2009
26 setembro 2009
16 setembro 2009
Roberto Bolaño e o seu 2666
Roberto Bolaño Faltam 09 dias e 07 horas para podermos ter acesso à edição em Língua Portuguesa do livro que é considerado o maior fenómeno literário da última década.
15 setembro 2009
Emigração

Fotografia de Maria José Ramôa
Em Março de 2010 será lançado o novo romance de José Luís Peixoto, com o título “Livro”, que trata o tema da emigração portuguesa para França, nos anos 60.
Neste “quarto” já se sente curiosidade em ver como tratará o autor um tema que tanto diz aos portugueses, em geral e às colaboradoras deste espaço, em particular.
Até lá ficamos com um poema do autor.
QUARTO
Os posters, colados com fita-cola,
arderam nas paredes. Os ursos de
peluche fecharam os braços e, por
quase nada, arderam sobre a cama.
Os cartões de estudante antigos, os
postais de férias e os três poemas
passados a limpo arderam dentro
da gaveta da mesinha-de-cabeceira.
Fiz dezasseis anos, chegou o verão e
os bombeiros não tiveram meios
técnicos e humanos suficientes.
José Luís Peixoto
in Gaveta de Papéis,
Prémio Daniel Faria 2008, Edições Quasi, 2008
Neste “quarto” já se sente curiosidade em ver como tratará o autor um tema que tanto diz aos portugueses, em geral e às colaboradoras deste espaço, em particular.
Até lá ficamos com um poema do autor.
QUARTO
Os posters, colados com fita-cola,
arderam nas paredes. Os ursos de
peluche fecharam os braços e, por
quase nada, arderam sobre a cama.
Os cartões de estudante antigos, os
postais de férias e os três poemas
passados a limpo arderam dentro
da gaveta da mesinha-de-cabeceira.
Fiz dezasseis anos, chegou o verão e
os bombeiros não tiveram meios
técnicos e humanos suficientes.
José Luís Peixoto
in Gaveta de Papéis,
Prémio Daniel Faria 2008, Edições Quasi, 2008
14 setembro 2009
Boneca de pano-encantado IV
Fotografia de Nuno Estrela
Brinca, boneca-de-pano-encantado.
Teus trajes são sonhos,
tua fantasia é nada.
Da tua quimera
perdida e desencantada
não podes exigir nada mais do que horror.
De que esperas?
Crescer não poderá ser solução.
Estagnada à beira do pontão
que deixa a tua ilha e entra no mar,
brinca.
Deixa cair teu corpo,
entra no atraente brilho molhado,
não lutes contra as ondas,
despede-te de teu navio ancorado
e todos pensarão
Teus trajes são sonhos,
tua fantasia é nada.
Da tua quimera
perdida e desencantada
não podes exigir nada mais do que horror.
De que esperas?
Crescer não poderá ser solução.
Estagnada à beira do pontão
que deixa a tua ilha e entra no mar,
brinca.
Deixa cair teu corpo,
entra no atraente brilho molhado,
não lutes contra as ondas,
despede-te de teu navio ancorado
e todos pensarão
que continuas a brincar.
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg.25
12 setembro 2009
Boneca de pano-encantado III

Fotografia de Sérgio Simões
De regresso às nuvens
veio uma boneca-de-pano-encantado,
que as nuvens sempre quis habitar
e nunca outro lado.
Que viagens de perdição acolheu
nestes dias em que no seu reino não choveu.
A vertigem da subida ao céu
ofereceu-lhe a loucura.
Vertigem de sentir demais,
vertigem de sentir ser a mais a dor que a consome.
Regresso às nuvens.
veio uma boneca-de-pano-encantado,
que as nuvens sempre quis habitar
e nunca outro lado.
Que viagens de perdição acolheu
nestes dias em que no seu reino não choveu.
A vertigem da subida ao céu
ofereceu-lhe a loucura.
Vertigem de sentir demais,
vertigem de sentir ser a mais a dor que a consome.
Regresso às nuvens.
Aventura.
Boneca que de fantasia tem fome
das nuvens fez sua casa.
Boneca sem vida,
viver nas nuvens pode ser bom
mas o Sol que aquece,
Boneca que de fantasia tem fome
das nuvens fez sua casa.
Boneca sem vida,
viver nas nuvens pode ser bom
mas o Sol que aquece,
por vezes abrasa.
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos,
2004, Ed. Som da Tinta, pg. 23
In Jogo de Espelhos,
2004, Ed. Som da Tinta, pg. 23
11 setembro 2009
05 setembro 2009
Boneca de pano-encantado II

Fotografia de Julia Kan
Uma boneca de pano-encantado,
que vivia perdida em labirintos de simulações,
acordou diferente uma manhã
desconhecendo as razões.
Suas pernas de trapo desapareceram,
substituiu-as uma cauda sedosa.
Um cabelo forte e rebelde,
suas tranças cor-de-rosa.
Seus olhos fixos, de boneca encantada,
por olhos vivos, como os de quem não quer perder nada.
Suas mãos sem dedos e de algodão
por dez dedos que anseiam tocar marés.
As penas, que habitavam seu coração
por mil desejos, de ter o mundo a seus pés.
Dezenas de bonecos companheiros
por um golfinho só para encantar.
O pó de suas prateleiras
pelo encanto do seu infinito mar.
A escuridão das ausentes estrelas
por uma pura luz... Pelo luar.
Uma simples boneca de encantados trapos,
a quem quedavam sonhos, planos e vida
acolheu a essência de cada dia,
para nunca ter uma jornada perdida.
Substituiu castelos
por mar, Sol e areia.
Não, já não é uma boneca.
Não, hoje acordou sereia.
que vivia perdida em labirintos de simulações,
acordou diferente uma manhã
desconhecendo as razões.
Suas pernas de trapo desapareceram,
substituiu-as uma cauda sedosa.
Um cabelo forte e rebelde,
suas tranças cor-de-rosa.
Seus olhos fixos, de boneca encantada,
por olhos vivos, como os de quem não quer perder nada.
Suas mãos sem dedos e de algodão
por dez dedos que anseiam tocar marés.
As penas, que habitavam seu coração
por mil desejos, de ter o mundo a seus pés.
Dezenas de bonecos companheiros
por um golfinho só para encantar.
O pó de suas prateleiras
pelo encanto do seu infinito mar.
A escuridão das ausentes estrelas
por uma pura luz... Pelo luar.
Uma simples boneca de encantados trapos,
a quem quedavam sonhos, planos e vida
acolheu a essência de cada dia,
para nunca ter uma jornada perdida.
Substituiu castelos
por mar, Sol e areia.
Não, já não é uma boneca.
Não, hoje acordou sereia.
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,
In Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg.19
27 agosto 2009
Boneca de pano-encantado - I
Fotografia de Gabriela C. BertãoSorri, boneca de pano-encantado!
Mostra que, apesar de não a teres sonhado,
acolhes a realidade que hoje vives.
Sorri, pois estão a olhar para ti.
Ninguém se importa se quer chorar quem ri
sonhando um longínquo paraíso acordado.
Olha a multidão que não te olha,
vê como estás só neste sufoco de gente.
Vê como no fundo és tão diferente.
Luta, boneca, luta,
por aquilo que querem que vás lutar,
por aquilo que nunca ambicionaste amar.
Luta, por alguém que há-de vir
por alguém que vai ter de sorrir
mesmo que, no fundo, queira chorar.
Serão teus filhos?
Saberão eles quais são os perigos
de não se sorrir, quando se não quer?
Saberão eles que, se forem “mulher”
o mundo pouco terá para lhes oferecer,
apenas imposições, dores e castigos?
Sorri, boneca de pano-encantado!
Acaba de escrever, põe o pensamento de lado
e a tua cara decora com sorrisos.
Podes escrever... pouco... mas podes.
Não podes é ambicionar ou querer
que depois alguém dê valor ao que vai ler.
És mulher: o que podes fazer é ensinar.
Ensinar a ler, ensinar a amar,
ensinar a ver a luz que te consome.
Consomes, tu, a luz de um doce olhar,
consomes o gosto de um salgado mar
e mesmo sem os teres, deves sorrir.
Sorri boneca de pano-encantado!
Encara o futuro,
liberta-te do passado.
lembra-te que ainda pode haver
um porto seguro
e recatado,
que acolha o teu sorrir,
o teu viver.
Lembra-te de que “a esperança
é a última a morrer”.
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg. 17In Jogo de Espelhos, 2004,
21 agosto 2009
17 agosto 2009
passado
“Mas a verdade é que ainda hoje acredito que as coisas podiam ter sido diferentes se eu não me tivesse precipitado nos gestos ou na revelação. Que decerto o erro foi meu e é por ele, afinal, que estou a pagar.”
Maria do Rosário Pedreira
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67
14 agosto 2009
13 agosto 2009
Há temas para crianças?
“(…) um livro bom não tem idades definidas, tem sim um leitor modelo que será aquele que dele se aproprie. É demasiadamente presunçoso da parte dos adultos afiançarem que há determinados temas de que as crianças não gostam ou não percebem.”
Andreia Brites
No blog o bicho dos livros
Andreia Brites
No blog o bicho dos livros
12 agosto 2009
futuro
“Quero pouco saber do meu destino porque, depois de se ser feliz, qualquer falta é a falta de tudo.”
valter hugo mãe
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67
valter hugo mãe
Portefólio #4, Fundação Eugénio de Almeida,
Maio de 2009, pg. 67
06 agosto 2009
04 agosto 2009
Foto procura legenda
Com a arte do Nuno Abreu
Às vezes a janela que se devia abrir quando se fecha uma porta tem de ser partida por nós.
Sinto-me atraída pelo movimento das águas,
Como se lhes invejasse a corrente,
O incansável correr,
Por um leito perfeito.
Essa força que vence barreiras,
Esse constante anseio pelo MAR!
Sinto-me atraída pelo seu brilho,
Como se lhes invejasse a cor,
A altiva transparência,
Por trás de um verde...
Esse verde cor-de-sonho,
Essa vontade de ser, um dia, AZUL!
Sinto...
Que bom é sentir,
Uma vez mais,
Uma vez mais,
Uma vez mais.
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004, Ed. Som da Tinta
Como se lhes invejasse a corrente,
O incansável correr,
Por um leito perfeito.
Essa força que vence barreiras,
Esse constante anseio pelo MAR!
Sinto-me atraída pelo seu brilho,
Como se lhes invejasse a cor,
A altiva transparência,
Por trás de um verde...
Esse verde cor-de-sonho,
Essa vontade de ser, um dia, AZUL!
Sinto...
Que bom é sentir,
Uma vez mais,
Uma vez mais,
Uma vez mais.
Carmen Zita Ferreira
In Jogo de Espelhos, 2004, Ed. Som da Tinta
Livros irresistíveis para os mais novos (e não só)

Os escritores Alice Vieira, Ana Maria Magalhães, Luísa Fortes da Cunha e Álvaro Magalhães recomendam leituras que prometem agarrar as crianças da primeira à última página. Para aceder a essa informação basta vir connosco por aqui.
02 agosto 2009
conteúdos éticos sem traço de demagogia
"O escritor, se é pessoa do seu tempo, se não ficou ancorado no passado, há-de conhecer os problemas do tempo que lhe calhou viver. E que problemas são esses hoje? Que não estamos num mundo aceitável, bem pelo contrário, vivemos num mundo que está a ir de mal a pior e que humanamente não serve. Atenção, porém: que não se confunda o que reclamo com qualquer tipo de expressão moralizante, com uma literatura que viesse dizer às pessoas como deveriam comportar-se. Estou a falar doutra coisa, da necessidade de conteúdos éticos sem nenhum traço de demagogia. E, condição fundamental, que não se separasse nunca da exigência de um ponto de vista crítico."
José Saramago, Julho 7, 2009
http://caderno.josesaramago.org/
José Saramago, Julho 7, 2009
http://caderno.josesaramago.org/
Subscrever:
Mensagens (Atom)





