
27 julho 2009
22 julho 2009
Estado de espírito
Fotografia de Vasco Patrício"Saí, conformado. Também não depositara muitas esperanças prévias na diligência. Mas tinha de tentar. É na capacidade de perder e mesmo assim lutar que está a grandeza. Quem escreveu esta sentença já não sei, mas terá sido um grande homem, por certo."
Pepetela
in O planalto e a estepe. Ed. Dom Quixote, 2009, pg. 97
Pepetela
in O planalto e a estepe. Ed. Dom Quixote, 2009, pg. 97
Profissões
Fotografia de Vasco Patrício"Há gente muito boa a inventar desculpas, não fazem outra coisa, é um emprego com largo futuro no mundo da política."
Pepetela
in O planalto e a estepe.Ed. Dom Quixote, 2009, pg.85
Pepetela
in O planalto e a estepe.Ed. Dom Quixote, 2009, pg.85
13 julho 2009
sobrepor camadas de cal fresca ou de verniz no aparente
“(…) A gente sabe bem que quem criou a lei mantém-lhe o conteúdo
Não é com post-scripta e duplas rubricas
Que um código se muda.
Nada se rectifica
Ao sobrepor camadas de cal fresca ou de verniz no aparente.
O fingir-dar sem se dar realmente
Não tira a quem tem fome.
A fome de ternura, de liberdade, de ar
Fome de sol, de pão, de cheiro a mar
Fome de ter amor
Fome de amar.
A fome dos que têm mesmo fome, disto, daquilo, seja do que for.
Mas se é longa a espera
Longo o tempo
Fatigam-se as esperanças
E a fome longamente acumulada faz arrancar do sonho a mais funda raiz.”
Maria Eugénio Cunhal.
As mãos e o gesto. Ed. Escritor, Lisboa, 2000. pg.61/62.
Não é com post-scripta e duplas rubricas
Que um código se muda.
Nada se rectifica
Ao sobrepor camadas de cal fresca ou de verniz no aparente.
O fingir-dar sem se dar realmente
Não tira a quem tem fome.
A fome de ternura, de liberdade, de ar
Fome de sol, de pão, de cheiro a mar
Fome de ter amor
Fome de amar.
A fome dos que têm mesmo fome, disto, daquilo, seja do que for.
Mas se é longa a espera
Longo o tempo
Fatigam-se as esperanças
E a fome longamente acumulada faz arrancar do sonho a mais funda raiz.”
Maria Eugénio Cunhal.
As mãos e o gesto. Ed. Escritor, Lisboa, 2000. pg.61/62.
11 julho 2009
Desejo
“Atravessara o verão para te ver
dormir e trazia doutros lugares
um sol de trigo na pupila;
às vezes a luz demora-se
em mãos fatigadas; não sei em qual
de nós explodiu uma súbita
juventude, ou cantava:
era mais fresco o ar.
Quem canta no verão espera ver o mar.”
Eugénio de Andrade.
Poesia. Ed. Fundação Eug. de Andrade, 2000. pg. 338
dormir e trazia doutros lugares
um sol de trigo na pupila;
às vezes a luz demora-se
em mãos fatigadas; não sei em qual
de nós explodiu uma súbita
juventude, ou cantava:
era mais fresco o ar.
Quem canta no verão espera ver o mar.”
Eugénio de Andrade.
Poesia. Ed. Fundação Eug. de Andrade, 2000. pg. 338
10 julho 2009
Canção do caminho
Por aqui vou sem programa,
sem rumo,
sem nenhum itinerário.
O destino de quem ama
é vário,
como o trajecto do fumo.
Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço! (…)
Cecília Meireles
in O instante existe,
Ed. Arte Plural, pg. 60
sem rumo,
sem nenhum itinerário.
O destino de quem ama
é vário,
como o trajecto do fumo.
Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço! (…)
Cecília Meireles
in O instante existe,
Ed. Arte Plural, pg. 60
07 julho 2009
24 junho 2009
Scenic world
The lights go on
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade.
When i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking.
Beirut
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade.
When i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking.
Beirut
16 junho 2009
11 junho 2009
Uma imagem
Uma imagem:
O vento varre a poeira dos olhos.
Abrem-se e vêem que teu mundo não era paraíso.
Perdeu-se.
Não o voltarás a encontrar.
O paraíso não existe.
Só existe e realidade que te adormece para o mundo.
Se continuares a ignorar esta imagem
Deixarás parar tuas mãos no fundo
Acreditando que nada é preciso mudar.
Uma imagem:
O Sol levanta-se num horizonte de mar
Que vai encantar teus dias azuis
Por ti conquistados.
Não os vais querer perder.
O paraíso não existe.
Mas existe realidade melhor do que ele.
Conquista-a e vive por ela.
Deixarás teus olhos, tua alma voar
Sobre essa realidade que decidiste conquistar.
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg. 49
O vento varre a poeira dos olhos.
Abrem-se e vêem que teu mundo não era paraíso.
Perdeu-se.
Não o voltarás a encontrar.
O paraíso não existe.
Só existe e realidade que te adormece para o mundo.
Se continuares a ignorar esta imagem
Deixarás parar tuas mãos no fundo
Acreditando que nada é preciso mudar.
Uma imagem:
O Sol levanta-se num horizonte de mar
Que vai encantar teus dias azuis
Por ti conquistados.
Não os vais querer perder.
O paraíso não existe.
Mas existe realidade melhor do que ele.
Conquista-a e vive por ela.
Deixarás teus olhos, tua alma voar
Sobre essa realidade que decidiste conquistar.
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg. 49
01 junho 2009
O incrível rapaz que comia livros
Hoje é dia mundial da criança e neste quarto é quase sempre dia de livros. Hoje, por aqui, será também dia de divulgar a letra pequena online. É um local de visita constante da minha parte e hoje não consegui resistir a divulgar o que Rita Pimenta propõe.A letra pequena online tem convidado autores, ilustradores, editores ou tradutores de livros ilustrados para darem voz à história que é contada no livro que assinam. Às vozes junta uma banda sonora e a sequência de imagens da narrativa. O resultado pode ser escutado/visto na galeria de Livros para Escutar (na coluna à direita da letra pequena online).
Hoje Rita Pimenta propõe a audição do livro “O incrível rapaz que comia livros” de Oliver Jeffers, com tradução de Rui Lopes e edição da Orfeu Negro.
Façam o favor de dar um saltinho pequenino até lá. Deliciem-se!
30 maio 2009
VIII Festival de Cereja de Resende

Decorre este fim-de-semana, em Resende, o VIII Festival da Cereja. No Domingo participará no festival o grupo de música tradicional “Romeiros”, de Ourém.
Nesse mesmo dia poder-se-á assistir aos espectáculos do “Mar de Pedra” (um grupo com quem os “Romeiros” estiveram o ano passado, em Vila Real), dos “Arrefole”, d’“Uxukalhos” (que actuarão em Junho em Ourém, nas Festas da Cidade e do Concelho) e dos “Flor de Lis” (que venceram o Festival da Canção RTP este ano).
Para além de toda a animação que o Municio de Resende promete aos seus visitantes e habitantes, estarão à venda as apetecíveis CEREJAS de Resende!
Nesse mesmo dia poder-se-á assistir aos espectáculos do “Mar de Pedra” (um grupo com quem os “Romeiros” estiveram o ano passado, em Vila Real), dos “Arrefole”, d’“Uxukalhos” (que actuarão em Junho em Ourém, nas Festas da Cidade e do Concelho) e dos “Flor de Lis” (que venceram o Festival da Canção RTP este ano).
Para além de toda a animação que o Municio de Resende promete aos seus visitantes e habitantes, estarão à venda as apetecíveis CEREJAS de Resende!
27 maio 2009
O Túmulo de Edgar Poe
O Túmulo de Edgar Poe
Tal que em si-mesmo enfim a Eternidade o apura
O Poeta suscita com seu gládio erguido
Seu século aterrado de não ter ouvido
Que a morte triunfava nessa voz obscura!
Eles, em sobressalto como de hidra impura
Audindo o anjo aos da tribo termos dar sentido
Puro mais, logo aclamam sortilégio haurido
Nas desonradas águas de uma atra mistura.
Opostos solo e nuvens, ó suprema dor!
Se a nossa ideia com não cria de escultor
De que a tumba de Poe se orne resplandecente,
Calmo tombado bloco de um desastre escuro,
Que este granito ao menos mostre o seu batente
Ao negro voo blasfemo esparso no futuro.
Sthéphane Mallarmé
Tradução de Jorge de Sena.
Tal que em si-mesmo enfim a Eternidade o apura
O Poeta suscita com seu gládio erguido
Seu século aterrado de não ter ouvido
Que a morte triunfava nessa voz obscura!
Eles, em sobressalto como de hidra impura
Audindo o anjo aos da tribo termos dar sentido
Puro mais, logo aclamam sortilégio haurido
Nas desonradas águas de uma atra mistura.
Opostos solo e nuvens, ó suprema dor!
Se a nossa ideia com não cria de escultor
De que a tumba de Poe se orne resplandecente,
Calmo tombado bloco de um desastre escuro,
Que este granito ao menos mostre o seu batente
Ao negro voo blasfemo esparso no futuro.
Sthéphane Mallarmé
Tradução de Jorge de Sena.
21 maio 2009
17 maio 2009
Danger
Fotografia de José LopesNotice to an absent-minded reader:
poetry is a soft way
of bewildering.
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos,
15 maio 2009
12 maio 2009
Todas as ruas do amor
Gosto da simplicidade da melodia, gosto do poema, gosto da voz.
Parece que o resto da Europa também gostou.
10 maio 2009
08 maio 2009
A voz de Ana Hatherly
Ana Hatherly, poeta e professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, celebra hoje, 08 de Maio de 2009, o seu 80º aniversário.Lembro-me das suas aulas, do seu sorriso e sobretudo, do seu olhar transparente e fascinante.
Deixo aqui um dos seus poemas.
Um rio de luzes
Um rio de escondidas luzes
atravessa a invenção da voz:
avança lentamente
mas de repente
irrompe fulminante
saindo-nos da boca
No espantoso momento
do agora da fala
é uma torrente enorme
um mar que se abre
na nossa garganta
Nesse rio
as palavras sobrevoam
as abruptas margens do sentido.
in O Pavão Negro,
Ed. Assírio & Alvim, 2003
07 maio 2009
Festambo em Maio

Dia 08 – 21h30 – Centro Paulo VI – Fátima – Espectáculo de Dança
- Escola da Dança da Academia de Música Banda de Ourém;
- Escola de Dança do Conservatório de Artes do Orfeão de Leiria.
Dia 10 – 15h30 – Cine-teatro Municipal de Ourém – XVIII Encontro de Coros Infantis/Juvenis de Ourém
- Coral Infantil/Juvenil de Ourém;
- Coral “As Sementinhas” de Monte Abraão;
- Coral Infantil de Caldas da Rainha.
Dia 17 – 17h00 – Praça Mouzinho de Albuquerque – Ourém – Espectáculo de Música Popular Portuguesa
- Romeiros (Ourém);
- A Barca dos Castiços (Coimbra);
- Pinhal d’el Rei (Leiria).
Apareçam!
04 maio 2009

“Quando estou com alguma dificuldade em escrever vou à praia.”
Pepetela
Leiria, 28 de Abril de 2009
Questionado sobre o que pensava sobre o sentimento (tornado público) de alguns escritores, sobre quão difícil e até doloroso é o acto de escrita (na altura ouviram-se os nomes Lobo Antunes e Saramago por parte da plateia) Pepetela declarou que é coisa que não sente.
Segundo as suas palavras, escrever é um prazer. Quando as palavras certas não aparecem e está perante um impasse faz outra coisa qualquer. Ir à praia foi só um exemplo. O que o escritor quis salientar é que não fica a “sofrer” diante de um papel em branco. A ideia pareceu-me genial, de tão sincera e despretensiosa que é.
Digo-vos que é impossível estar em contacto com alguém como o escritor Pepetela e ficar indiferente (e até não sair de perto dele já diferente). Há nele uma simplicidade universal e uma simpatia que cativa, sem ser completamente evidente.
Que sorte ele ter estado aqui tão perto (de novo).
Pepetela
Leiria, 28 de Abril de 2009
Questionado sobre o que pensava sobre o sentimento (tornado público) de alguns escritores, sobre quão difícil e até doloroso é o acto de escrita (na altura ouviram-se os nomes Lobo Antunes e Saramago por parte da plateia) Pepetela declarou que é coisa que não sente.
Segundo as suas palavras, escrever é um prazer. Quando as palavras certas não aparecem e está perante um impasse faz outra coisa qualquer. Ir à praia foi só um exemplo. O que o escritor quis salientar é que não fica a “sofrer” diante de um papel em branco. A ideia pareceu-me genial, de tão sincera e despretensiosa que é.
Digo-vos que é impossível estar em contacto com alguém como o escritor Pepetela e ficar indiferente (e até não sair de perto dele já diferente). Há nele uma simplicidade universal e uma simpatia que cativa, sem ser completamente evidente.
Que sorte ele ter estado aqui tão perto (de novo).
28 abril 2009
Na hora da solidão
Fotografia de José Ferreira
Na hora da solidão
arrumam-se os medos
em pequenas caixas
pintadas a carvão
pelas mesmas mãos
pelos mesmos dedos
com que se apontam alegrias
em secretos diários de ouro
(esse revelador clarão).
Na hora da solidão
o silêncio.
Na hora da solidão
a luz.
Carmen Zita Ferreira
II Antologia de Poetas Lusófonos,
Ed. Folheto, 2009, pg.74
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