11 junho 2009

Uma imagem

Uma imagem:
O vento varre a poeira dos olhos.
Abrem-se e vêem que teu mundo não era paraíso.
Perdeu-se.
Não o voltarás a encontrar.
O paraíso não existe.
Só existe e realidade que te adormece para o mundo.
Se continuares a ignorar esta imagem
Deixarás parar tuas mãos no fundo
Acreditando que nada é preciso mudar.

Uma imagem:
O Sol levanta-se num horizonte de mar
Que vai encantar teus dias azuis
Por ti conquistados.
Não os vais querer perder.
O paraíso não existe.
Mas existe realidade melhor do que ele.
Conquista-a e vive por ela.
Deixarás teus olhos, tua alma voar
Sobre essa realidade que decidiste conquistar.

Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos, 2004,
Ed. Som da Tinta, pg. 49

01 junho 2009

O incrível rapaz que comia livros

Hoje é dia mundial da criança e neste quarto é quase sempre dia de livros. Hoje, por aqui, será também dia de divulgar a letra pequena online. É um local de visita constante da minha parte e hoje não consegui resistir a divulgar o que Rita Pimenta propõe.
A letra pequena online tem convidado autores, ilustradores, editores ou tradutores de livros ilustrados para darem voz à história que é contada no livro que assinam. Às vozes junta uma banda sonora e a sequência de imagens da narrativa. O resultado pode ser escutado/visto na galeria de Livros para Escutar (na coluna à direita da letra pequena online).
Hoje Rita Pimenta propõe a audição do livro “O incrível rapaz que comia livros” de Oliver Jeffers, com tradução de Rui Lopes e edição da Orfeu Negro.
Façam o favor de dar um saltinho pequenino até . Deliciem-se!

30 maio 2009

VIII Festival de Cereja de Resende


Decorre este fim-de-semana, em Resende, o VIII Festival da Cereja. No Domingo participará no festival o grupo de música tradicional “Romeiros”, de Ourém.
Nesse mesmo dia poder-se-á assistir aos espectáculos do “Mar de Pedra” (um grupo com quem os “Romeiros” estiveram o ano passado, em Vila Real), dos “Arrefole”, d’“Uxukalhos” (que actuarão em Junho em Ourém, nas Festas da Cidade e do Concelho) e dos “Flor de Lis” (que venceram o Festival da Canção RTP este ano).
Para além de toda a animação que o Municio de Resende promete aos seus visitantes e habitantes, estarão à venda as apetecíveis CEREJAS de Resende!

27 maio 2009

Sonhos e medos

rapinado do i can read, again.

O Túmulo de Edgar Poe

O Túmulo de Edgar Poe

Tal que em si-mesmo enfim a Eternidade o apura
O Poeta suscita com seu gládio erguido
Seu século aterrado de não ter ouvido
Que a morte triunfava nessa voz obscura!

Eles, em sobressalto como de hidra impura
Audindo o anjo aos da tribo termos dar sentido
Puro mais, logo aclamam sortilégio haurido
Nas desonradas águas de uma atra mistura.

Opostos solo e nuvens, ó suprema dor!
Se a nossa ideia com não cria de escultor
De que a tumba de Poe se orne resplandecente,

Calmo tombado bloco de um desastre escuro,
Que este granito ao menos mostre o seu batente
Ao negro voo blasfemo esparso no futuro.

Sthéphane Mallarmé
Tradução de Jorge de Sena.

17 maio 2009

Danger

Fotografia de José Lopes


Notice to an absent-minded reader:
poetry is a soft way
of bewildering.

Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos,
Ed. Som da Tinta, 2004, pg. 47
(Tradução de
Tânia Graça)

12 maio 2009

Todas as ruas do amor

Gosto da simplicidade da melodia, gosto do poema, gosto da voz.

Parece que o resto da Europa também gostou.

08 maio 2009

A voz de Ana Hatherly

Ana Hatherly, poeta e professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, celebra hoje, 08 de Maio de 2009, o seu 80º aniversário.
Lembro-me das suas aulas, do seu sorriso e sobretudo, do seu olhar transparente e fascinante.
Deixo aqui um dos seus poemas.


Um rio de luzes


Um rio de escondidas luzes

atravessa a invenção da voz:

avança lentamente

mas de repente

irrompe fulminante

saindo-nos da boca


No espantoso momento

do agora da fala

é uma torrente enorme

um mar que se abre

na nossa garganta


Nesse rio

as palavras sobrevoam

as abruptas margens do sentido.


in O Pavão Negro,
Ed. Assírio & Alvim, 2003

07 maio 2009

Festambo em Maio


Dia 08 – 21h30 – Centro Paulo VI – Fátima – Espectáculo de Dança
  • Escola da Dança da Academia de Música Banda de Ourém;
  • Escola de Dança do Conservatório de Artes do Orfeão de Leiria.
Dia 10 – 15h30 – Cine-teatro Municipal de Ourém – XVIII Encontro de Coros Infantis/Juvenis de Ourém

  • Coral Infantil/Juvenil de Ourém;
  • Coral “As Sementinhas” de Monte Abraão;
  • Coral Infantil de Caldas da Rainha.
Dia 17 – 17h00 – Praça Mouzinho de Albuquerque – Ourém – Espectáculo de Música Popular Portuguesa

  • Romeiros (Ourém);
  • A Barca dos Castiços (Coimbra);
  • Pinhal d’el Rei (Leiria).
Apareçam!

04 maio 2009


“Quando estou com alguma dificuldade em escrever vou à praia.”
Pepetela
Leiria, 28 de Abril de 2009

Questionado sobre o que pensava sobre o sentimento (tornado público) de alguns escritores, sobre quão difícil e até doloroso é o acto de escrita (na altura ouviram-se os nomes Lobo Antunes e Saramago por parte da plateia) Pepetela declarou que é coisa que não sente.
Segundo as suas palavras, escrever é um prazer. Quando as palavras certas não aparecem e está perante um impasse faz outra coisa qualquer. Ir à praia foi só um exemplo. O que o escritor quis salientar é que não fica a “sofrer” diante de um papel em branco. A ideia pareceu-me genial, de tão sincera e despretensiosa que é.

Digo-vos que é impossível estar em contacto com alguém como o escritor Pepetela e ficar indiferente (e até não sair de perto dele já diferente). Há nele uma simplicidade universal e uma simpatia que cativa, sem ser completamente evidente.
Que sorte ele ter estado aqui tão perto (de novo).

28 abril 2009

Na hora da solidão

Fotografia de José Ferreira
Na hora da solidão
arrumam-se os medos
em pequenas caixas
pintadas a carvão
pelas mesmas mãos
pelos mesmos dedos
com que se apontam alegrias
em secretos diários de ouro
(esse revelador clarão).

Na hora da solidão
o silêncio.

Na hora da solidão
a luz.

Carmen Zita Ferreira
II Antologia de Poetas Lusófonos,
Ed. Folheto, 2009, pg.74

27 abril 2009

A não perder


O vencedor do Prémio Camões 1997, o angolano PEPETELA, vai estar na Livraria Arquivo, em Leiria, no dia 28, pelas 18h30 horas, para apresentar O PLANALTO E A ESTEPE, seu último romance, baseado em factos verídicos, ficcionados pelo autor. A acção do romance decorre nos anos 60 do século passado e parte de um encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, do qual nasce um amor proibido.

08 abril 2009

As letras como poesia

A propósito do último post da EBernardes divulgo o livro de Vitorino Almeida Ventura, da chancela das Edições Afrontamento, lançado em Março findo, no Clube Literário do Porto.

Trata-se de um ensaio sobre as letras das músicas da «Banda do Casaco» (António Avelar de Pinho), «Belle Chase Hotel» (JP Simões), «Clã» (Carlos Tê), «GNR» (Rui Reininho), «Mão Morta» (Adolfo Luxúria Canibal), «Ornatos Violeta» (Manel Cruz), «Sérgio Godinho» (Sérgio Godinho), «Três Tristes Tigres» (Regina Guimarães).

É um livro que tenciono comprar. Acho o tema muito interessante e quero ver se o autor vai de encontro à minha visão, ou se me vai surpreender com uma tese que me faça mudar de opinião (ou pelo menos complementá-la).
Para já devo dizer que gosto da forma como o título do livro é apresentado, permitindo duas leituras: Letras com poesia e As letras como poesia. Bem pensado.

06 abril 2009

Perspectivas críticas de uma literatura menor


"Na obra de cada letrista do rock subjaz uma poética: um modo próprio de ver a realidade, uma linguagem pessoal, uma maneira de contar as coisas. Neste sentido, a poética de um autor está feita de obsessões, mas também de silêncios. Ambas lhe permitem construir um mundo dentro do mundo." Oscar Conde

Lisboa, 6 – 7 – 8 de Abril de 2009
Organização: Poéticas do Rock em Portugal, Centro de Estudos de Teatro, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Mais informações, aqui.

02 abril 2009

Dia Internacional do Livro Infantil



Hoje assinala-se o Dia Internacional do Livro Infantil, dia escolhido em homenagem a Hans Christian Andersen que nasceu a 2 de Abril de 1805.
Neste quarto assinala-se a data com o último livro infantil (bem interessante para adultos também) comprado por mim, que contém este poema (o último a ser lido cá por casa, mesmo agora):

Ser pente ou serpente


Ser pente
é tão estranho,
disse a serpente.
Para quê tanto dente
sem veneno para matar?

Serpente
é tão estranha,
disse o pente.
Para que servem os dentes
senão para pentear?

Luísa Ducla Soares
in A cavalo no tempo.
Porto, Ed. Civilização, 2.ª edição, 2008, pg.16

(Ilustrado por Teresa Lima)