12 maio 2009

Todas as ruas do amor

Gosto da simplicidade da melodia, gosto do poema, gosto da voz.

Parece que o resto da Europa também gostou.

08 maio 2009

A voz de Ana Hatherly

Ana Hatherly, poeta e professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, celebra hoje, 08 de Maio de 2009, o seu 80º aniversário.
Lembro-me das suas aulas, do seu sorriso e sobretudo, do seu olhar transparente e fascinante.
Deixo aqui um dos seus poemas.


Um rio de luzes


Um rio de escondidas luzes

atravessa a invenção da voz:

avança lentamente

mas de repente

irrompe fulminante

saindo-nos da boca


No espantoso momento

do agora da fala

é uma torrente enorme

um mar que se abre

na nossa garganta


Nesse rio

as palavras sobrevoam

as abruptas margens do sentido.


in O Pavão Negro,
Ed. Assírio & Alvim, 2003

07 maio 2009

Festambo em Maio


Dia 08 – 21h30 – Centro Paulo VI – Fátima – Espectáculo de Dança
  • Escola da Dança da Academia de Música Banda de Ourém;
  • Escola de Dança do Conservatório de Artes do Orfeão de Leiria.
Dia 10 – 15h30 – Cine-teatro Municipal de Ourém – XVIII Encontro de Coros Infantis/Juvenis de Ourém

  • Coral Infantil/Juvenil de Ourém;
  • Coral “As Sementinhas” de Monte Abraão;
  • Coral Infantil de Caldas da Rainha.
Dia 17 – 17h00 – Praça Mouzinho de Albuquerque – Ourém – Espectáculo de Música Popular Portuguesa

  • Romeiros (Ourém);
  • A Barca dos Castiços (Coimbra);
  • Pinhal d’el Rei (Leiria).
Apareçam!

04 maio 2009


“Quando estou com alguma dificuldade em escrever vou à praia.”
Pepetela
Leiria, 28 de Abril de 2009

Questionado sobre o que pensava sobre o sentimento (tornado público) de alguns escritores, sobre quão difícil e até doloroso é o acto de escrita (na altura ouviram-se os nomes Lobo Antunes e Saramago por parte da plateia) Pepetela declarou que é coisa que não sente.
Segundo as suas palavras, escrever é um prazer. Quando as palavras certas não aparecem e está perante um impasse faz outra coisa qualquer. Ir à praia foi só um exemplo. O que o escritor quis salientar é que não fica a “sofrer” diante de um papel em branco. A ideia pareceu-me genial, de tão sincera e despretensiosa que é.

Digo-vos que é impossível estar em contacto com alguém como o escritor Pepetela e ficar indiferente (e até não sair de perto dele já diferente). Há nele uma simplicidade universal e uma simpatia que cativa, sem ser completamente evidente.
Que sorte ele ter estado aqui tão perto (de novo).

28 abril 2009

Na hora da solidão

Fotografia de José Ferreira
Na hora da solidão
arrumam-se os medos
em pequenas caixas
pintadas a carvão
pelas mesmas mãos
pelos mesmos dedos
com que se apontam alegrias
em secretos diários de ouro
(esse revelador clarão).

Na hora da solidão
o silêncio.

Na hora da solidão
a luz.

Carmen Zita Ferreira
II Antologia de Poetas Lusófonos,
Ed. Folheto, 2009, pg.74

27 abril 2009

A não perder


O vencedor do Prémio Camões 1997, o angolano PEPETELA, vai estar na Livraria Arquivo, em Leiria, no dia 28, pelas 18h30 horas, para apresentar O PLANALTO E A ESTEPE, seu último romance, baseado em factos verídicos, ficcionados pelo autor. A acção do romance decorre nos anos 60 do século passado e parte de um encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, do qual nasce um amor proibido.

08 abril 2009

As letras como poesia

A propósito do último post da EBernardes divulgo o livro de Vitorino Almeida Ventura, da chancela das Edições Afrontamento, lançado em Março findo, no Clube Literário do Porto.

Trata-se de um ensaio sobre as letras das músicas da «Banda do Casaco» (António Avelar de Pinho), «Belle Chase Hotel» (JP Simões), «Clã» (Carlos Tê), «GNR» (Rui Reininho), «Mão Morta» (Adolfo Luxúria Canibal), «Ornatos Violeta» (Manel Cruz), «Sérgio Godinho» (Sérgio Godinho), «Três Tristes Tigres» (Regina Guimarães).

É um livro que tenciono comprar. Acho o tema muito interessante e quero ver se o autor vai de encontro à minha visão, ou se me vai surpreender com uma tese que me faça mudar de opinião (ou pelo menos complementá-la).
Para já devo dizer que gosto da forma como o título do livro é apresentado, permitindo duas leituras: Letras com poesia e As letras como poesia. Bem pensado.

06 abril 2009

Perspectivas críticas de uma literatura menor


"Na obra de cada letrista do rock subjaz uma poética: um modo próprio de ver a realidade, uma linguagem pessoal, uma maneira de contar as coisas. Neste sentido, a poética de um autor está feita de obsessões, mas também de silêncios. Ambas lhe permitem construir um mundo dentro do mundo." Oscar Conde

Lisboa, 6 – 7 – 8 de Abril de 2009
Organização: Poéticas do Rock em Portugal, Centro de Estudos de Teatro, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Mais informações, aqui.

02 abril 2009

Dia Internacional do Livro Infantil



Hoje assinala-se o Dia Internacional do Livro Infantil, dia escolhido em homenagem a Hans Christian Andersen que nasceu a 2 de Abril de 1805.
Neste quarto assinala-se a data com o último livro infantil (bem interessante para adultos também) comprado por mim, que contém este poema (o último a ser lido cá por casa, mesmo agora):

Ser pente ou serpente


Ser pente
é tão estranho,
disse a serpente.
Para quê tanto dente
sem veneno para matar?

Serpente
é tão estranha,
disse o pente.
Para que servem os dentes
senão para pentear?

Luísa Ducla Soares
in A cavalo no tempo.
Porto, Ed. Civilização, 2.ª edição, 2008, pg.16

(Ilustrado por Teresa Lima)



30 março 2009


II Antologia de Poetas Lusófonos

A Folheto Edições, a Câmara Municipal da Batalha e o Director do Mosteiro da Batalha têm a honra de convidar todos os que passam por este “quarto que sente” para a apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos, na qual eu participo com cinco poemas.
A cerimónia terá lugar no Mosteiro da Batalha, no dia 5 de Abril de 2009, com início às 15h30, nas Capelas Imperfeitas, com a actuação da Orquestra Filarmonia das Beiras. Às 16h30, no Auditório do Mosteiro, terá lugar a apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos.
Haverá um momento de poesia com a participação de vários poetas.
Apareçam!

24 março 2009

Finalmente encontrei uma tradução que me agrada do poema de que mais gosto do Edgar Allan Poe.
Tinha de a partilhar convosco. É uma tradução de Henrique Fialho (que a semana passada encerrou o seu blog) e com ela termino, eu, este ciclo dedicado a Allan Poe. Pelo menos por agora.
Um grande abraço a todos os companheiros desta pequena aventura (um ainda mais forte para a EBernardes, por... tudo).




Desde a hora da infância eu não fui
Como outros foram - eu não vi
Como outros viram – não pude tomar
Minhas paixões duma primavera vulgar.

Da mesma nascente eu não traguei
A minha tristeza; eu não despertei
Para o júbilo comum o meu coração;
E tudo o que amei, eu amei em solidão.
Nesse tempo da infância – na madrugada
Da vida mais tormentosa – foi traçada
Das profundezas do bem e do mal
O mistério que me mantém sem igual:
Da torrente ou da fonte,
Do rubro penhasco do alto monte,
Do sol que gira em meu torno
Num matiz dourado de Outono –
Do relâmpago no céu
Que tão perto de mim se deu –
Da tempestade e do trovão,
E da nuvem que adquiriu a feição
(Quando azul era o resto dos Céus)
De um demónio aos olhos meus.

Edgar Allan Poe

20 março 2009

Sensações de Baltimore
(incompleta)
“Cidade triste entre as tristes,
Oh Baltimore!
Mal eu diria que na terra existes
Cidade dos Poetas e dos Tristes,
Com teus sinos clamando “Never-more”.

Os comboios relâmpago voando,
Pela cidade de Baltimore,
Levam uns sinos que de quando em quando
Ferem os ares, o coração magoando
E os sinos clamam “Never-more, never-more”. (…)”

Baltimore, 1897

NOBRE, António. Despedidas: 1895-1899.
Pref. José Pereira de Sampaio.Porto, s/ed., 1902.