07 fevereiro 2009

Atmosphere

Walk in silence,
Don't walk away, in silence.
See the danger,
Always danger,
Endless talking,
Life rebuilding,
Don't walk away.

Walk in silence,
Don't turn away, in silence.
Your confusion,
My illusion,
Worn like a mask of self-hate,
Confronts and then dies.
Don't walk away.

People like you find it easy,
Naked to see,
Walking on air.
Hunting by the rivers,
Through the streets,
Every corner abandoned too soon,
Set down with due care.
Don't walk away in silence,
Don't walk away.


Joy Division

03 fevereiro 2009

Os amigos

Fotografia de Luís Pinto
Os amigos

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles
e são sempre adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos
no seu exagero de temporalidade pura.

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos explica
por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis.

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.

José Tolentino Mendonça
in De Igual Para Igual, Assírio & Alvim, 2001.

31 janeiro 2009

O que se festeja por aqui #2


O Coral Infantil e Juvenil da Academia de Música Banda de Ourém comemora este fim de semana o seu trigésimo quinto aniversário!

O que se festeja por aqui #1


O Agrupamento de Escuteiros Oureense comemora este fim de semana o seu vigésimo aniversário!

29 janeiro 2009

O telefone e a metafísica

Fotografia de Zdzislaw Waciak


O telefone e a metafísica

Acontece que
vais à caderneta de telefones e ela
que antes (sabias) estava cheia
de números e nomes
repentinamente está vazia.

De A a Z
vazia.

Onde tudo e todos?
Roubaram os ossos do telefone,
que não te pode levar a lugar nenhum.

Perplexo, descobres que existir
é deserto.

Eucanaã Ferraz
in Livro Primeiro. Rio de Janeiro, Edição do autor, 1990.

21 janeiro 2009


Fotografia de Maria Jesus


«e ela cega
e ela sabe
ai onde vai

e ela cai
mas ao cair
finge-se cega

e ela entrega
sente o fundo
de quem a tem

e ela vem
sem que alguém
sinta chegar

e ela dor
deixa-te só
faz-te chorar

ela ensina
ela engana
ai a saudade
e o desejo
de mais um beijo

tocar a mão
e se ela existe
ela resiste

mesmo se os olhos
dizem que não ela insiste
espera em vão

mas ela é vida
triste a vida
sem ela»

Sitiados

No Ideas On The Horizon

20 dezembro 2008

Dezembro e não Natal


Fotografia de Paulo Damasceno


Tenho estado a observar
o constante deambular
de tantas e tantas almas.
Entram e saem das lojas,
levam sacos cheios de coisas
que hoje compraram,
para nunca vir a usar.

São os seus passos obstinados
que me impressionam
e os olhos em frente focados
como se o horizonte fosse sempre
continuar a comprar.

O que falta ao Homem neste Dezembro?
Afinal, o que nos falta
e parece, sempre, continuar a faltar?


Carmen Zita Ferreira

18 dezembro 2008

Ferida

Fotografia de Órcar Trindade

“(…) os segredos, na Vila Cacimba, não se enterram nunca em cova. Ficam em buraco aberto como ferida que nunca ganha cicatriz.”

Mia Couto
in Venenos de Deus Remédios do Diabo.
Ed. Caminho, Lisboa, Maio de 2008. pg.104

07 dezembro 2008

Sempre a mesma sensação

Breviário de pequenas intenções

Breviário de pequenas intenções:

  • Escrever um conto genial;
  • Parar de jogar com as palavras (como acrescentar um "t" à última palavra supra) enquanto penso em pequenas mas boas intenções.

04 dezembro 2008

hold still



Nem sequer é a minha preferida (longe disso), mas quis seguir o conselho do gatinho ali em baixo.

26 novembro 2008

O poeta

Trabalha agora na importação
e exportação. Importa
metáforas, exporta alegorias.
Podia ser um trabalhador
por conta própria,
um desses que preenche
cadernos de folha azul com
números
de deve e haver. De facto, o que
deve são palavras; e o que tem
é esse vazio de frases que lhe
acontece quando se encosta
ao vidro, no inverno, e a chuva cai
do outro lado. Então, pensa
que poderia importar o sol
e exportar as nuvens.
Poderia ser
um trabalhador do tempo. Mas,
de certo modo, a sua
prática confunde-se com a de um
escultor do movimento. Fere,
com a pedra do instante, o que
passa a caminho
da eternidade;
suspende o gesto que sonha o céu;
e fixa, na dureza da noite,
o bater de asas, o azul, a sábia
interrupção da morte.