18 novembro 2008
O Outono e a fantasia
Ao que eles disseram, então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.
Ele disse, eu estava a brincar, não sou uma árvore e deixou cair as folhas.
Mas os pais disseram, olha, é Outono.
Russell Edson (1935), in O Túnel
(Tradução de José Alberto Oliveira)
16 novembro 2008
12 novembro 2008
Ouch!
Help, I have done it again.
I have been here many times before.
Hurt myself again today,
and the worst part is there's no one else to blame.
Be my friend,
hold me, wrap me up,
unfold me, I am small and needy,
warm me up and breathe me.
Ouch, I have lost myself again.
Lost myself and I am nowhere to be found.
Yeah, I think I might break.
Lost myself again and I feel unsafe.
Sia – Breath me
05 novembro 2008
31 outubro 2008
There's hope to have, in the past
Why would he come back through the park?
You thought that you saw him, but no you did not.
It's not him coming across the sea to surprise you,
not him who would know where in London to find you.
Sadness so real that it populates
the city and leaves you homeless again.
Steam from a cup and snow on the path,
the seasons have changed from the present to past.
The past...
There's hope to have,
in the past...
Why would he come back through the park?
You thought that you saw him, but no you did not.
Who can be sure of anything through
the distance that keeps you from knowing truth.
Why would he think, the boy could become
the man who could make you sure he was the one?
The one...
My one...
My one...
Feist - The park
30 outubro 2008
Foi o caso 2#
Usá-lo-ia todos os dias.
Assim usá-lo-ei quase todos, porque julgo que cumpre a sua função: alegra-me a vista, faz-me pensar em ti e aquece-me o coração.
24 outubro 2008
21 outubro 2008
20 outubro 2008
Nota de rodapé em conversa já esgotada
Durante alguns dias a noite escondia-se
– sem grande rigor é certo –
numa escrita do silêncio
inacessível, exalando eternidade
e outros instantes do efémero.
Subterraneamente, os dias acabaram
e os objectos transformaram-se
em saliva precária."
Cecília Barreira
Do mar grande e d'outras águas, Ed. Gama, 2006, pg. 68
18 outubro 2008
Foi o caso #1
Refazer a folha
Falava-se na nobreza-tipo-musgo.
Falava-se em apetecer, por vezes (muitas vezes?), refazer a folha a alguém.
Falava-se…
Mas há aqueles que conseguem falar melhor do que os outros.
Foi o caso.
Deixo-vos a frase:
"Refazer pode ser interessante, se houver bagagem suficiente para isso.
É como reciclar: embora a nobreza dos materiais possa ser importante, todo o ênfase é posto nos resultados finais."
antónio f.
15 outubro 2008
08 outubro 2008
07 outubro 2008
04 outubro 2008
01 outubro 2008
Walls
28 setembro 2008
24 setembro 2008
Previsão do tempo num litoral incerto
que cairão formosas e seguras
sobre os telhados que de vidro forem.
Os outros, que de vidro não são,
podem ficar sossegados,
porque sobre eles as chuvas também cairão.
Anunciam-se ventos,
enlaces, casamentos,
festas de despedida
e rituais de iniciação.
Prevê-se a queda de pedras
vindas de todas as veredas
em movimentos antigos
de pura e total condenação.
Caída a noite as ondas
atingirão, animadas
os transeuntes desprevenidos
e escondidos na escuridão.
Madrugada fora naufrágios,
maremotos, maus presságios,
subida da temperatura e geadas:
Esta é a minha previsão.
Ed. Minerva, Lisboa, Junho de 2008, pg.48
22 setembro 2008
18 setembro 2008
Oscar Wilde #2
“Reconheceu que não havia vantagem em ir à Scotland Yard, porque aí parecia nunca se saber nada sobre os movimentos partidários da dinamite, senão depois de uma explosão.”
WILDE, Oscar. O crime de Lorde Artur Savile e outros contos. Ed. Relógio d’Água, Lisboa, 2007, pg. 31
“Os detectives ingleses são realmente os nossos melhores amigos e eu tenho reconhecido sempre que, confiando na sua estupidez, podemos realizar exactamente o que desejamos. Não podemos dispensar nenhum.”
Idem. Ibidem. pg. 33
“Relógios explosivos não são lá muito boa coisa para exportação estrangeira, porque mesmo que consigam passar sem dificuldades na Alfândega, o serviço de comboios é tão irregular que, por via de regra, explodem antes de atingir o seu verdadeiro destino.”
Idem. Ibidem. pg. 33
17 setembro 2008
Oscar Wilde #1
Este Verão li “O crime de Lorde Artur Savile e outros contos” (1891), de Oscar Wilde, numa edição da Relógio d’Água, de Junho de 2007.Acho incrível como, passado mais de um século, Oscar Wilde consegue ser actual e usar, com uma mestria invejável, umas das mais poderosas armas, a ironia. Na verdade, para mim ler Oscar Wilde é não só um prazer, mas também uma oportunidade de aprender com quem realmente domina a arte da escrita.
Começo aqui uma série citações deste livro, que fui sublinhando e que, apesar de retiradas do contexto, são (na minha opinião) espelho do talento deste autor.
“(…) na escadaria estavam de pé muitos reais académicos, disfarçados de artistas.”
WILDE, Oscar. O crime de Lorde Artur Savile e outros contos. Ed. Relógio d’Água, Lisboa, 2007, pg. 7
14 setembro 2008
Troca para marcar
O desafio era fazer um marcador para livros, no material que se quisesse, com uma ilustração/colagem nossa e uma frase ou excerto que nos tivesse marcado (indicando nome do livro e do autor).
Por sorteio, a parceira que me foi atribuída tem um blog que se chama Um quarto de fadas e toda esta experiência, a meu ver resultou muito bem.
Assim, este foi o marcador que enviei à Fada, com a seguinte frase de Mia Couto, no seu mais recente livro “Venenos de Deus e Remédios do Diabo”, da Editorial Caminho (pg. 98):
“O suficiente é para quem não ama. No amor só existem infinitos.”
Este foi o marcador que recebi da Fada, com a seguinte frase, de Clarissa Pinkola Estés, em “Mulheres que correm com os lobos”:
“Ela traz histórias e sonhos, palavras e canções, signos e símbolos. Ela é tanto o
E finalmente, aqui vai a minha sugestão de dez livros para ler em 2008:
AUSTER, Paul. O livro das ilusões. Asa Editores, 4.ª edição, Lisboa, 2006.
COUTO, Mia. Venenos de Deus e Remédios do Diabo. Editorial Caminho, 1.ª edição, Lisboa, 2008.
GEDEÃO, António. Poemas escolhidos. Ed. João Sá da Costa, 10.ª edição, Lisboa, 2006.
GUSTAFSSON, Lars. A morte de um apicultor. Asa Editores, 2.ª edição, Lisboa 2001.
MÁRQUEZ, Gabriel García. Cem anos de solidão. Dom Quixote, 23.ª edição, Lisboa, 2006.
MURAKAMI, Haruki. Sputnik, meu amor. Casa das letras, 6.ª edição, Lisboa, 2008.
SANTIS, Pablo de. A Tradução. Asa Editores, 1.ª edição, Lisboa, 2000.
SEPÚLVEDA, Luis. Crónicas do Sul. Asa Editores, 1.ª edição, Lisboa, 2008.
WILDE, Oscar. O retrato de Dorian Gray. Relógio d’Água, Lisboa, 1998.
ZOLA, Émile. Thérèse Raquin. Círculo de Leitores, Lisboa, 1973.
Directamente para a Fada, quero agradecer o marcador e toda a simpatia revelada. A nossa “troca” marcou-me, realmente.
12 setembro 2008
Talking about my generation
No dia 11 há 11 anos...
(make a wish)
03 setembro 2008
Setembro
Era Setembro
ou outro mês qualquer
propício a pequenas crueldades:
a sombra aperta os seus anéis.
Que queres tu ainda?
O sopro das dunas sobre a boca?
A luz quase despida?
Fazer do corpo todo
um lugar desviado do inverno?
Eugénio de Andrade
in Poesia, Ed. Fundação Eugénio de Andrade,
2.ª edição, 2005, pg.341




