03 setembro 2008

Setembro


Fotografia de Nuno Abreu


Era Setembro
ou outro mês qualquer
propício a pequenas crueldades:
a sombra aperta os seus anéis.
Que queres tu ainda?
O sopro das dunas sobre a boca?
A luz quase despida?
Fazer do corpo todo
um lugar desviado do inverno?

Eugénio de Andrade
in Poesia, Ed. Fundação Eugénio de Andrade,
2.ª edição, 2005, pg.341

18 agosto 2008

Vaga mágoa




Paira à tona de água
uma vibração.
Há uma vaga mágoa
no meu coração.

Não é porque a brisa
ou o que quer que seja
faça esta indecisa
vibração que adeja;

Nem é porque eu sinta
uma dor qualquer.
Minha alma é indistinta,
não sabe o que quer.

É uma dor serena,
sofre porque vê.
Tenho tanta pena!
Soubesse eu de quê!...

Fernando Pessoa
in Poesia 1918-1930, Ed. Assírio & Alvim,

Lisboa, 2005, pg. 296

06 agosto 2008

Dê, vai ver que não dói nada




Desde 15 do passado mês de Julho que a AMI lançou ao público um projecto de recolha de óleos alimentares usados, que conta já com a participação de milhares de restaurantes, hotéis, cantinas, escolas, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.
A AMI dá com este projecto continuidade à sua aposta no sector do ambiente, como forma de actuar preventivamente sobre a degradação ambiental e sobre as alterações climáticas, responsáveis pelo aumento das catástrofes humanitárias e pela morte de 13 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.
Os estabelecimentos que pretendam aderir, recebendo recipientes próprios para a deposição dos óleos alimentares usados, deverão telefonar gratuitamente para o número 800 299 300.

Para participar neste projecto da AMI:

- Junte o óleo alimentar que usa na sua cozinha numa garrafa de plástico e entregue-a quando estiver cheia num dos restaurantes aderentes. Os restaurantes estão identificados e a lista completa está disponível aqui (são já 5 os locais onde o poderá fazer no Concelho de Ourém, por exemplo).

Fonte: http://www.ami.org.pt/
Fundação AMI
Rua José do Patrocínio, 49 1949-008 Lisboa Tel. 218 362 100 Fax 218 362 199E-Mail: reciclagem@ami.org.pt

Troca para marcar


Estou inscrita numa "onda de trocas" bem interessante, na sequência de um desafio da teia de ariana. Eis os pormenores:


Tema: TROCA PARA MARCAR
Regras:
1) Fazer um marcador para livros, no material que se quiser,com uma ilustração/ colagem nossa e uma frase ou excerto que nos tenha marcado (indicando nome do livro e do autor) e assinar;
2) Acrescentar uma pequena lista de sugestões de livros para leitura de férias... ou sem ser de férias.


Inscrições: até dia 3 Agosto;
Divulgação dos parceiros: 4 de Agosto;
Prazo de envio dos marcadores de livros: até final do mês de Agosto;
Dia da postagem do que se enviou e recebeu, para todos, nos seus blogs: 14 de Setembro.


Os parceiros foram divulgados e por incrível que pareça, o sorteio ditou que o meu par tivesse um blog chamado um quarto de fadas. Vou tentar cumprir todas as regras... Prometo.

15 julho 2008

Regresso


Fotografia de Nuno Abreu

Regresso

Afasto-me do mar
que apaga minhas pegadas
sempre que dele me estou a afastar.
Ganha nova força
e sobe até à marginal
este velho conhecido que me atrai,
que me sussurra ao ouvido:
“Voltarás!
Essa pegada já se foi
mas outras um dia marcarás!”

É sábio o meu amigo.
E com frases sábias me encanta
enquanto limpa da areia meus pés
como se esta fosse uma sagrada manta.
Minhas marcas já ninguém vê.
Só o mar sabe que até ele desci.
No meu regresso só ele crê
pois só ele me sentiu por aqui.

Carmen Zita Ferreira
in Do mar grande e d’outras águas,
Gama Ed., 2006, pg.39

01 julho 2008

Verão

Fotografia de Nuno Lopes

O livro aberto esquecido na relva,
o sol mordido das amoras bravas,
a voz húmida e lenta dos rapazes,
os degraus por onde a sombra desce.


Ouço-as como se ouvisse chegar o verão,
seus inumeráveis dedos correm pelos dias
ou pelas noites com as águas dentro;
Ouço essas vozes, esse rumor de luzes
subir no escuro, tropeçar nos vidros,
com a manhã alta cair nas areias,
morder os muros, arder endoidecido.

Eugénio de Andrade
in Poesia, Ed. Fundação Eugénio de Andrade,
2.ª edição, 2005, pg.335

23 junho 2008

The Racounteurs


you gotta learn to live, and live and learn
you gotta learn to give, and wait your turn,
or you' ll get burned

16 junho 2008

Exaltação

Venha!
Venha uma pura alegria
Que não tenha
Nem a senha
Nem o dia!

Abra-se a porta da vida
Sem se perguntar quem é!
E cada qual que decida
Se quer a lama aquecida
No lume da nova fé.

Venha!
Venha um sol que ninguém tenha
No seu coração gelado!
Venha
Uma fogueira de lenha
De todo o tempo passado!

Miguel Torga
in Libertação, 4.ª edição, Coimbra, 1978, pg.16

Fotografia de Nuno Abreu

30 maio 2008

You can never hold back spring


"És tu a Primavera que eu esperava,

A vida multiplicada e brilhante,

Em que é pleno e perfeito cada instante."

Sophia de Mello Breyner

(Para a família S.)

12 maio 2008

A song from the darkest hour

Those who feel the breath of sadness
Sit down next to me
Those who find they’re touched by madness
Sit down next to me
Those who find themselves ridiculous
Sit down next to me
In love, in fear, in hate, in tears
James - Sit down
Foto: Fernanda Figueiredo

08 maio 2008

Promessa



Fotografia de Nuno Abreu

Na ribeira que sulca
os leitos deste labirinto
procuro a cesta de vime
que suavemente te trará
até mim.
Deixa-te embalar pela corrente
até ao calor do rubro abrigo
que te aguarda, meu bem.
Na encruzilhada de três rios
que encontrarás na viagem
ao fundo de ti,
antes de continuares
pelo fabuloso caminho,
em recolhimento reflecte
e depois escolhe uma qualquer rota,
meu infante,
porque o destino te trará aqui.
Entretanto eu esperarei
e dia após dia guardarei
todos os tesouros
que para ti estão reservados:
Reino encantado, com nuvens de chocolate,
refúgios de luz escarlate
e translúcidos lagos.

Carmen Zita Ferreira
in Do mar grande e d’outras águas,
Ed. Gama, 2006, pg.42

02 maio 2008

made in portugal


Augusto Cid ganhou o grande prémio do X Porto Cartoon World Festival, com o desenho de um atleta olímpico chinês, que carrega uma chama olímpica feita de monges budistas.
Para nós a qualidade gráfica do português Augusto Cid, bem como a actualidade dos seus trabalhos já não são novidade e é com grande agrado que recebemos a notícia da atribuição de mais um prémio, que reconhece o seu talento.

All I need