15 março 2008
12 março 2008
10 março 2008
Balada da Serra dos Candeeiros

Grande parte da minha vida
Feita de paz e sem guerra
Foi numa casa construída
Com pedras daquela serra (Mote)
Na Serra dos Candeeiros
Parava o vento do mar
Eram lentos os carreiros
Com os olhos a cantar
Traziam pedras gigantes
Para a mão dos britadores
Fazer em poucos instantes
As pedras dos construtores
Os pedreiros sujos de cal
A pegar no fio de prumo
Que traça numa vertical
Lugar do fogo e do fumo
Sem desenhos ou papéis
Nascia a planta dum lar
Quatro canas dois cordéis
São os limites dum lugar
Na Serra dos Candeeiros
O azeite era o mais puro
Os ventos tão verdadeiros
A cantar por sobre o muro
Vinha a água das cisternas
Sempre boa e sempre fria
Sem as técnicas modernas
A limpeza era uma enguia
Vinha o leite já fervido
Vinha o queijo saboroso
O dia era mais comprido
Tudo era mais vagaroso
A pedra que me defende
Do Verão e do Inverno
Não se paga nem se vende
É um valor forte e eterno
08 março 2008
Get up, stand up! Stand up for your rights.
06 março 2008
All of the things we want each other to be we never will be
“I wish I hadn't seen all of the realness
And all the real people are really not real at all
The more I learn the more I cry
As I say goodbye to the way of life
I thought I had designed for me (…)
All of the moments that already passed
We'll try to go back and make them last
All of the things we want each other to be
We never will be
And that's wonderful, and that's life
And that's you, baby
This is me, baby
And we are
Free
In our love.”
Gosto da Nelinha... O que é que posso fazer?
04 março 2008
I taught myself how to grow
" Sometimes I feel like I'm going insaneWithout the numbness or the pain so intense to feel
Especially now it added up through the years
And I, I taught myself how to grow
Without any love and there was poison in the rain
I taught myself how to grow
Now I'm crooked on the outside, and the inside's broke"
03 março 2008
Multidão
Multidão
Correm, com passos de gente que se atrasa,
olhando o relógio, para a hora do suicídio.
Correm, sob um sol que queima, abrasa,
num torturar inquieto, novo e antigo.
Esbarram nos vultos que com eles se cruzam,
fazendo parte de uma multidão sempre igual.
Esbarram e quase nunca se olham
temendo a pausa que impõe o reconhecimento do mal.
Parar é morrer e perder o barco
que nos leva à margem onde o suicídio é feito,
onde com a morte fazemos a cada dia um pacto.
E assim vamos correndo com pressa, na solidão
que marca a diferença no meio de tanta gente
que corre, todos os dias, para ganhar um pedaço de pão.
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos,
28 fevereiro 2008
A palavra
A palavra
A palavra gatinha
Sem nada por cima
A palavra rompe
Investe
Perfura.
Comprida a palavra perde-se
Em redor da mesa reveste-se, organiza-se.
A palavra precisa de ternura.
José Afonso
in "José Afonso, textos e canções", Relógio D'água
26 fevereiro 2008
A parte de nós que não é nossa
"Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
Eu sei exactamente o que é o amor.
O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa.
O amor é sermos fracos.”
O amor é ter medo e querer morrer."
José Luís Peixoto
A criança em ruínas, Ed.quasi, 2002, pg 57
20 fevereiro 2008
Entre o tudo e o nada, saber quem sou
Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
De elefantes, baleias, cais e canções
Na preguiça do panda, na destreza do lince
Vou abrir a Pandora onde Deus não existe
Entre tudo e nada, saber quem sou
Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
De golfinhos e águias, do silêncio das águas
Regressado aos sentidos e à razão dos bichos
Dos espaços perdidos, na asa do condor
No fundo do mar, saber quem sou
Quero ser noutra vida mensageiro de emoções
Porta-voz de ondas, tradutor de ilusões
Ser menos ainda que um pequeno carreiro
Descobrir o mistério do Universo inteiro
Emprestar a vida, descobrir quem sou.
Letra e música: João Afonso
19 fevereiro 2008
"não sabes do que sou capaz"
No carro, em casa, ao vivo, a preto e branco, a cores, de qualquer forma e em qualquer parte... São simplesmente geniais.
18 fevereiro 2008
16 fevereiro 2008
Memórias Cinéfilas #1

Bob: Can you keep a secret?
I'm trying to organize a prison break. I'm looking for, like, an accomplice. We have to first get out of this bar, then the hotel, then the city, and then the country. Are you in or you out?
Charlotte: I'm in. I'll go pack my stuff.
Bob: I hope that you've had enough to drink. It's going to take courage.
15 fevereiro 2008
Esboço

Encontrei isto:
“O que o amor exige reciprocamente é força plástica. Por isso há no amor, como na arte, tantos esboços gorados, sem a força suficiente para a execução.”
Hugo von Hofmannsthal (1874-1929)
in Livro dos Amigos, Ed. Assírio e Alvim, 2002.
E só por isso, vou comprar isto.
14 fevereiro 2008
Poema de quase-amor

REDACÇÃO
Uma senhora pediu-me
um poema de amor.
Não de amor por ela,
mas “de amor, de amor”.
À parte aquelas trivialidades
“minha rosa,
lua do meu céu interior”
que podia eu dizer
para ela, a não destinatária,
que não fosse por ela?
Sem objecto, o poema
é uma redacção
dos 100 modelos
de Cartas de Amor.
Alexandre O’Neill (1924-1968)
12 fevereiro 2008
11 fevereiro 2008
Já é tarde
JÁ É TARDE, AMOR
Já é tarde, amor,
para que a Lua se encha de azul
e nos transporte para as montanhas selvagens
onde uivam os lobos perdidos.
Já é tarde
para se criarem novas imagens
que representem sonhos antigos.
Até a chuva se cansou de esperar,
até ela caiu, se perdeu
e se confundiu com o mar.
As estrelas dançam no limiar do cosmo
e o seu destino entregam nas mãos
dos deuses da antiguidade.
Penso que é assim
porque já é tarde.
Cansaram-se de lutar
para não pertencerem só à noite,
porque é tarde, amor,
e toda a Natureza
se contenta com a sua sorte.
Carmen Zita Ferreira
in Jogo de Espelhos,
Ed. Som da Tinta, 2004, pg. 65
10 fevereiro 2008
Dilema

E eu ouço a voz que prega no deserto
Miguel Torga
08 fevereiro 2008
Which way ?
06 fevereiro 2008
05 fevereiro 2008
Quem nunca tiver pecado que lance a primeira pedra

Nesta constante busca em estabelecer uma ligação verdadeira e completa entre o mundo onde sentimos e o mundo onde nomeamos as coisas, todas as formas de arte podem e devem ter lugar.






